Choques internos e externos podem inviabilizar recuperação do Brasil, diz FMI


Riscos estão num eventual fracasso da reforma da Previdência e nas tensões comerciais internacionais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta sexta-feira (24) que choques domésticos e externos podem inviabilizar a já lenta recuperação da economia brasileira.
Para o FMI, o principal risco interno está num eventual fracasso do governo em conseguir aprovar uma “robusta” reforma da Previdência. No cenário externo, os riscos estão na crise da Argentina – o país é um importante parceiro comercial do Brasil – e nas tensões comerciais internacionais.
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“A ambiciosa proposta de reforma da Previdência, que está sendo analisada pelo Congresso, estabilizaria os gastos com aposentadorias na próxima década e tornaria o sistema mais equitativo”, disse o fundo em relatório apresentado nesta sexta após uma visita oficial ao Brasil.
“Para entregar o ajuste fiscal necessário, o Congresso deve preservar o aumento proposto nas idades mínimas de aposentadoria e diminuir os benefícios relativamente altos, particularmente para funcionários do setor público”, apontou o FMI.
Logo do FMI em Washington, EUA
Reuters/Yuri Gripas
A reforma da Previdência apresentada pelo governo prevê uma economia de R$ 1,2 trilhão em até 10 anos. A proposta, no entanto, ainda está sendo analisada pela comissão especial da Câmara dos Deputados e ainda não há data para ser votada no plenário.
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O FMI também pontuou que a recuperação da economia brasileira continua lenta e que há um risco significativo de que o crescimento econômico projetado para este ano, que deve ficar entre 1% e 1,5%, seja ainda menor se o Brasil não endereçar o seu problema fiscal.
Em abril, o FMI estimativa que a economia brasileira iria crescer 2,1% neste ano.
Do lado externo, o fundo disse que a situação brasileira segue sólida. O FMI estima que o déficit em transação corrente do Brasil deve subiu para 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano – em 2018, o déficit foi de 0,8% do PIB.
“A posição externa do Brasil é forte graças a uma grande quantidade de reservas”, disse o órgão.