Caso Pugliesi escancara crise dos influenciadores, que foram do fascínio à rejeição na pandemia


Mas ela não foi a única a ter atitude condenável durante quarentena. VÍDEO explica como celebridades estão tentando se adaptar a mundo pós-coronavírus. Gabriela Pugliese e outras celebridades da web com atitudes desastrosas durante a pandemia
Nas últimas semanas, as críticas à influenciadora Gabriela Pugliesi escancaram uma crise na imagem de influenciadores, em meio à pandemia do coronavírus.
Primeiro, o nome dela surgiu no noticiário relacionado ao vírus por causa do casamento de sua irmã. A festa, em um resort de luxo na Bahia, aconteceu antes do aumento do número de infecções no Brasil, mas convidados ficaram doentes – incluindo a própria Pugliesi.
Depois, a musa fitness foi “cancelada” na internet por publicar um textão agradecendo ao coronavírus pela mudança que causou no mundo e nas pessoas.
A situação degringolou quando ela resolveu dar uma festa com amigos em casa, às vésperas do pico da pandemia no país. Logo ela, que ficou famosa justamente por falar de hábitos saudáveis.
Um vídeo em que, com um drink na mão, Pugliesi aparece dizendo “f***-se a vida” virou símbolo de seu desrespeito à quarentena imposta para tentar controlar o vírus. A influenciadora pediu desculpas, mas o estrago já estava feito e ela decidiu se afastar do Instagram, sua maior fonte de renda.
Gabriela Pugliesi publicou imagens de festa em casa, depois apagou e pediu desculpas
Reprodução/Instagram/gabrielapugliesi
O caso dela dominou o debate no Brasil, mas não foi o único. Pegas de surpresa por uma mudança sem precedentes nessa geração, outras celebridades também tiveram que lidar com a repercussão de atitudes desastrosas durante a pandemia.
Famosos em fuga
Nos Estados Unidos, atual epicentro da pandemia no mundo, tem gerado preocupação o movimento de celebridades que partem das grandes metrópoles para cidades menores. Várias decidiram passar a quarentena em suas casas de praia ou no campo, colocando em risco a população dessas regiões.
A imagem que estampa o debate no país foi publicada por Naomi Davis, uma blogueira de Nova York, conhecida na internet como Taza. Ela postou um registro que mostra sua família deixando Nova York para viajar “para o oeste” americano em um trailer, em meio à pandemia.
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“Meu coração está partido pelo que está acontecendo em Nova York, onde eu moro, e em todo o mundo agora”, escreveu ela.
“E depois de duas semanas inteiras no apartamento, tomamos a decisão de ir para o oeste, para que possamos ter um pouco mais de espaço (ou seja, algum espaço ao ar livre para as crianças) por um tempo.”
O fenômeno dos famosos em fuga leva a outro ponto importante. Muitos desses influenciadores construíram sua fama com alicerces de casas sofisticadas e estilos de vida deslumbrantes.
Mas, no contexto da pandemia, a exibição dos privilégios tem gerado mais rejeição que fascínio em quem enfrenta um confinamento sem luxo, com medo e risco financeiro. Ou seja, a maior parte do público.
Isso ficou claro desde que passaram a ser rechaçados na internet vídeos de famosos, em suas casas confortáveis, cantando músicas “inspiradoras” para o mundo em quarentena – como na performance de “Imagine”, de John Lennon, feita por Gal Gadot, Natalie Portman, Jimmy Fallon e outros astros de Hollywood.
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Também nos EUA, uma influenciadora gerou repercussão comparável à do caso Pugliesi ao revelar ter se beneficiado de contatos próximos para furar a fila dos testes de Covid-19 no país.
Com o resultado positivo, Arielle Charnas saiu da cidade de Nova York para se refugiar em um balneário próximo, e foi novamente criticada. Depois disso, publicou um vídeo em que pede desculpas, chorando.
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“Todos cometemos erros”, disse ela, em um comunicado divulgado pelo jornal “The New York Times”.
“Minha família e eu pedimos desculpas a quem ofendemos por não parecer levar a sério essa crise, mas estou absolutamente comprometida em tomar decisões informadas e responsáveis ​​por minha família e comunidade.”
Apesar das retratações, algumas celebridades dão sinais claros que ainda não conseguiram se adaptar à realidade do mundo em pandemia – e as novas responsabilidades que carregam com o título de influenciadores.
Muitos estão tentando. Kylie Jenner, com seus 173 milhões de seguidores, usou sua própria linha de cosméticos para produzir álcool em gel destinado a hospitais.
Alguns influenciadores de beleza estão assumindo visuais mais naturais, em uma mudança de tom em seus conteúdos, enquanto setores como o da culinária ganharam força na internet, pela demanda do público em quarentena.
E, para não deixar de lucrar, há até quem tente adaptar as velhas práticas do mercado ao cotidiano do confinamento. A “presença vip virtual’ – com famosos fazendo aparições pagas em transmissões ao vivo e vídeos de empresas – já é realidade nas redes sociais. Os cachês chegam a R$ 5 mil por live.