As 10 séries que marcaram 2018: ‘La Casa de Papel’ e mais nove…

G1 lista em VÍDEO quais seriados mais bombaram no Brasil. Top 10 tem derivada de podcast, comédia, terror, documentário e uma despedida no mundo da espionagem. As 10 séries que marcaram 2018
A lista de séries mais bombadas de 2018 está mais variada do que a de outros anos. Tem série em espanhol, documentário, comédia, terror… Série baseada em podcast, atrizes de cinema estreando no mundo das séries e o fim de umas das melhores séries de espionagem de todos os tempos.
Veja no vídeo acima as 10 principais séries de 2018 e leia mais abaixo.
O G1 repassa o ano com vídeos que listam quem dominou 2018 no pop. Veja o calendário:
As 10 músicas de 2018 – terça-feira (18)
As 10 séries de 2018 – quarta-feira (19)
Os 10 games de 2018 – quinta-feira (20)
Os 10 filmes de 2018 – sexta-feira (21)
As 10 peças de teatro de 2018 – sábado (22)
10 – ‘The End of the F***ing World’
Ela é uma série do Channel 4, lançada por aqui via Netflix no começo do ano. É como se o Tarantino ou os Irmãos Coen resolvessem fazer uma dessas séries adolescentes britânicas, como “Skins”. A trama segue um jovem psicopata e sua namoradinha. E essa história violenta, absurda e com humor britânico já tem segunda temporada confirmada para 2019.
9 – ‘Sharp Objects’
Nossa 9ª colocada tem Amy Adams como protagonista. Em “Sharp Objects”, da HBO, ela é Camille, uma jornalista que vai para sua cidadezinha natal para investigar a morte de duas adolescentes. Só que não é uma série sobre crimes, é uma série sobre um passado traumático, sobre automutilação, sobre uma família louca. Deixa a gente bem perturbado depois de assistir.
8 – ‘Atlanta’
No oitavo lugar, a segunda temporada de “Atlanta”. A comédia escrita e estrelada por Donald Glover mostra a vida de um rapper e de seu empresário, com roteiro que vai fundo em temas como fama e racismo. A série é boa não por causa dos personagens principais, o segredo está nos coadjuvantes. É impossível não ficar obcecado pelo homem jacaré ou pelo excêntrico homem chamado Teddy Perkins, interpretado por… Donald Glover.
7 – ‘The Good Place’
A terceira temporada segue nos fazendo rir com temas como filosofia, ética e vida após a morte… A série da NBC também consegue misturar comédia e fantasia de um jeito meio caótico. Tem diabo, tem portal, tem juíza e porteiro do purgatório… E tem um elenco sensacional, liderado pelo Ted Danson, no melhor papel de sua vida. Exagerei?
6 – ‘Homecoming’
Até a Julia Roberts resolveu fazer série agora. E dá pra chamar Homecoming de “a série da Julia Roberts”, porque mais de metade das cenas é um close na cara dela. Nessa série do Prime Video, baseada em um podcast, ela é uma garçonete que começa a se dar conta de que não se lembra de um pedaço do seu passado, quando trabalhava como terapeuta de soldados com traumas. A série vai e volta no tempo, tem um climinha meio sufocante de conspiração, tem uma direção toda metidinha do cara que inventou “Mr. Robot”. E é ótima.
5 – ‘Wild Wild Country’
Depois de “Making a Murderer” quase entrar no nosso top 10 do ano passado. Agora podemos dizer que as séries documentários viraram um gênero de sucesso. Ao contar a história do polêmico guru Osho, “Wild Wild Country” mostrou uma trama de meditação, sexo, violência, um exército de mendigo e o maior envenenamento em massa da história dos Estados Unidos. Além do guru, os outros personagens são demais, com destaque para a porta-voz Sheela e para o advogado Philip.
4 – ‘A Maldição da Residência Hill’
E quem diria que uma série de assombração ia estar entre as mais legais? “A Maldição da Residência Hill” é uma mistura de “This is Us” com filme de terror. Tem aquela família bonita e toda problemática, tem um monte de DR, flashbacks da infância, às vezes dá aquele nó na garganta de assistir… Só que aí tem um casa mal-assombrada, fantasma, gente morta, você assiste sozinho em casa e de repente começa a ficar com aquela sensação de que tem alguém ali com você, sabe?
3 – ‘The Americans’
Não é só uma das melhores séries do ano como uma das melhores da década. A história do casal de espiões russos que vivem por anos e anos nos Estados Unidos fingindo ser americanos terminou este ano com uma temporada impecável, com um último episódio perfeito, e eu ainda não me recuperei. Anos 80 na veia, disfarces incríveis, missões tensas e o melhor casal da televisão. Ainda bem que a Kerry Russel e o Mathews Rhys se casaram na vida real, aí dá pra gente dar um google nas fotos deles e matar as saudades.
2 – ‘Killing Eve’
“Killing Eve” funciona muito por conta das faíscas e que saem entre as duas protagonistas, a Sandra Oh e a Jodie Comer. Esse thriller psicológico segue o embate de uma espiã e de uma assassina. Uma é completamente obcecada pela outra e toda essa relação doentia é construída graças ao roteiro muito bem amarrado pela Phoebe Waller-Bridge, que já havia mostrado seu talento na série “Fleabag”.
1 – ‘La Casa de Papel’
A série espanhola sobre um superassalto à Casa da Moeda consegue a proeza de ter os personagens mais legais do ano ao mesmo tempo que tem os piores personagens do ano – LA Inspectora Raquel, claro. Tem histórias incríveis e um monte de coisa que não faz o menor sentido – lembra do “Empieza el matriarcado”, que depois de dez minutos já não valia mais nada? Mas não tem como não ver! Dá pra dizer que se você não viu “A Casa de Papel” você não viveu 2018…
E nos anos anteriores?
Top 10 de 2017
Top 10 de 2016

Zeca Camargo: Os 25 (+2) melhores álbuns de 2018 que você não ouviu


Lista tem preciosidades que talvez tenham lhe escapado: de sanfoneiro de Pernambuco a hip hop sinfônico; de Folk eletrônico argentino a neo-punk inglês (via Jamaica). Achou que não iria fazer esta lista neste ano? Eu também! Tentei retomar meu blog várias vezes, mas aí veio Elza Soares… Sim, vou “jogar a culpa” na Elza hehe – que me ocupou todo 2018 com sua biografia. Que, aliás, espero que você tenha gostado.
A mesma Elza que lançou “Deus é mulher” este ano – e que só não figura nesta lista porque… bem, por que eu aposto que você ouviu esse álbum!
Lembra as regras desta lista: te apresentar para preciosidades que talvez tenham lhe escapado – não por falta de curiosidade, pois se está aqui é porque tens a mesma que eu.
Mas hoje – e cada vez mais – ouvimos coisas demais. Viva a abundância dos streamings – algo que quando comecei a fazer isso, anos atrás, era só um sonho. Mas essa oferta absurda também nos dispersa. Há música demais – o que é bom e ruim. E é aí que entra esta humilde lista.
Que é, como sempre, idiossincrática! Aqui está uma amostra não do gosto universal, mas das coisas que eu gosto – ou ainda, das que eu esbarrei em 2018 e… deu certo! Vai que dá com você também. Mas venha, como sempre, com a mente aberta.
Temos de sanfoneiro de Pernambuco a hip hop sinfônico. Folk eletrônico argentino a neo-punk inglês (via Jamaica). Rappers brasileiros, americanos, portugueses… Enfim, aquelas coisas. E também… clássicos que merecem ser ouvidos – mas eu já estou quase dando um spoiler. Melhor sossegar.
Vamos à lista, como sempre, sem escala de preferência – os números estão aí só pra por uma ordem. Quem quiser degustar um pouco mais, fiz uma lista no Spotify também – @zecacamargomusic. E o resto é com você… Até pra me indicar alguma coisa que eu deixei escapar. Bora!
1 – “Becoming real – Trilogy Compilantion”, Elsa Hewitt
Elsa Hewitt
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A música eletrônica experimental está morta? Viva a música eletrônica experimental. Boa parte das pessoas que entraram aqui agora parou de ler isso quando se deparou com a palavra “experimental”. O que é um bom sinal. Vamos rumo a um território realmente obscuro e inesperado aqui. E a música da inglesa (de Yorkshire) Hewitt talvez seja a melhor introdução para nossa jornada. Dito isto, outras coisas estranhas e maravilhosas virão. Como…
2 – Todos os singles de King Princess
King Princess
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É melhor você ir se acostumando… com os streamings não só uma realidade mas um novo modo de consumir música, vamos ter cada vez mais artistas lançando faixas soltas – mas não necessariamente um álbum. Caso e questão, King Princess, uma indicação que chegou para mim por rede social – viva o Direct! – e que me deixou obcecado o ano todo. “1950”, sua estreia, é a música do ano para mim – um tributo a Patricia Highsmith… Como se não bastasse, ela termina 2018 com uma versão de “Femme faltale”. Você precisa ter coragem para sequer tentar fazer algo melhor que o Velvet Underground… e King Princess tem!
3 – “Sistahs”, Big Joanie
“Sistahs”, Big Joanie
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Um disco que começa cantando “It’s a new year” (“É um novo ano”) e só fica melhor depois disso tem que ser sua trilha sonora dessa virada! Estou tentando parar de ouvir “Fall Asleep” há três dias e não consigo. Mas por favor, não chamem o socorro: quero me afogar em “Sistahs” – que essas três inglesas, transformadas em musas do pós-punk usaram pra me hipnotizar. Boa sorte pra quem tentar descobrir algo mais excitante em 2018…
4 – “Broken Politics”, Neneh Cherry
“Broken Politics”, Neneh Cherry
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Você provavelmente é jovem demais pra se lembrar de uma música chamada “Buffalo Stance”, de uma então desconhecida chamada Neneh Cherry, em 1989. É possível, talvez, que você tenha lembrança do nome por flashback de “7 seconds” que de vez em quando aparece no rádio. Fato é que ela nunca parou de criar – e seu álbum lançado este ano, longe de ser um testamento parece dizer: vou em frente. E como…
5 – “Room 25”, Noname
Noname
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Quinto trabalho que indico nesta lista assinado por uma mulher… Não faço isso à toa. Posso estar com um viés, mas elas andaram um pouco mais longe esse ano do que os rapazes… Vou falar de um cara então, mas antes, permita-me apresentar-lhe Noname, ou ainda, Fatimah Warner, que não só tem uma voz deliciosa, mas também muitas ideias novas – com deliciosos samplers antigos. E uma coisa muito importante, sobretudo quando você quer falar sério da música: humor.
6 – “Boomerang”, Jidenna
“Boomerang”, Jidenna
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Taí o cara, o primeiro da lista! Outros virão, mas começamos bem. Jidenna apareceu com um mini hit do verão americano, a própria “Boomerang”, que é absolutamente irresistível. E depois veio com esse EP, que se não é um álbum completo, pelo menos junta um punhado de coisas excitantes – como “Decibels” e a curiosa “Bambi too”, que por razões inexplicáveis, me fez lembra de Harry Belafonte (não faça perguntas!). (https://genius.com/Jidenna-boomerang-lyrics)
7 – “Cliffhanger”, Grimm Grimm
Grimm Grimm
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Como nada que você ouvir esse ano, saindo de Londres, via Japão (leia-se Koichi Yamanoha). Aliás, corrigindo, como nada que você ouviu esse ano saindo de qualquer lugar. Inclassificável, tem horas que você acha que está ouvindo a mais psicodélica das faixas dos anos 60 – algo que os Beatles esqueceram de colocar no “Álbum Branco”. E tem horas que você acha que tá no meio daquele revival folk dos anos 90. Localize-se e aproveite a viagem!
8 – “Confident music for confident people”, Confidence Man
Confidence Man
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“Let’s dance”. Sério. Juntou a alegria de um Scissor Sisters com um groove de Daft Punk – e virou esse disco animadíssimo. Se até as faixas instrumentais são boas (ouça “Sailboat vacation”), imagine o potencial desse álbum nas pistas… Sim, a “dance music” seguiu com sinais vitais em 2018 e entra animada para 2019…
9 – “Veteran”, JPEGMAFIA
“Veteran”, JPEGMAFIA
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Novidades no hip-hop são sempre bem-vindas. E infinitas. JPEGMAFIA esbarra em tudo que é influência – de Kendrick Lamar a D’Angelo. Mas não vem com derivados, e sim com um trabalho totalmente original e excitante. “Baby I’m bleeding”, por exemplo – é uma questão de amor ou de protesto? Ele que nos deixar indignado ou alucinado? E o que dizer de uma faixa chamada “Macaulay Culking” que começa: “Estou com as mãos no meu rosto como Macaulay Culking”… Podia ser a trilha sonora para o Brasil em 2019!
10 – “De Bassari Togo”, Orchestre Abass
“De Bassari Togo”, Orchestre Abass
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E se o melhor disco de funk do ano for de… 1972? E vier de um lugar chamado Togo? Antes de você precisar dar um Google, vou explicar rapidamente: essa obscura banda desses pequeno país africano (capital Lomé) fazia simplesmente o melhor funk da região, deixando até Lagos, ali perto na Nigéria, com inveja. E isso com um par de guitarras e um daqueles órgãos (Tiger 61) que já não ouvimos faz tempo… Uma raridade redescoberta.
11 – “Gigantes”, BK
“Gigantes”, BK
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Sugiro você começar por “Jovens”. O recado de BK está todo lá – numa letra esperta dentro um ritmo meio hipnótico, que é a fórmula infalível de um bom hip-hop. Você já foi numa festa assim. Só não ouviu BK porque o DJ vacilou – pobre DJ… Não conhecia seu trabalho até alguém me apresentar “Gigantes” – e fui atrás de tudo que BK já fez. O primeiro álbum também é muito bom. Mas com pérolas como “Exóticos”, “Falam” e a ultra dançante “Deus do furdunço”, “Gigantes” é a melhor promessa de dias ainda melhores pro nosso hip hop.
12. “Ephorize”, CupcakKe
“Ephorize”, CupcakKe
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Tenho que dar o crédito: quem me apresentou essa artista foi Jaloo, meu ídolo que entrevistei para um perfil numa revista a propósito de seu novo álbum (que eu ainda tô esperando viu…). Não me lembro qual foi a primeira faixa que ele tocou pra mim – “Cartoons” ou “Crayons”. Só lembro que fiquei alucinado – e não parei mais de ouvir. Inclusive “Eden”, que é o trabalho que ela ainda teve fôlego de lançar depois. Obrigado Jaloo – agora falta o seu…
13 – “Imaginary soundtrack to a brazilian Western movie 1964 – 1974”, Camarão
Camarão
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Nunca ouviu falar de Camarão? Nem eu. Mas o sempre inesperado selo Analog Africa (eu sei, é confuso) fez o favor de me apresentar esse artista sensacional, na verdade Mestre Camarão, sanfoneiro de mão cheia lá do Recife (nascido na verdade no agreste de Pernambuco). O título da compilação (“Trilha imaginária para um faroeste brasileiro”) já é uma delícia, mas não mais que as músicas que ela traz – verdadeiramente brasileiras, e não esse pastiche de clichês americanos que o povo achar que é música daqui… Aliás, falando não dessa a que me referi, mas da boa música brasileira, Mestre Camarão tem uma faixa chamada “A casa de Anita”, que uma certa cantora nossa podia bem samplear…
14 – “Abysskiss”, Adrienne Lenker
Adrienne Lenker
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Bastam menos de 30 segundos para que seus ouvidos sejam capturados pelo doce lamento de Lenker. Talvez você já a conheça, se ouviu alguma coisa do Big Thief (que não canso de recomendar). Mas no seu disco solo, ela vai um pouco mais além. Ou aquém. Como na faixa de abertura, “Terminal Paradise”, tem horas que seu canto quase não regista – é como um pedido de desculpas de alguém que teme interferir na sutileza dos sons dos instrumentos. Mas pedir desculpas de quê, se seu canto é tão sublime? Um antídoto para seus dias conturbados…
15 – “The Zaragoza Tapes 1981-1982”, Bona Dish
“The Zaragoza Tapes 1981-1982”, Bona Dish
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Desde quando encontrei essa preciosidade na Rough Trade de Brick Lane em Londres – a velha estratégia (já quase esquecida) de vagar por uma loja de discos e deixar sua intuição te levar –, faço uma oração todos os dias pela manhã. É minha maneira de agradecer ter descoberto essa maravilha que eu nem sabia que existia – e olha que no início dos anos 80 eu não deixava nada passar… “Sand” é a faixa mais representativa: simplicidade “à lá” Young Marble Giants ou Marine Girls. Mais um talento para um bom refrão que infelizmente parece ter sido enterrado com aquela década…
16 – “Joy as an act of resistence”, Idles
Idles, “Joy as an Act of Resistance”
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Tá com raiva? Acha que a música é o melhor remédio pra isso. Idles é sua banda. Ou pelo menos é a minha desde a encontrei na mesma visita à Rough Trade de Brick Lane que contei na indicação acima. Mesmo que você não preste atenção às letras – o que seria um crime, pois eles falam de “um descontentamento geral com relação ao mundo de hoje”, segundo o Pitchfork – dá pra sentir a energia da música em casa faixa de “Prazer como um ato de resistência” (o título do álbum do Idles traduzido, só no caso de você não ter captado…).
17 – “Y”, Sobrenadar
“Y”, Sobrenadar
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Um terceiro álbum nesta lista que eu tirei da tal visita à Rough Trade? Sim, é assim que a gente sai de uma visita ao oráculo… Foi lá então que descobri essa artista argentina, Paula Garcia. Não tive a chance de voltar a Buenos Aires depois que fui apresentado ao seu som único, meio folk meio eletrônico meio tudo. Mas, assim como com El Robot Bajo El Água e Juana Molina, vou querer ter todos os EPs de Sobrenadar “físicos” na minha coleção. “Y” é compilação que achei na loja – nos streamings, os EPs estão lá te esperando…
18 – “Con todo el mundo”, Khruangibin
“Con todo el mundo”, Khruangibin
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Todo ano, nessa lista, tem pelo menos um álbum que me faz perguntar… Como eu não ouvi isso antes? Talvez porque eu não estivesse muito ligado na cena alternativa americana já há algum tempinho – fora, claro, hip-hop. Faço aqui um “mea culpa” então e me ajoelho diante dessa banda de Houston, Texas, que é, na sua sutileza de misturas musicais – de “disco” ao “country” e tudo que tem no meio disso! – uma das coisas mais inesperadas que ouvi este ano.
19 – “Incendeia”, Caio Prado
“Incendeia”, Caio Prado
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Tem gente que acha que o Brasil está fadado a ouvir um tipo de música só. E aí tem Caio Prado. Aliás, tem um monte de gente fazendo coisa interessante, diferente, criativa – e bem brasileira. Mas você mal consegue ouvir diante daquele coral de vozes idênticas cantando as mesmas coisas. Felizmente nossa capacidade de renovar a música brasileira é infinita – e a gente ainda vai ver o dia em que “25 de março” (o último single do Caio que bem está no enxuto e brilhante álbum) vai estar na boca de todo jovem brazuca. Destaque ainda pra emocionante parceria com Maria Gadu, “Nossa sorte”.
20 – “Sinto muito”, Duda Beat
“Sinto muito”, Duda Beat
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E já que estamos falando de Brasil, o que é que o nosso pop está mais precisando gente? De diversidade! Não falo de “guerras culturais” – essa, temos talento para garantir –, mas de diversidade musical. Rodar o dial do rádio e não ter a sensação de que estão tocando a mesma música – aquela mesma voz esganiçada tremendo num refrão cuja letra não cabe na melodia… tudo igual. Nunca te pedi nada ahahah! Bora ouvir uma coisa tipo Duda Beat que lá do Pernambuco manda notícias de que é possível ouvir de tudo e traduzir isso em música boa, onde o sotaque regional não é abafado, mas valorizado. Minha musa alternativa de 2018!
21 – “Cosmic visions of a latin american, Earth Venezuelan experimental rock in the 1970’s and beyond”, Vários Artistas
“Cosmic visions of a latin american, Earth Venezuelan experimental rock in the 1970’s and beyond”, Vários Artistas
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Do lugar mais improvável… um dos melhores achados do ano. Rock experimental dos anos 70 – na Venezuela! É até estranho imaginar que um país que hoje está no nosso inconsciente como um “vizinho preocupante” já foi um celeiro de música boa. Ou no mínimo curiosa. Uma banda com o maravilhoso de Un, Dos, Tres y Fuera com a faixa “Relafica negraen tempo de siembra” lembra demais o que se fazia no Brasil nessa época. E as semelhanças não param por aí, pode explorar…
22 – “Piano and a microphone 1983”, Prince
Prince
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Dããã… escolha óbvia. Sim porque tem o nome do Prince. E não porque… fala sério, você parou para ouvir isso? Não estou sendo saudosista – nem vou entrar naquela comparação tola de que não se fazem mais artistas como ele… (Se bem que isso é verdade ahaha). Esse arquivo resgatado é pura criação – um gênio na frente do piano e as ideias saindo da sua cabeça, garganta e dedos. O artista criando quase em transe e nós, meros ouvintes, nos derretendo com as notas que saem como num concerto clássico. Aliás é música clássica, só que pop. E com o perdão do clichê, Prince, “nothing compares 2 U”.
23 – “Pastoral”, Gazelle Twin
“Pastoral”, Gazelle Twin
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A lista está quase acabando e eu ainda quero colocar tanta coisa… vai ficar artista de fora, mas Gazelle Twin não pode faltar. Porque eu tenho certeza de que você não ouviu seu álbum. E eu tenho certeza de que sua cabeça vai estourar quando você o escutar. Sabe aqueles trabalhos que, quando você acha que entendeu onde o artista vai ele toma um rumo diferente – e ainda mais genial? Então, o universo de “Pastoral” é assim. Eu mesmo ainda não entendi bem o que me atravessa quando eu escuto o disco. Só sei que é surreal. E que quero mais.
24 – “Double negative”, Low
“Double negative”, Low
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Quando uma banda de mais de 25 anos, saída de Minnesota, Estados Unidos, faz um dos discos mais inquietantes do ano, sinal de que alguma coisa está errada com essa leva de bandas novas? Não exatamente… só um indício de que o Low ainda faz melhor que muita gente. Talvez você tenha a mesma sensação que eu quando “Double negative” começa a tocar – estou com um problema nos meus fones. Mas logo vem canções tão simples e eficientes – e esquisitas – quanto “Always trying to work it out” e quando você vê, já está totalmente entregue ao encanto de Low de novo… ()
25 – “Tour Quesa”, cálculo
“Tour Quesa”, Cálculo
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Ok, concordo que há um quê de exótico em incluir um rapper português na lista, ainda mais bem no finalzinho… Mas é que estive na “terrinha” há pouco tempo, ouvi belas coisas por lá (como sempre), e também esbarrei neste trabalho, que é do começo do ano. E fiquei aparvalhado! É sensacional – e escrevo isso já descontando o feitiço do charme com sotaque português (de Portugal) nas rimas, que permite associações poéticas que a nossa língua ainda nem imagina… Ouça e você vai ver que eu não estou exagerando…
E o melhor disco – os melhores discos, já que estamos falando de uma dobradinha! – de 2018 que você não ouviu… Bem, comecemos com “This is my truth, tell me yours”, do Manic Street Peacher. Calma. Estou falando de sua edição de aniversário de 20 anos – um caprichadíssimo lançamento com três CDs e mais de trinta faixas em torno desse que é um dos trabalhos mais importantes da história moderna no pop rock. De uma das bandas mais importantes da história moderna do pop rock, diga-se… Fora as faixas originais remasterizadas, temos agora todos os “lados B”, todos os remixes – inclusive o divinal de David Holmes para “If you tolerate this them your children will be next”.
Manic Street Preachers
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Cada faixa vale um parágrafo – mas vou economizar aqui… Deixa você mesmo descobrir. E para não falar que eu “tenho um pé no passado” e estou me repetindo (fiz a mesma coisa anteriormente com o Stone Roses, lembra?), devo mencionar também o disco que o Manic lançaram este ano – só músicas inéditas e geniais: “Resistance is futile”, com clássicos instantâneos como “Hold me like a heaven”, “A song for the sadness”, “Poeple give in” e “The left behind”. Ninguém fala o que esses caras falam, do jeito que esses caras falam… Sim, uma banda de mais de mais de 20 anos…
Comecei a lista falando de Elza Soares, que “me consumiu” o ano todo. Acho justo citar ela também – num link com o Manic Street Preachers, como você vai ver. Nas entrevistas que fiz para promover a biografia – “Elza” (editora Leya), sempre me perguntam porque eu acho que uma mulher de mais de 80 anos tem uma legião de fãs tão jovem. Minha resposta: porque não tem ninguém da idade dessas galera de 20 anos cantando sobre as coisas que essa geração acha importante e quer ouvir. Música de traiçãozinha e de segredinhos de celular tem aos montes. Mas e as questões que inquietam uma juventude que não está feliz com quem está vendo? Quem fala com eles?
Uma senhora de 88 anos… Meia palavra basta? Feliz 2019!