Com foco em segurança, Vale deve levar 3 anos para voltar a ter recorde em produção


Em primeira fala pública após ser confirmado como diretor-presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo pediu desculpas pelo rompimento da barragem em Brumadinho. Sede da Vale, no Rio de Janeiro
Reuters
A Vale informou nesta sexta-feira (10) que poderá levar até três anos para voltar a atingir ritmo de produção de minério de ferro antes planejado para 2019, que seria um recorde, em meio a uma nova agenda que coloca em primeiro plano segurança e excelência operacional, em resposta ao desastre de Brumadinho (MG).
Em sua primeira fala pública após ser confirmado como diretor-presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo pediu desculpas pelo rompimento da barragem da empresa em 25 de janeiro e afirmou que as três palavras que vão pontuar as prioridades da companhia são “segurança, pessoas e reparação”.
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“Não poupamos nem pouparemos recursos e esforços para reparar de forma célere e justa os danos que causamos àquelas famílias, à infraestrutura das comunidades e ao meio ambiente”, disse Bartolomeo, em teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre.
Em sua gestão, o executivo afirmou que terá como compromisso “firmar um novo pacto com a sociedade”, atuando como vetor de desenvolvimento econômico para as comunidades, “indo além do mero pagamento de impostos e de ações compensatórias, estabelecendo parcerias e alianças para um desenvolvimento territorial sustentável”. Mas não informou detalhes.
Na véspera, a maior produtora global de minério de ferro relatou que o impacto financeiro da ruptura da barragem soma, por ora, cerca de R$ 19 bilhões, um valor provisionado que ainda não inclui custos para descomissionamento de barragem de controladas e coligadas e eventuais indenizações por danos ambientais e de interesses coletivos.
O presidente da empresa também se comprometeu com a continuidade de estratégias estabelecidas anteriormente, de reposicionamento no setor de metais básicos, a forte disciplina de alocação de capital e a maximização da melhora da qualidade no minério de ferro.
O rompimento da barragem da mina de ferro Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), com capacidade para armazenar mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, liberou uma onda de lama que atingiu instalações da empresa, mata, comunidades e rios da região.
Foram confirmadas, até o momento, 238 vítimas fatais, grande parte de funcionários da própria Vale, e outras 32 pessoas constam como desaparecidas.
Após o desastre, a empresa foi levada a paralisar capacidade de cerca de 90 milhões de toneladas de minério de ferro anuais em diversas atividades em Minas Gerais, em meio a revisões de segurança.
Com isso, a Vale anunciou prejuízo líquido de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre, com impactos da tragédia, que provocou ainda seu primeiro Ebitda ajustado negativo de sua história.
Fatores como chuvas na região Norte e uma mudança no gerenciamento de estoques também impactaram os resultados.
Atraso na produção
Com o baque nas suas atividades, a mineradora prevê atingir o ritmo de produção de minério de ferro anteriormente planejado para entre 2019 e 2023, de 400 milhões de toneladas por ano, apenas em dois ou três anos.
“Nós não temos pressa, estamos trabalhando em conjunto com o Ministério Público e as autoridades, nosso objetivo é comum, é assegurar que só haverá qualquer tipo de retomada uma vez que haja segurança absoluta”, afirmou durante a teleconferência o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores, Luciano Siani.
“Se vocês me perguntarem, quando a Vale espera atingir novamente uma produção próxima a 400 milhões de toneladas, eu diria que o horizonte aqui é entre dois e três anos.”
Dentre os cerca de 90 milhões de toneladas por ano de capacidade que foram paralisadas, está a mina de Brucutu, maior produtora da companhia em Minas Gerais, que pode produzir mais de 30 milhões de toneladas/ano.
Siani ponderou que atualmente Brucutu está produzindo com beneficiamento a seco, que dispensa o uso de barragens, a um ritmo de “pouco menos” de 10 milhões de toneladas por ano. Para retomar 100 por cento da operação, com a utilização da produção a úmido, a empresa precisa de uma liberação judicial, que acredita que conseguirá no curto prazo.
Já outras operações paralisadas pela Justiça, de Alegria, Vargem Grande e Timbopeba, Siani afirmou ter a expectativa de conseguir uma liberação para operar a seco em cerca de 6 meses a 12 meses, recuperando então outros cerca de 30 milhões de toneladas.
A retomada dos 30 milhões de toneladas restantes, que apenas seriam possíveis com operação a úmido, Siani afirmou que poderá levar ainda de dois a três anos.