China abre base para buscar seu primeiro explorador de Marte

China quer conquistar Marte

China quer conquistar Marte
Pixabay

Depois de fazer história ao se tornar o primeiro país a alunissar na face oculta da Lua, a China quer conquistar Marte, e é possível que o primeiro chinês a pisar no solo do planeta vermelho tenha passado por uma base simulada como a recém-inaugurada em pleno deserto de Gobi.

Situada a cerca de 40 quilômetros da cidade de Jinchang, a Mars Base 1 é um projeto da companhia C-Space que conta com o apoio das autoridades locais e do Centro de Astronautas da China, e seus mais de 1.000 metros quadrados são distribuídos em nove compartimentos.

Além de cápsulas-dormitórios, um pequeno consultório médico, banheiros e infinidades de telas cheias de dados, também há um viveiro com luz artificial e plantações de trigo, alho-poró e alface – e criação de vermes para quem gostar de algo mais exótico e proteico.

Quem se animar a dar um passeio por esta particular superfície que, embora não seja marciana, apresenta um tom avermelhado, pode encontrar outros elementos da simulada conquista de Marte, como o módulo espacial, veículos de exploração, uma caverna-refúgio e até mesmo um monolito preto suspeitosamente parecido com o do filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

Porém, além de telas futuristas e luzes de neon que deixam o local com um quê de “Star Trek”, a base também busca fazer com que os visitantes voltem “às origens” e aprendam a avaliar a importância de elementos básicos, tendo que cuidar ao máximo dos recursos disponíveis.

“Não é só futurismo, também é sobre o que representa ser humano, e voltar às nossas origens”, disse à Efe Zhao Tianshu, diretora do programa educativo da C-Space.

Lu Yueyao, uma estudante de 13 anos que esteve junto com a Agência Efe durante a visita às instalações, saiu encantada: “Já tinha curiosidade sobre Marte e outros fenômenos do espaço como os buracos negros. Agora tenho mais vontade de ir a Marte”, declarou.

Talvez seja alguém da sua idade e nacionalidade que se transforme no futuro na primeira pessoa a pisar no planeta vermelho, e Lu, pelo menos, já está convencida disso.

“A China tem muita vantagem, porque tivemos muitos astronautas excelentes. Acredito que teremos grandes conquistas na corrida espacial no futuro”, comentou a estudante à Efe.

Uma colega da jovem, Li Yaqin, também mostrou entusiasmo.

“Aprendi muito hoje, mas ainda há muitos mistérios que não podemos explicar. Quero resolver estes problemas no futuro”, comentou.

O “turismo espacial” tem ganhado impulso na China, que investe pesado no seu programa de exploração cósmica, especialmente desde o sucesso da Chang’e 4, a sonda que no dia 3 de janeiro chegou à face oculta da Lua.

O criador da C-Space, Bai Fan, não quer ficar atrás e assegura que seu plano é criar uma espécie de cidade marciana de férias, com hotéis e bares, e espera começar com a construção no próximo ano.

Seu objetivo é que a base seja rentável “o mais rápido possível”, embora admita que “não serão 8 ou 10 anos, mas também não um ou dois”.

Por enquanto, Bai terá que manter os pés na Terra e se conformar com os acampamentos educativos – cujo público vai desde estudantes de primário a universitários -, as visitas de um dia ou as estadias de três a sete dias nas seis “cápsulas” oferecidas pela base.

Segundo o diretor, são estas visitas mais longas que permitem “sentir a experiência completa” de viver em um entorno hostil, com um clima extremo, água e comida limitadas, “para fazer com que as pessoas percebam que, se a Terra um dia não for habitável e for preciso construir uma base em Marte, não só dependeremos da tecnologia, como de saber sobreviver”.

A base também foi pensada para que cineastas possam rodar filmes de ficção científica e já recebeu seu “batismo” diante das câmeras: após sua construção, um grupo de famosos chineses se enclausurou nela para gravar um programa ao estilo “Big Brother”, mas intitulado ‘Space Challenge’.

Entre os objetivos da C-Space está o de inspirar estudantes. Mas, apesar do semblante de felicidade e interesse após a visita, nem todos os jovens saem de lá querendo ser astronautas.

Dou Zihang, de 14 anos, por exemplo, parece querer lembrar que ainda é uma criança.

“Acho que seria difícil ser astronauta. Tem que fazer exercício todos os dias, isso é difícil. Gostaria é de levar criaturas ao espaço e criar extraterrestres”, comentou.

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