Com efeito Brumadinho, Vale tem prejuízo de R$ 6,4 bilhões no 1º trimestre

Segundo a mineradora, provisões relacionadas com a tragédia somaram R$ 17,315 bilhões. A Vale informou nesta quinta-feira (8) que registrou prejuízo de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Os números são os primeiros divulgados pela mineradora após a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, que incorporam as perdas financeiras provocadas pela ruptura da barragem.
Nos primeiros três meses do ano passado, a mineradora registrou lucro de R$ 5,1 bilhões. No quarto trimestre de 2018, a Vale havia registrado lucro líquido de R$ 14,485 bilhões.
No balanço dos primeiros três meses deste ano, a Vale reconheceu que o impacto financeiro da tragédia de Brumadinho foi de R$ 19 bilhões no seu Ebitda (resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Só com provisões relacionadas com a tragédia a companhia diz ter reservado R$ 17,315 bilhões.
R$ 9,3 bilhões de provisão para os programas e acordos de compensação e remediação;
R$ 7,1 bilhões de provisão para descomissionamento ou descaracterização de barragens de rejeito;
R$ 392 milhões de provisão com despesas incorridas relacionadas a Brumadinho;
R$ 469 milhões de provisão com outros itens da tragédia;
R$ 1,1 bilhão de impacto com volumes perdidos;
R$ 605 milhões de impacto com paradas de operação.
Com a perda bilionária, a Vale registrou no primeiro trimestre o primeiro Ebitda negativo da sua história, de R$ 2,8 bilhões. A mineradora também informou que o resultado foi afetado pelo menor volume de vendas de minério de ferro e pelotas.
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Dívida em alta; investimentos em queda
A Vale também informou que a dívida bruta foi de US$ 17,051 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de US$ 1,585 bilhão em relação ao observado no fim do ano passado.
No primeiro trimestre de 2018, no entanto, a dívida bruta da companhia era maior, de US$ 20,276 bilhões.
Segundo a companhia, o aumento registrado nos três primeiros meses do ano foi motivado por novas linhas de crédito captadas “para suportar o congelamento de recursos relacionado à ruptura da barragem de Brumadinho”.
O prazo médio da dívida também foi afetado por Brumadinho. No primeiro trimestre, foi de 7,96 anos. No quarto trimestre do ano passado, estava em 8,9 anos.
Já os investimentos recuaram no primeiro trimestre. Eles totalizaram US$ 611 milhões, abaixo dos US$ 1,498 bilhão apurados no quarto trimestre ano passado. Nos primeiros três meses de 2018, totalizaram US$ 890 milhões.
Produção
Na quarta-feira (8), a companhia informou que a produção de minério de ferro caiu 11,1% no primeiro trimestre de 2019, na comparação com o mesmo trimestre no ano passado, para 72,870 milhões de toneladas. Já em relação ao quarto trimestre de 2018, a queda na produção do minério foi de 27,8%.
As vendas de minério de ferro da maior produtora global da commodity caíram 22,2% entre janeiro e março, em comparação com o primeiro trimestre de 2018, para 55,416 milhões de toneladas.
A mineradora justificou as quedas na produção lembrando o rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais, em 25 de janeiro. Devido à ruptura da barragem, a empresa teve que suspender produção em diversas unidades. A companhia também citou sazonalidade climática – com volume de chuvas -, mais forte do que o normal no período para justificar os recuos.
Troca de comando
Desde da tragédia em Brumadinho, em janeiro deste ano, a Vale sofreu um forte abalo: logo após o acidente perdeu bilhões em valor de mercado e enfrentou um crise de imagem. A companhia também foi obrigada a promover uma uma troca de comando. O executivo Eduardo Bartolomeo assumiu o comando da empresa e substituiu Fabio Schvartsman, que foi afastado de suas funções após recomendação da força-tarefa que investiga a tragédia.