Dor nos pés afeta mais as mulheres, sendo o pico entre 45 e 55 anos

Pisar diretamente no solo pode agravar a fascite plantar, que causa dor na sola

Pisar diretamente no solo pode agravar a fascite plantar, que causa dor na sola
Pixabay

A dor nos pés é mais frequente em mulheres, principalmente entre os 45 e 55 anos. A combinação de sedentarismo, alteração hormonal e calçado inadequado é a principal causa do problema.

Apesar de se sentirem incomodadas, elas não procuram tratamento e se acostumam com a dor, segundo os especialistas.

“Os sintomas começam nessa faixa etária. Como a dor não é limitante, ela vai levando. Quando a situação piora muito, em torno dos 60 anos, ela vai procurar um ortopedista e o cenário está mais deteriorado. As lesões são mais graves e as opções de tratamento, mais agressivas”, afirma o ortopedista Alexandre Godoy, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Para o ortopedista Marco Túlio Costa, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, o uso de sapato inadequado é o que mais agrava a dor nos pés em mulheres. “O homem compra sapato pelo conforto e a mulher, pela beleza”.

A maioria das dores nos pés estão relacionadas à parte ortopédica. Doenças vasculares geralmente não se manifestam por meio de dor, mas provocam inchaço, alteração de temperatura e da tonalidade dos pés, de acordo com Godoy.

Outros fatores que podem levar à dor nos pés são o diabetes e a artrite reumatoide. O que diferencia essas doenças sistêmicas da dor ortopédica é que estão associadas a deformidades. “No pé diabético, geralmente os dedos ficam fletidos, dobrados, em garra. Na artrite reumatoide, os dedos podem ficar desviados para o lado ou formar joanete, um joanete grave, mais deformado”, explica.

Hormônios x dor

Alterações hormonais que ocorrem no climatério e na menopausa podem influenciar o surgimento de tendinopatias, degenerações nos tendões e frouxidão dos ligamentos, segundo os especialistas.

“Essa correlação entre alteração hormonal e dor no pé é real. O pé de uma mulher jovem é mais fino, sendo equilibrado em relação aos tendões. Vale lembrar que temos muitos tendões nos pés e nos tornozelos. Já na mulher idosa, pela frouxidão do ligamento e pela falta de hormônio, o pé se torna mais largo devido a um desiquilibro da musculatura. O pé fica desalinhado”, explica.

Também provocado pela alteração hormonal, mais precisamente pela queda do estrógeno, e pelo sedentarismo, o encurtamento da musculatura da panturrilha pode levar a uma série de problemas nos pés, sendo os mais comuns a metatalsargia (dor no metatarso, parte frontal do pé), fascite plantar (inflamação na fáscia, tecido que se estende pela sola do pé) e tendinites (inflamação em tendões).

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A mais frequente é a metatalsargia, seguida de fascite plantar e tendinites, segundo os especialistas. Godoy explica que, quando a dor dura mais do que seis semanas já pode ser considerada crônica. A dor crônica se manifesta com os pés também em repouso, não apenas durante a caminhada.

Primeiramente, é preciso identificar a causa da dor no pé para intervir no problema. As medidas de tratamento – que funcionarão também como prevenção de novas dores – são mudança de características do calçado e fisioterapia para fortalecimento da musculatura intrínseca do pé. Após o fim das sessões de fisioterapia, os exercícios aprendidos deverão ser mantidos em casa.

Segundo ele, a mulher tende a se acostumar com a dor. “A dor nos pés, principalmente para mulheres que usam salto, é algo comum, que faz parte da vida. Então elas acabam procurando avaliação ortopédica apenas quando há uma intensidade maior de dor”, afirma.

Fraturas por estresse

“Um diagnóstico frequente são as fraturas por estresse, por sobrecarga. Não se trata de fraturas ‘de verdade’, ou seja, o osso não quebra. O que existe é um processo inflamatório dentro do osso. As principais causas são desequilíbrio muscular da região do tornozelo e do pé, por exemplo, uma pessoa que tem panturrilha muito forte e uma musculatura anterior da perna desiquilibrada pode ter uma fratura desse tipo”, diz.

A fratura se caracteriza pelo pé inchado e vermelho. “Para o leigo, parece uma infecção de pele, mas não é. É uma fratura”, orienta.

Nesse caso, a primeira medida é proteger o pé. “Ao andar, o pé se deforma naturalmente com a troca de energia do peso com o chão. É esse estresse mecânico que leva à fratura por estresse. Então o uso de uma bota ortopédica ou de uma sandália com solado inflexível são opções que permitem que o paciente continue caminhando, sem deformar o pé”.

Ele explica que isso permitirá que o osso inflamado tenha um ambiente biológico adequado para a cicatrização, que leva de 4 a 6 semanas.

Alongamento para o resto da vida

Os especialistas afirmam que, após o fim do tratamento, é importante incorporar na rotina exercícios de alongamento e fortalecimento da região para prevenir problemas futuros. “Isso pode ser feito por meio do pilates, duas vezes por semana, por exemplo. Pode agregar esse alongamento e fortalecimento a uma atividade física que ela já faz”, afirma Godoy.

O sobrepeso tem relação direta com a dor nos pés. “Quando maior o índice de massa corpórea, maior a sobrecarga. Isso aumenta a prevalência de tendinite do calcâneo, tendinite do tibial posterior, neuroma de Norton e fasceíte plantar”, diz.

Segundo ele, a incidência da fascite plantar está aumentando na população. Esse crescimento se deve a dois fatores: sobrepeso e desequilíbrio muscular do pé. “A dor se torna crônica porque o paciente não a valoriza no começo”, diz.

Fascite plantar tem cura

Costa afirma que a fascite plantar é “totalmente curável”. “Existem protocolos de tratamento muito bem estabelecidos para esse problema, mas ele demora para melhorar e depende muito da disciplina do paciente”, afirma.

Se o tratamento for realizado corretamente, em dois meses a fascite costuma desaparecer, de acordo com o ortopedista.

O tratamento engloba quatro intervenções: alongamentos diários da fáscia assim que acordar, antes de levantar da cama e sempre que ficar muito tempo sentado; fisioterapia; medicação anti-inflamatória, apenas para sair do quadro de crise de dor; e mudança das características do calçado.

Alongamento deve ser “ativo”

Godoy ressalta que os alongamentos devem ser “ativos”. Ou seja, quando o alongamento é feito pelo músculo antagonista e não utilizando recursos como elástico, parede e degrau de escada. Ele orienta a sentar na beira da cama e esticar uma perna de cada vez, movimentando o pé para frente, três vezes, durante 5 segundos cada.

Em relação ao calçado, ele informa que a parte que tem contato com o pé tem que ser confortável; já a parte que fica em contato com o chão deve ser inflexível. Por exemplo: salto plataforma. “Esse tipo de salto tira a tensão das estruturas. Usar tênis molinho é um erro, não vai resolver o problema. O ideal é um solado não-dobrável, inflexível, que não permita que o pé se deforme ao andar”, explica.

É muito comum o uso de uma garrafinha de 500 ml de água congelada para massagear o pé, com função analgésica e anti-inflamatória. Segundo o ortopedista, não existe comprovação científica de que isso funcione.

Outro recurso utilizado é o chamado contraste – alternância entre 5 minutos de gelo e 5 minutos de bolsa de água quente, até totalizar 20 minutos. O objetivo é o mesmo: diminuir a dor e a inflamação. Para Godoy, ambas as técnicas têm resultados semelhantes, a opção vai depender do que for mais confortável para o paciente.

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Para diagnóstico da dor nos pés, o ortopedista afirma que a ressonância magnética costuma revelar informações precisas, mas não é necessária na maioria dos casos. O exame clínico geralmente é suficiente para se chegar a um diagnóstico.

“Existe outro cenário que é a dor crônica. Muitas vezes não há nenhuma alteração anatômica, mas existe a dor. Nesse caso, existem outros aspectos clínicos que vão configurar a dor crônica, como dores em outros lugares do corpo e problemas para dormir, por exemplo. É completamente diferente da dor ortopédica e o médico será capaz de diferenciar”, afirma.

Saiba mais sobre a fascite plantar:

 

Estados dificultam fiscalização do Ibama em frigoríficos da Amazônia

Área desmatada para abertura de pasto em  Novo Progresso, no Pará

Área desmatada para abertura de pasto em Novo Progresso, no Pará
Lalo de Almeida/Folhapress – 23.09.2014

Há cerca de um mês, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) tenta obter, sem sucesso, informações sobre a origem dos bois abatidos em 47 frigoríficos instalados em oito Estados da Amazônia legal.

O objetivo é iniciar a fiscalização em unidades que trabalham com grande volume de animais abatidos mas que ainda não firmaram compromisso com o MPF (Ministério Público Federal) para não comprar animais que venham de fazendas com áreas desmatadas ou que desrespeitem normas ambientais e trabalhistas.

No início de junho, o Ibama solicitou as informações das GTAs (Guias de Trânsito Animal) aos órgãos estaduais de defesa agropecuária de Roraima, Amapá, Maranhão, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Acre e Tocantins, onde ficam os 47 frigoríficos alvo da fiscalização. Os órgãos, no entanto, alegam desconhecer o pedido ou então admitem que não irão fornecer as informações.

“O Ibama comunicou ao Ministério Público Federal (MPF) a necessidade de informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), que foram solicitadas aos órgãos estaduais de defesa agropecuária dos estados da Amazônia Legal. As informações são necessárias para continuidade das ações de fiscalização ambiental, contudo, não foram repassadas ao Instituto até o momento”, informou o Ibama ao R7. O prazo para essa primeira etapa da fiscalização se encerrou em 24 de junho.

Na lista de frigoríficos a serem inspecionados, conforme ofício do MPF no Amazonas, estão dez unidades no Acre, nove em Tocantins, nove em Mato Grosso, oito em Rondônia, quatro no Amazonas, três em Roraima, dois no Maranhão e dois no Amapá.

Todas são consideradas unidades com grande volume de produção, mas que ainda não firmaram o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) do programa Carne Legal, instituído pelo MPF em 2009.

TAC da carne

Assinado por mais de 30 frigoríficos do Pará — e por dezenas de outros nos demais Estados da região —, o acordo determina que os frigoríficos não podem comprar animais de fazendas com desmatamento ilegal, com registros de trabalho escravo ou que tenham invadido áreas indígenas, quilombolas ou de conservação.

Além disso, os produtores de animais devem estar inscritos no Cadastro Ambiental Rural e ter iniciado o processo de licenciamento ambiental. A cada seis meses, o frigorífico deve enviar ao MPF a lista de seus fornecedores de gado.

A fiscalização é importante porque a pecuária se tornou nos últimos 50 anos o principal motivo para derrubar a mata da floresta amazônica.

Dados do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) indicam que, em cinco décadas, a Amazônia perdeu 20% de sua cobertura original — cerca de 784 mil km², o equivalente às áreas dos Estados de Minas Gerais e Paraná. A destruição cresceu na mesma proporção do rebanho de bovinos —hoje são 85 milhões de cabeças na região, 40% de todo o país.

O MPF considera que o programa Carne Legal contribuiu para reduzir em 60% o desmatamento ilegal. Por isso, quer ampliar o número de acordos.

Justificativas

Dos oito órgãos estaduais de defesa agropecuária que receberam o pedido do Ibama, apenas a Adaf (Agência de Defesa Agropecuária do Amazonas) respondeu ao instituto.

“A Adaf respondeu que não prestará as informações por ausência de previsão legal”, informou o Ibama ao R7. Os demais órgãos não responderam.

A reportagem entrou em contato com a agência do Amazonas há três semanas, reiterando os pedidos de esclarecimento nesta semana, mas não recebeu uma explicação até a publicação desta reportagem.

No Amapá, o diretor-presidente da Diagro (Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Estado), José Renato Ribeiro, informou que tomou conhecimento do documento, mas não soube explicar por que não atendeu à demanda do Ibama. Ribeiro afirmou que se fosse um “pedido judicial”, as informações seriam repassadas. O chefe da Diagro disse ainda que “no Amapá não tem fazenda em área de reserva”. Ele prometeu uma resposta para a próxima semana.

Em dois contatos com a reportagem, o Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso) informou que não localizou o pedido do Ibama.

O presidente da Aderr (Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima), Gelb Platão Lima, também informou que não tomou conhecimento do ofício do Ibama e disse que irá responder na próxima semana.

A Agência de Defesa Sanitária de Rondônia (Idaron) foi contatada por meio da assessoria de imprensa do governo estadual, mas não respondeu aos pedidos de esclarecimento da reportagem.

O R7 não conseguiu contato com a Adapec (Tocantins), o Idaf (Acre) e a Aged (Maranhão).

A Procuradoria da República no Amazonas informou que a “resposta do Ibama será analisada pelo Grupo de Trabalho Amazônia (GT Amazônia), do Ministério Público Federal” e que “somente após a análise será possível informar as próximas medidas a serem adotadas”.