Caso de Pedro Motta e Henrique com ‘Lili’ mostra que universo pop já não tolera o preconceito


Acusada de transfobia, dupla sertaneja enfrenta ação judicial pela equivocada abordagem da letra da música. ♪ ANÁLISE – Nos últimos dias, uma dupla sertaneja goiana de reduzidas visibilidade e relevância no mercado, Pedro Motta e Henrique, foi notícia em todo o Brasil por conta de ação judicial e recriminações motivadas pelo conteúdo transfóbico da letra da música Lili.
Música inédita lançada pela dupla em 19 de dezembro, Lili foi alvo de justas rejeições por narrar, em abordagem totalmente equivocada, o preconceito de um homem que descobre no motel que vinha se relacionando com travesti.
Acuados, Pedro Motta e Henrique tiveram que providenciar uma outra versão da letra – com versos que eliminam o caráter transfóbico da letra – em medida tomada para tentar salvar Lili do repúdio público e para tentar livrar os cantores da questão judicial.
O caso de Lili é exemplar e dá o tom do universo pop brasileiro nos tempos atuais. A intolerância a qualquer tipo de preconceito passou a reger o mundo da música, consolidando em 2020 uma tendência politicamente correta que já vinha se impondo nos anos anteriores.
Ninguém está a salvo dessa lei. Marília Mendonça, por exemplo, também foi acusada de transfobia em agosto ao fazer, em live, comentário debochado sobre o suposto envolvimento de músico da banda da artista com transexual em boate de Goiânia (GO).
A cantora reconheceu o erro em rede social e, em outubro, pediu desculpas em nova live pela “brincadeira sem graça”, exibindo na sequência um vídeo da ativista trans Alice Felis.
Em bom português, o universo pop já se mostra refratário e intolerante ao preconceito. E essa intolerância, além de positiva e necessária, atesta a evolução da sociedade. Ao artista, cabe dançar conforme a nova música.