Cidades Inteligentes, mitos ou verdades – Parte I

Por Cid Vianna

Há algum tempo, muito se tem falado a respeito de cidades inteligentes ou Smart Cities, como alguns mais enfáticos, gostam de falar. Durante este ano recebemos muitos convites para os mais variados tipos de eventos, além de jornais e revistas especializadas que, de forma direta ou indireta, pretendiam abordar o tema.

Entretanto, por trás de todo este “ruído” das manchetes, muitas vezes quase sensacionalistas, buscando atrair a atenção de todos para os avanços no campo das cidades inteligentes, poucas iniciativas práticas realmente acontecem.

Então surge a dúvida: Cidades inteligentes realmente podem existir ou é somente mais um modismo conceitual efêmero, como tantos outros que já tivemos a oportunidade de ver, e ver desaparecer com quase a mesma velocidade.

Antes de delinearmos qualquer tipo de julgamento sobre o assunto, existem alguns conceitos importantes a serem compreendidos.

Em primeiro lugar, não podemos utilizar a quantidade de recursos tecnológicos, aparatos informatizados ou automatizados, métodos e estratégias em telecomunicações devidamente implantadas em uma cidade, como indicadores únicos para qualificá-la como uma cidade inteligente. Esta é a mais comum das confusões, quando tratamos do assunto.

O conceito real de Cidade Inteligente está baseado em uma visão que busca a convergência entre múltiplas tecnologias aplicadas e outros conceitos muito heterogêneos e amplos, tais como mobilidade urbana, segurança pública, arquitetura e comunicações, os quais devem contar com um envolvimento social pleno. Cada qual com seus desdobramentos e problemáticas.

Converter esta visão em realidade não é de forma alguma uma tarefa simples.

Um trabalho com pretensões mínimas de enquadrar uma cidade dentro do âmbito e dos parâmetros consideráveis para uma Cidade Inteligente é um projeto muito complexo, que exige a participação de todas as esferas públicas, administrativas e governamentais, com impactos profundos na realidade operacional da cidade toda.

Por falar em complexidade, não podemos desconsiderar as características particulares de cada cidade, tais como aspectos geográficos, econômicos, culturais, etc.

Estas peculiaridades tornam cada projeto único e intransferível.

Portanto, um projeto desenvolvido para uma cidade, obrigatoriamente não pode ser aplicado em outra cidade. Cada caso é um caso.

Frente a tudo isto, devemos considerar que este processo deve ser lento e meticuloso. As estimativas atuais para a implantação mínima de uma Cidade Inteligente, segundo a consultoria EY- Ernest & Young, demanda de 5 a 15 anos de trabalho constante.

Portanto, não ser imediatistas é a primeira lição que devemos aprender para uma discussão mais aprofundada sobre o assunto…

Cid Vianna assina a Coluna Quarta.Zero, no Inova360, parceiro do portal R7. É diretor de novos negócios do Grupo T2I e apresentador do quadro Quarta Ponto Zero no programa de TV Inova360, na Record News.

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