Uma em cada sete crianças de 5 anos não está imune ao sarampo no Reino Unido

Agência de saúde pública alerta que a cobertura vacinal da segunda dose está em apenas 87,4%, quando deveria ser 95%. A vacina tríplice viral também protege contra caxumba e rubéola. Centenas de milhares de crianças britânicas devem voltar às aulas após as férias de verão na Europa, mas 1 em cada 7 crianças de cinco anos de idade podem não estar imunizados contra o sarampo. O alerta foi feito nesta segunda-feira (19), pela agência de saúde pública do país, a “Public Health England” (PHE).
Na cidade de Londres, o problema é ainda maior: 1 em cada 4 crianças deixaram de tomar a vacina tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola.
Embora a cobertura da primeira dose da vacina esteja acima dos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para a segunda dose o índice está bem abaixo do ideal no país, em 87,4%.
No Reino Unido, a primeira dose da vacina geralmente é dada aos 12 meses de idade. A segunda dose é aplicada antes das crianças irem para a escola, aos 3 anos e 4 meses de idade.
Numa situação normal, duas doses da vacina são suficientes para que um apessoa esteja protegida contra o sarampo. Em casos de surto, os governos podem recomendar uma terceira dose de reforço.
O Reino Unido tem 680 mil crianças com 5 anos de idade que devem começar as aulas em setembro, das quais 30 mil ainda não receberam nem a primeira dose da vacina. Outras 90 mil ainda precisam receber a segunda dose.

Vampirismo: a doença fatal que matou centenas de pessoas


Registros do início do século 18 mostram como o exército austríaco teve que lidar com ‘vampiros’ que ameaçavam moradores na Europa Oriental. O vampirismo se tornou uma questão grave de saúde no século 18
LoganArt/Visualhunt
O que é vampirismo? Pela definição do dicionário, é “a conduta de alguém que age como um vampiro”.
No imaginário popular, pode significar ressuscitar dos mortos para vagar à noite com uma capa preta, usando os caninos longos e afiados para morder o pescoço de vítimas e sugar seu sangue.
Atualmente, os vampiros são encontrados apenas em livros, filmes e séries de televisão.
Mas, quando o termo apareceu pela primeira vez, o cenário era bem diferente.
A origem do termo
Os vampiros sugiram no início do século 18 na fronteira da Áustria com a Hungria.
Embora desde os tempos mais remotos, divindades, bruxas, fantasmas e outras variedades de demônios que sugavam o sangue humano tenham feito parte do imaginário de quase todas as culturas, várias fontes afirmam que a palavra “vampiro” foi escrita pela primeira vez em 1725, no relatório de um médico do exército do Sacro Império Romano-Germânico.
Após a vitória contra o Império Otomano em Petrovaradin (1716) e o Cerco de Belgrado (1717), que levaram à assinatura do Tratado de Passarowitz, a Áustria anexou grandes extensões da Sérvia ao seu território.
E, ao chegar às terras dos povos eslavos, os austríacos se depararam com relatos sobre essas estranhas criaturas, das quais nunca tinham ouvido falar antes.
O relatório
Em um período de oito dias, nove pessoas morreram subitamente na cidade de Kisilova, após terem recebido supostamente a visita noturna de um homem chamado Petar Blagojević, que teria mordido as vítimas e chupado seu sangue.
O problema é que Blagojević estava morto e havia sido enterrado 10 semanas antes.
Os moradores pediram permissão então para exumar seu corpo e, no papel de nova autoridade local, o superintendente austríaco Frombold acompanhou o procedimento.
No relatório que enviou para Viena – o mesmo em que escreveu a palavra “vampiro” –, ele descreveu o que viu:
“O rosto, as mãos e os pés, e todo o corpo estavam tão bem constituídos, que não poderiam ter estado mais completos em sua vida. Com espanto, vi um pouco de sangue fresco em sua boca, que – de acordo com os relatos – havia sido sugado das pessoas mortas por ele… assim, ao ser perfurado, um monte de sangue, completamente fresco, também jorrou de seus ouvidos e boca, e aconteceram outras manifestações que não descrevo por respeito.”
Como era costume na região, eles cravaram uma estaca no coração do cadáver e cremaram o corpo.
Uma ‘epidemia’
Um jornal em Viena publicou a notícia, e o fenômeno se espalhou pela região.
Em poucos anos, o vampirismo parecia ter se tornado uma epidemia na Europa Oriental.
O imperador enviou equipes de cirurgiões militares para realizar autópsias e investigar o que estava acontecendo. Esses especialistas constataram, por sua vez, que os casos eram notavelmente consistentes.
Pesquisadores da área médica publicaram dezenas de artigos e livros sobre o assunto.
O vampirismo se tornou então uma condição reconhecida, testemunhada por um grande número de pessoas, que apresentava sinais e sintomas característicos, como cadáveres com sangue fresco correndo em suas veias e vísceras; sangue ao redor da boca, “por ter se alimentado”; pele rosada; corpos volumosos, etc.
Tema quente
Ironicamente, o vampiro ocidental surgiu em plena Era da Razão.
O século 18, conhecido como “Século das Luzes”, foi palco do Iluminismo, movimento que pregava o uso da luz da razão contra as trevas da ignorância.
Neste contexto, os vampiros eram um tema que despertava calorosos debates na Europa.
Teólogos argumentavam que os vampiros eram seres físicos que demonstravam a existência de uma vida após a morte.
Filósofos, por outro lado, se preocupavam com o fato de que as evidências disseminadas sustentando a existência de vampiros lançassem dúvidas sobre o valor do testemunho e de testemunhas oculares.
Até mesmo o filósofo francês Voltaire se manifestou sobre o assunto, quando em 1764, questionou:
“O quê?! Em pleno século 18 existem vampiros?
“São cadáveres que deixam seus túmulos à noite para chupar o sangue dos vivos, seja em suas gargantas ou seus estômagos, e depois retornam aos seus cemitérios.”
“Enquanto as vítimas empalidecem e são consumidas, os cadáveres que sugam o sangue ganham peso, ficam rosados e desfrutam de um excelente apetite.”
“É na Polônia, na Hungria, na Silésia, na Morávia, na Áustria e na Lorena que os mortos se divertem tanto.”
“Nunca ouvimos uma palavra sobre vampiros em Londres, nem sequer em Paris.”
“Admito que nas duas cidades há corretores da bolsa e homens de negócios que sugam o sangue das pessoas em plena luz do dia; mas, embora corrompidas, não estão mortas. Esses verdadeiros vampiros não vivem em cemitérios, mas em palácios.”
O que estava acontecendo?
Mas como explicar a epidemia de uma doença mortal que não existe?
Alguns pesquisadores atribuem o fenômeno a grandes traumas e decepções, outros à alimentação, ao uso acidental de drogas que causam alucinações e a doenças altamente contagiosas.
Outras teorias fazem referência à presença de substâncias químicas incomuns na terra que afetavam a decomposição dos corpos.
De fato, a origem de algumas características descritas pelos médicos legistas da época poderia ser precisamente a decomposição.
É importante lembrar que, no passado, não era comum observar o processo de putrefação dos corpos, uma vez que eram fonte de contaminação.
Hoje sabemos que o rigor mortis (rigidez cadavérica) passa, por isso a flexibilidade de muitos “vampiros” surpreendia a quem os desenterrava.
Em alguns cadáveres, o sangue coagula, mas se liquefaz novamente. Os gases no abdômen aumentam a pressão à medida que o estado de putrefação avança, forçando os pulmões para cima e, algumas vezes, expulsando o tecido em decomposição da boca e das narinas.
O inchaço provocado pelos gases bacterianos após a morte explica por que os corpos parecem roliços e saudáveis, e também os “gemidos sonoros” que alguns mortos soltavam quando as estacas eram encravadas em seu coração ou estômago.
O vampiro aristocrata
Um século depois, um médico inglês chamado John Polidori escreveu o primeiro romance sobre vampiros em inglês. Ele transformou o vampiro em um aristocrata, abrindo caminho para o clássico de Bram Stoker, Drácula, publicado 78 anos depois.
A imagem da criatura elegante que povoa hoje em dia o imaginário popular se deve a Polidori, Stoker e a dezenas de contos sobre vampiros vitorianos.
Mas vale lembrar que o tema foi analisado pela primeira vez por médicos, políticos e filósofos.