Cielo desaba após rival Rede zerar taxa de antecipação no cartão de crédito à vista

Segundo analistas, medida acirra competição no setor e deve impactar adquirentes como Cielo, Stone e Pagseguro. As ações da Cielo operam em forte queda do Ibovespa nesta quinta-feira (18), após a rival Rede, do Itaú Unibanco, zerar taxa de antecipação de recebíveis de lojas no cartão de crédito à vista, acirrando o ambiente de competição no setor de meios de pagamentos no país.
Os lojistas receberão os valores depositados em dois dias. As condições valerão a partir de 2 de maio com faturamento na empresa de até R$ 30 milhões por ano, segundo a Reuters.
Às 11h10, os papéis da Cielo caíam mais de 7%, enquanto o Ibovespa subia 0,5%.
“A notícia é negativa para todos os adquirentes listados, Cielo, Stone e Pagseguro, em diferentes magnitudes, já que devem reagir ao movimento agressivo da Rede”, destacou a equipe da XP Investimento em relatório a clientes.
De acordo com cálculos dos analistas, assumindo que as transações à vista representem de 30% a 40% do volume total de crédito, a Cielo poderia ter seu lucro líquido de 2019 reduzido em 10% a 20%. No caso da Stone, eles avaliam que deve ser mais impactada, uma vez que a empresa atua principalmente no mercado de pequenas e médias empresas e possui maior exposição relativa ao pré-pagamento em seus resultados.
“A iniciativa da Rede, apesar de agressiva, faz parte do processo de corte de preços pelo qual a indústria vem passando nos últimos seis meses. Continuamos cautelosos com a Cielo e os adquirentes puros em geral, uma vez que os grandes bancos têm espaço significativo para abrir mão de receita nesse segmento a fim de reter e atrair clientes PMEs para sua base”, disseram os analistas da XP.