China está pronta para retaliar EUA usando terras raras, dizem jornais chineses


‘Aconselhamos o lado norte-americano a não subestimar a capacidade do lado chinês de salvaguardar seus direitos e interesses de desenvolvimento’, alertou o jornal oficial do Partido Comunista da China. Guerra comercial: últimas negociações entre os governos Donald Trump e Xi Jinping fracassaram.
DAMIR SAGOLJ/REUTERS
A China está pronta para usar terras raras como retaliação em uma guerra comercial com os Estados Unidos, alertaram jornais chineses nesta quarta-feira (29) em comentários com palavras fortes sobre uma medida que deve aumentar as tensões entre as duas maiores economias do mundo.
A visita do presidente chinês, Xi Jinping, a uma instalação de terras raras na semana passada provocou especulações de que a China iria usar sua posição dominante como exportadora de terras raras para os EUA como arma em sua guerra comercial.
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As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em tudo, desde eletrônicos de alta tecnologia até equipamentos militares. A perspectiva de que seu valor pudesse subir como resultado da guerra comercial causava uma elevação acentuada das ações de produtores, incluindo a empresa visitada por Xi.
Embora a China até agora não tenha explicitamente dito que vai restringir as vendas de terras raras aos EUA, a mídia chinesa deu sinais fortes de que isso acontecerá.
Em um comentário intitulado “Estados Unidos, não subestimem a capacidade chinesa de contra-atacar”, o jornal Diário do Povo salientou a “desconfortável” dependência dos EUA das terras raras da China.
“As terras raras se tornarão uma arma para a China reagir contra a pressão que os Estados Unidos colocaram sem nenhuma razão? A resposta não é um mistério”, afirmou.
“Sem dúvida, o lado norte-americano quer usar os produtos fabricados pelas terras raras exportadas da China para conter e reprimir o desenvolvimento da China. O povo chinês nunca aceitará isso!”, acrescentou o jornal oficial do Partido Comunista da China.
“Nós aconselhamos o lado norte-americano a não subestimar a capacidade do lado chinês de salvaguardar seus direitos e interesses de desenvolvimento. Não diga que não avisamos vocês!”
A expressão “não diga que não avisamos” é geralmente só usada pela mídia oficial chinesa para avisar os rivais sobre grandes áreas de desacordo, por exemplo, durante uma disputa de fronteira com a Índia em 2017 e em 1978 antes de a China invadir o Vietnã.