‘Chocolate com pimenta’ estreia no Globoplay: relembre comédia com romance e vingança


Novela de Walcyr Carrasco com Mariana Ximenes e Murilo Benício chega à plataforma de vídeos nesta segunda-feira (18). “Chocolate com Pimenta” é a estreia desta segunda-feira (18) no Globoplay. Exibida em 2003, a novela escrita por Walcyr Carrasco e estrelada por Mariana Ximenes e Murilo Benício é uma comédia romântica, ambientada na década de 1920.
Para ajudar a entrar no clima, o G1 publica curiosidades sobre a novela, com dados do Memória Globo (leia mais ao fim da reportagem).
Com direção de Jorge Fernando, Fabrício Mamberti e Fred Mayrink, a história acontece na fictícia Ventura, uma pequena cidade que gira em torno da fábrica de chocolates e bolos artesanais Bombom, de Ludovico (Ary Fontoura).
A protagonista, Ana Francisca (Ximenes), é uma menina humilde, ingênua e romântica que, após perder o pai, vai morar em um sítio simples, com uma parte da família que ainda não conhece.
Ela chama a atenção de Danilo (Benício), o rapaz mais bonito do colégio e a grande paixão da mimada Olga (Priscila Fantin), filha do delegado da cidade. Apesar das artimanhas de Olga para impedir o romance dos dois, como uma humilhação pública no baile de formatura, Ana e Danilo começam a namorar.
Mariana Ximenes em cena de ‘Chocolate com pimenta’
João Miguel Júnior/Globo
Para ajudar a família nas despesas da casa, Ana vai trabalhar como faxineira na fábrica de chocolates e conhece Ludovico. Para a jovem, ele é apenas um funcionário da empresa, não se trata de um homem rico.
Pouco depois, Ana descobre que está grávida de Danilo. Mas uma armação de Olga e da tia do rapaz, Bárbara (Lilia Cabral), provoca a separação do casal, e Ana não consegue contar a novidade ao namorado.
Ao ver o desespero e o sofrimento da jovem amiga, que pensa que Danilo não quis saber do filho, Ludovico revela sua verdadeira identidade e propõe casamento a ela, para dar um nome à criança. Os dois vão para Buenos Aires, na Argentina, onde Ana começa uma vida nova.
Lá, ela recebe aulas de etiqueta, dança e música, corta os cabelos à última moda e ganha vestidos finos e joias do marido, transformando-se completamente. Ludovico, porém, com a saúde fragilizada, morre pouco depois do nascimento do filho de Ana Francisca.
“Foi uma novela muito especial, um personagem delicioso. Se pudesse fazer ‘Chocolate com Pimenta 2’, eu faria. A premissa era muito boa. Uma menina simples, jovem, ingênua e pobre, de família humilde e que, de repente, conhece uma pessoa que a ajuda, o Ludovico, interpretado pelo brilhante Ary Fontoura”, lembra Ximenes em entrevista ao Memória Globo.
“Depois, ela volta para se vingar e também recuperar os laços afetivos. Consegue dar a volta por cima. É um personagem que se transforma ao longo da trama. Mexeu com valores, como família, honra, coragem. Ainda tinha um charme por ser de época. Uma novela linda, com cenários lúdicos. Foi um personagem muito especial, muito importante na minha carreira.”
Murilo Benício e Mariana Ximenes em ‘Chocolate com pimenta’
João Miguel Júnior/Globo
Rica e acionista majoritária da fábrica de chocolates, Ana volta a Ventura sete anos depois de sua partida, disposta a se vingar. A cidade, que antes a tratava com desprezo, agora a recebe com um grande baile. Para a surpresa de todos, ela decide fechar a fábrica, o único sustento de Ventura.
A partir de então, passa a enfrentar os artifícios criados pelo prefeito Vivaldo (Fulvio Stefanini), o delegado Terêncio (Ernani Moraes) e o banqueiro Conde Klaus von Burgo (Cláudio Corrêa e Castro), que tentam demovê-la a todo custo da ideia.
O autor lembra que o tom de comédia da novela fez sucesso com o público.
“Eu parti para uma construção bem clássica de heroína pobre, sofrida. A história dela com o Ludovico não podia ser mais clássica. Ele se fazia de pobre, ela era empregada da fábrica. E eles ficavam amigos. Ela era a única pessoa que tratava esse milionário como um ser humano, e, por isso, ele resolvia casar com ela, porque foi a única pessoa que deu carinho para ele na velhice”, conta Walcyr Carrasco.
“A Olga era uma antagonista com um tom de humor, a Priscila Fantin. E tinha também a Jezebel, irmã do Ludovico, que queria ser a herdeira da fábrica. Ela era a grande vilã, quase uma bruxa de contos de fada. A novela, por ser muito clássica, mas com um tom bem-humorado, foi muito gostosa de fazer, a gente ria muito fazendo a novela, porque tudo era muito engraçado. Teve guerra de bolo, tudo que podia ter de artimanha de humor.”
Priscila Fantin e Mariana Ximenes em ‘Chocolate com Pimenta’
João Miguel Júnior/Globo
Curiosidades
A novela foi inicialmente inspirada na opereta “A Viúva Alegre”, do compositor húngaro Franz Lehár;
Partindo de vilões de desenhos animados, os personagens de Elizabeth Savala, Fulvio Stefanini, Cláudio Corrêa e Castro e Ernani Moraes foram alguns que garantiram o humor da trama com seu tom farsesco. Eles sempre eram os maiores prejudicados em suas próprias armações. Murilo Benício também contribuiu com o lado cômico da novela ao emprestar humor ao mocinho Danilo;
Um dos mistérios da trama gira em torno de Bernardete (Kayky Brito), a filha adotiva de Jezebel (Elizabeth Savala). Quando ficou grávida, Jezebel adoeceu e fez uma promessa à Santa Bernadete: dedicaria a filha à santa. Como acabou perdendo a criança, resolveu adotar uma menina para cumprir a promessa. Sua empregada Cândida (Yeda Dantas) tinha um filho e, sem ter condições de dar uma boa criação ao menino, decidiu levá-lo para ser adotado pela patroa, mantendo em segredo o verdadeiro sexo do bebê;
Kayky Brito e Elizabeth Savalla em ‘Chocolate com Pimenta’
Renato Rocha Miranda/Globo
Os primeiros capítulos da novela mostraram cenas com Mariana Ximenes, Murilo Benício e Ary Fontoura gravadas na Argentina. Serviram de cenários o famoso Teatro Cólon, localizado na Avenida 9 de Julio, centro de Buenos Aires; o Rosedal, parque da cidade; e a localidade de Tigre, próxima à capital argentina;
No Brasil, o elenco gravou na Serra Gaúcha, em pontos turísticos de Gramado (como o Lago Negro), Canela (Parque das Sequoias) e São Francisco de Paula (Ponte do Passo do Inferno). Nesta última, foi realizado o desfile da fanfarra de Ventura, com banda, balizas e bandeiras, e uma figuração de 150 moradores da região. Também houve gravações na Região Serrana do Rio de Janeiro e em São Lourenço, sul de Minas Gerais;
O sítio da família de Ana Francisca foi ambientado no bairro de Camorim, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que já servira de locação para as minisséries “A Muralha” (2000) e “A Casa das Sete Mulheres” (2003). Além de uma casinha típica da roça, feita com material de demolição, foram criados no local galinheiro, viveiro, horta, estábulo, chiqueiro e um lago artificial;
Toda a linha de chocolates da fábrica foi feita especialmente para a novela, que consumia nas gravações, em média, três quilos de bombons de chocolate por semana. Também foram produzidos mais de dez mil bombons cenográficos em 15 formatos diferentes;
Outro destaque foram os autênticos carros antigos usados em cena, do acervo de um colecionador particular. O personagem de Murilo Benício dirigia um autêntico Ford Roadster, modelo T, de 1926 – o típico carro de playboy que, na época, ficou conhecido no Brasil como “baratinha”;
Assim como em outras novelas que dirigiu, Jorge Fernando fez uma participação especial na história, interpretando o palhaço do circo que chega à cidade de Ventura. A novela contou também com a participação de Lucinha Lins e Lauro Góes, como os pais de Danilo (Murilo Benício). Marcos Frota viveu um trapezista do circo, Morcego Voador, que se apaixona por Bárbara, personagem de Lilia Cabral. E os cantores Zezé di Camargo e Luciano atuaram, respectivamente, como os personagens Casca e Cascudo, que aparecem no sítio da família de Ana Francisca. Dália e Cascudo se encantam um pelo outro, e ela vai embora com a dupla;
Zezé di Camargo, Luciano e Carla Daniel em ‘Chocolate com Pimenta’
Gianne Carvalho/Globo
“Chocolate com Pimenta” foi a quinta novela de época da carreira de Walcyr Carrasco, e sua terceira na Globo, onde antes assinara “O Cravo e a Rosa” (2000) e “A Padroeira” (2001). Em 2005, ele escreveu outro sucesso, “Alma Gêmea”;
Laura Cardoso conta que a trama era tão divertida que, por vezes, o elenco não conseguia conter o riso, sendo obrigado a interromper as gravações;
Osmar Prado lembra que o sotaque caipira de seu personagem, Margarido, foi inspirado no modo de falar de seu próprio pai, que era do interior de São Paulo;
Lançada em maio de 2004 no mercado externo, a novela foi vendida para diversos países, entre eles Cazaquistão, Argentina, Chile, Guatemala, Paraguai, Peru, El Salvador, Sérvia e Montenegro, Equador, Venezuela, Ucrânia, Romênia, Moldávia, Bósnia, Portugal, Uruguai, Moçambique, Nicarágua, Costa Rica, EUA e Honduras. Em Portugal, foi líder absoluta de audiência, conquistando o primeiro lugar geral e chegando a ser apresentada em dois horários por dia.