Com ‘Covid prolongada’, Marianne Faithfull diz não saber se conseguirá voltar a cantar


Diagnosticada com a doença em abril de 2020, cantora britânica diz, em entrevista à agência AFP, que quase morreu. ‘Tive uma doença muito dura.’ Artista lança álbum com obras de poetas românticos do século XIX nesta sexta-feira (30). A cantora e atriz inglesa Marianne Faithfull, em fotos de 1981 e de 2014
Arquivo/AFP
Marianne Faithfull teme não conseguir voltar a cantar devido à “Covid prolongada” que sofre. Mas a cantora britânica presenteou os fãs com um novo álbum de poesia transformada em música.
A artista, de 74 anos, hospitalizada há um ano devido ao coronavírus, conversou com a AFP por telefone de sua casa no sudoeste de Londres, e revelou o cansaço.
Ao ser questionada sobre sua saúde, a cantora do álbum clássico “Broken English”, de 1979, é direta: “Eu tive uma doença muito dura e quase morri e agora tenho o que chamam de ‘covid prolongada'”.
“Não é o vírus, mas certamente parece. Está nos meus pulmões, então não posso falar por muito tempo”.
Voltará a cantar? “Querido, eu não sei. Espero que consiga. Eu pratico canto uma vez por semana. Um amigo vem e toca meu adorável violão e eu pratico”.
“É um pensamento horrível. Independente do que aconteça, eu não posso mudar”.
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Faithfull, no entanto, não joga a toalha e conseguiu finalizar um projeto iniciado antes da doença: recitar a obra de poetas românticos do século XIX (Lord Byron, Percy Bysshe Shelley, John Keats, entre outros), com o apoio de músicos famosos.
O lançamento do álbum, com o título “She Walks In Beauty” (retirado de um poema de Byron), acontecerá na sexta-feira (30).
Ela tinha este projeto há muito tempo, mas como “nem todos compreendiam” precisou encontrar as “pessoas adequadas”, confessa.
Tudo começou com François Ravard, seu empresário francês, e o australiano Warren Ellis, compositor e multi-instrumentista, velho parceiro da cantora.
Assinado pela artista e por Ellis, “She Walks In Beauty” conta ainda com a colaboração do australiano Nick Cave no piano, assim como com outro célebre músico, Brian Eno, e o violoncelista francês Vincent Segal.
“Tenho muita sorte, todos são meus amigos”, explica Faithfull, que também se refere aos “antigos companheiros” para fazer referência aos poetas selecionados.
Ela descobriu suas obras quando estudava em um convento na Inglaterra pela influência de uma “professora maravilhosa, a senhora Simpson, que certamente não era católica”.
E apesar do sonho de estudar Literatura, o que aconteceu depois é mais do que conhecido: o empresário dos Rolling Stones não tirou os olhos dela durante uma festa e Faithfull se deixou levar pela “Swinging London” e seu movimento pop que dominou a capital inglesa nos anos 1960.
Um mudança de vida que abriu as portas do ‘showbusiness’, mas que também a associou durante muito tempo a uma classificação redutora de musa dos Rolling Stones, depois que foi namorada de Mick Jagger.
Sobrevivente
Marianne Faithfull é uma sobrevivente. Inclusive de uma pandemia que transformou a maneira de gravar álbuns.
“Com a pandemia, não era possível fazer como antes no estúdio, todos juntos. Eu gravei em meu apartamento”, conta, e depois enviou para Warren Ellis, que vive na França.
“Não foi tão difícil como pensei que seria. Mas foi um problema. Quando todos estão no estúdio juntos, você pode consegue dizer muito sobre o que as pessoas estão pensando ao observar sua linguagem corporal. Nós não tínhamos nada disso. É uma sorte incrível que tenha ficado tão bom”, explica.
Depois de morar por muitos anos em Paris, antes de retornar para Londres e ficar perto do filho e dos netos, Faithfull consideraria lançar um álbum com poetas franceses?
“Eu adoraria fazer com Baudelaire, Rimbaud, mas eu não falo francês bem o suficiente. Vou ter que pensar”.
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