Charles Watts se emocionou ao ser homenageado pelo público de SP em 1º show do Rolling Stones no Brasil, em 1995; veja vídeo


Apresentação no estádio do Pacaembu teve mais de um minuto de palmas e gritos em homenagem ao baterista da banda, que morreu nesta terça (24), aos 80 anos. Charles Watts chorou ao ser homenageado pelo público de SP em 1º show do Rolling Stones no Brasil
Morto nesta terça-feira (24), aos 80 anos, o baterista Charlie Watts, da banda Rolling Stones, foi homenageado, em 1995, durante show do grupo no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo, e se emocionou com o carinho do público.
O show de 1995 foi o primeiro do grupo britânico no Brasil e o estádio ficou lotado. Watts foi aplaudido pelo público por mais de um minuto por sua simplicidade e grande talento no palco.
A apresentação no Pacaembu fez parte do antigo festival Hollywood Rock e teve outras três atrações que abriram caminho para a trupe de Charlie Watts e Mick Jagger: Barão Vermelho, Rita Lee e a banda americana Spin Doctors.
FOTOS: relembre carreira de Charlie Watts
HOMENAGENS: Ringo, Elton John e outros lamentam
Veja repercussão da morte do baterista dos Rolling Stones
Charlie Watts, baterista dos Rolling Stones, no segundo dia do festival inglês
Andrew Cowie / AFP
Naquele mesmo ano, o grupo fez outra apresentação no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, e novamente Charlie Watts foi ovacionado pelo estádio lotado.
Antes daqueles shows históricos, o baterista já tinha estado no Brasil outras duas vezes: em 1976, durante férias no Rio de Janeiro com a família, onde acompanhou da arquibancada um jogo entre Flamengo e Fluminense, e em 1992, durante a turnê de sua banda de jazz, o Charlie Watts Quintet, para dois shows na extinta casa de shows Canecão, em Botafogo (veja mais aqui).
Charlie Watts, baterista do Rolling Stones, morre aos 80 anos
Morte de Watts
A informação sobre a morte de Charlie Watts, baterista do Rolling Stones, foi divulgada nesta terça-feira (24) por Bernard Doherty, agente do músico, em comunicado para a imprensa britânica.
“É com imensa tristeza que anunciamos a morte de nosso amado Charlie Watts”, escreveu Doherty. Watts morreu em um hospital, cercado por sua família. A causa da morte não foi revelada.
“Charlie era um querido marido, pai e avô e, também como membro dos Rolling Stones, um dos maiores bateristas de sua geração. Pedimos gentilmente que a privacidade de sua família, membros da banda e amigos próximos seja respeitada neste momento difícil”, disse Doherty.
Charlie Watts, baterista do Rolling Stones, morre aos 80 anos
Com Mick Jagger e Keith Richards, Watts estava entre os membros mais antigos dos Stones. A banda passou por algumas mudanças em sua formação ao longo dos anos, desde 1962, quando foi criada.
Do jazz ao rock
Charlie Watts, Ron Wood, Keith Richards e Mick Jagger, membros do Rolling Stones, aparecem na festa da estreia do filme “Vamos passar a noite juntos”, em Nova York, em 18 de janeiro de 1983
AP Photo/Carlos Rene Perez, File
Charles Robert Watts nasceu em 2 de julho de 1941 em Londres. Fã de jazz, ele tentou tocar banjo antes de se dedicar à bateria.
Watts transformou o banjo que tinha em um instrumento percussivo, antes que ganhasse uma bateria, dada de presente pelo pai. Aprendeu a tocar tentando imitar o som dos músicos de jazz.
Antes de virar músico profissional, trabalhou em uma agência de publicidade, na mesma época em que tocava em várias bandas de jazz amadoras.
Ele entrou para os Stones em janeiro de 1963, mas sem botar muita fé: já disse que quando começaram os ensaios, imaginava que aquilo não duraria mais do que um mês.
Mick Jagger, Charlie Watts, Keith Richards e Ron Wood posam ao chegar no aeroporto de Havana, em Cuba, em março de 2016
AP Photo/Ramon Espinosa File
Os Rolling Stones se tornaram a maior banda de rock ainda em atividade. O grupo liderou a “Invasão britânica” ao lado dos Beatles.
Diferentemente de seus colegas de banda, o baterista dava poucas entrevistas e não gostava dos holofotes. Tinha estilo preciso de tocar, e jeito discreto de lidar com a fama.
“Tocar bateria era a única coisa que me interessa. O resto me faz passar vergonha”, resumiu em uma entrevista, 20 anos atrás.
Ele se casou com Shirley Ann Shepard, em 1964. Juntos, tiveram uma filha, Seraphina, em 1968, mãe de Charlotte. O músico seguiu também tocando em outros grupos de jazz, sem a mesma exposição dos Stones.
Problemas de saúde
Charlie passou por um procedimento cirúrgico recentemente. Na ocasião, sem detalhar o motivo da cirurgia, seu representante informou que ela foi “completamente bem-sucedida”, mas que o músico ficaria de fora da turnê da banda, prevista para começar em 26 de setembro.
“Com os ensaios começando em algumas semanas, isso é muito decepcionante para dizer o mínimo, mas também é justo afirmar que ninguém previu isso”, afirmou Watts no anúncio feito em agosto.
“Pela primeira vez, meu ritmo tem estado um pouco estranho. Tenho trabalhado duro para estar completamente bem, mas hoje eu devo aceitar os conselhos dos especialistas que isso demorar mais um pouco”, lamentou o músico, que ainda disse não querer que sua recuperação atrasasse a turnê.
“Depois de todo o sofrimento causado pela Covid, eu realmente não quero desapontar os fãs do Stones que já estão com seus ingressos com mais um anúncio de adiamento ou cancelamento. Por isso, pedi para meu grande amigo Steve Jordan para me substituir.”
Em 2004, Watts passou por um tratamento contra o câncer. Na época, Jordan também assumiu o posto do baterista nos shows.
Formado em artes gráficas, Watts começou sua carreira na música tocando bateria nos clubes de R&B, em Londres. Foi lá que conheceu seus companheiros de banda Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards.
Abaixo, relembre o Rolling Stones no Brasil em 2016:
Rolling Stones chegam ao Rio de Janeiro para a nova turnê
VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana