Caso do disco de Sérgio Reis nunca termina por ter virado embate ideológico entre artistas


Sérgio Reis em estúdio na gravação do disco em tese abortado
Reprodução / Twitter Sérgio Reis
♪ ANÁLISE – Filho de Sérgio Reis, o produtor Marco Bavini revelou em entrevista ao G1 que “não existe mais” o álbum que Reis planejava lançar ainda neste ano de 2001 com regravações de sucessos da MPB ao lado de artistas convidados.
A debandada pública de cinco desses artistas – Guarabyra, Guilherme Arantes, Maria Rita, Zé Ramalho e Anastácia – teria inviabilizado o disco, já que, do elenco sabidamente convidado, somente a cantora Paula Fernandes confirmou presença em “decisão unicamente artística” comunicada em nota enviada à imprensa.
Com a declaração de Bavini, tudo indicava que o caso seria arquivado – pelo menos no campo fonográfico. Só que não.
Horas depois, o cantor sertanejo Zezé Di Camargo foi para as redes sociais e se ofereceu para participar do disco de Reis. Na sequência do post de Zezé, a dupla sertaneja João Bosco & Vinicius também se colocou à disposição de Sérgio Reis para gravar uma música para o disco.
Tanto o cantor quanto a dupla alegaram gratidão a Sérgio Reis, artista que migrou da Jovem Guarda para o universo sertanejo em meados dos anos 1970.
A questão, contudo, extrapola o terreno musical. A rigor, o caso do disco de Sérgio Reis nunca termina porque o álbum em si virou palco para embate ideológico entre artistas de diferentes visões políticas.
Sérgio Reis perdeu aliados na música pelo posicionamento político que se mostrou extremamente radical em áudio vazado. Mas pode ganhar outros aliados que, mesmo sem concordarem com a proposta antidemocrática veiculada pelo áudio, se alinham com a ideologia política do artista.
Por isso mesmo, quando a poeira baixar, não será surpresa se o cantor retomar o projeto desse disco que, tal como o ano de 1968, não terminou… Por mais que Marco Bavini tenha afirmado o contrário.