Com o fim das aulas, crianças ficam em casa, muitas vezes, ao lado dos avós; saiba evitar acidentes domésticos

As férias escolares são um convite para a diversão em família. Mas, com as crianças em casa, é importante pensar em segurança, uma vez que elas, assim como os idosos, estão mais suscetíveis a sofrer acidentes domésticos, como quedas, queimaduras e choques. No período de setembro de 2017 a agosto deste ano, o SUS registrou mais de 708 mil internações em todo o país por acidentes ocorridos em casa. Deste total, 29% dos pacientes eram idosos (pessoas a partir de 60 anos), e 8,5%, crianças com até nove anos.

O ortopedista Marco Paulo Otani, do Centro de Qualidade de Vida, explica que um dos principais fatores das quedas em casa é o ambiental. “É a má adequadação do espaço para os seus moradores, sejam eles idosos ou crianças”, afirma. Algumas medidas simples, como retirar tapetes da beirada da cama e ter sempre uma fonte de luz acesa no quarto ajudam a minimizar os riscos. Desde que passou a cuidar da neta Maria Luiza, sete anos, todas as manhãs, a aposentada Lourdes Foschini, 64 anos, logo promoveu mudanças para deixar o apartamento mais seguro.

“A primeira coisa que coloquei foram as redes de proteção na varanda. Também sempre tive muito cuidado com o fogão, para não ficar nada na beirada, afinal não dá para bobear nem um minuto com criança”, diz. Com esses cuidados, o tempo que elas ficam juntas é aproveitado em brincadeiras. Uma aprende com a outra, e o amor e o respeito entre avó e neta só crescem.

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Atenção aos mais velhos

De setembro de 2017 a agosto de 2018, as quedas representaram 65% dos acidentes domésticos entre as pessoas com mais de 60 anos. “Os idosos têm um agravante, que é a fraqueza muscular natural, decorrente da própria idade”, afirma o ortopedista Marco Otani. As mudanças na casa também são importantes para eles, mas o médico alerta que não se deve impedir que o idoso suba escadas nem faça outras atividades consideradas mais arriscadas. Isso porque é importante que ele se mantenha ativo e sempre tome os cuidados necessários a fim de evitar quedas.

“Idosos que usam escadas frequentemente caem menos do que aqueles que evitam ou usam esporadicamente. Embora o ideal seja uma casa térrea, é essencial que os mais jovens os incentivem a subir e descer, sempre acompanhados, para que eles peguem confiança”, explica o médico.

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Brincar ao ar livre é recomendado

Uma opção saudável e divertida para fugir dos acidentes domésticos é ir para parques e praças. “Para os idosos, a atividade muscular melhora a vascularização do corpo e ajuda a manter a massa muscular”, diz o ortopedista Marco Paulo Otani. As crianças também se beneficiam em muitos aspectos. “Criança que sai de casa e gasta energia tem um comportamento mais tranquilo. A recomendação é que os pequenos pratiquem ao menos uma hora de atividade física intensa por dia, a partir dos dois anos. Cair de vez em quando faz parte, mas se focarmos nessa pequena parte ruim, a gente acaba criando uma geração cada vez mais sedentária”, afirma a pediatra Denise Lellis, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A estudante Maria Luiza Foschini, 7 anos, adora brincar ao ar livre e conta com a companhia da avó, Lourdes Foschini, 64 anos. “Ela ama andar de patins. Vamos sempre à praça. No calor, também vamos para a piscina, quadra, assim, ela gasta bastante energia. Em casa, as brincadeiras são mais tranquilas”, diz a avó. O pediatra Felipe Lora, do Hospital Infantil Sabará, lembra apenas que, independentemente da idade da criança, brincadeiras na piscina precisam de supervisão. “Mesmo os mais velhos podem sofrer acidentes, bater a cabeça, engolir água e precisar de ajuda”, afirma. (BF)

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Adapte o lar para continuar na ativa

Depois de um acidente doméstico, muitos idosos podem ficar com medo de atividades simples, como brincar com os netos ou subir escadas. Esse tipo de atitude, porém, não deve ser incentivada pelos filhos e companheiros. “A inatividade leva à atrofia dos músculos. Desta forma, a tendência é que ocorram cada vez mais acidentes. Você não está protegendo, mas, sim, expondo o idoso a um fator de risco muito maior”, explica o ortopedista Marco Paulo Otani. A recomendação é adaptar a casa e mudar alguns hábitos. A aposentada Niobe Amaral Souza Marengo, 87 anos, sofreu um acidente doméstico aos 62 anos. “Tínhamos encerado a sala de almoço e ela estava com um pouco de cera ainda. Eu escorreguei, caí e bati o rosto na mesa. Foi um tombo bastante dolorido.”

O acidente a fez mudar algumas coisas na casa, a começar pelo chão: nada de encerar nem colocar tapetes. “Tenho uma disposição muito grande, mas fiquei mais atenta. No meu quarto, passei a deixar uma luz acesa. Eu tinha mania de andar no escuro e hoje sei que isso pode ser perigoso.” Outra dica de segurança, indica Otani, é manter os exames em dia e se exercitar. Ele lembra que idosos perdem massa muscular e são mais afetados pela osteoporose. “Também é importante sempre checar como está a visão para evitar acidentes.”