Casal de Curitiba desenvolve jogo para homenagear entregadores de aplicativos: ‘Agradecer por nos ajudarem tanto na pandemia’


Jogadores controlam ‘Corina’, uma entregadora que precisa enfrentar desafios para fazer com que encomendas cheguem aos destinos. No percurso, ela precisa se proteger do coronavírus. Casal de Curitiba desenvolve jogo para homenagear entregadores de aplicativos
Ao observar a importância do trabalho de entregadores de aplicativos durante o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, um casal de Curitiba desenvolveu um jogo em homenagem a eles.
Na plataforma, os jogadores controlam Corina, uma entregadora na empresa Chico Express, para fazer com que encomendas cheguem aos destinos. No percurso, ela precisa se proteger do novo coronavírus.
“Eu tenho bronquite, sou considerada de risco, então o serviço de delivery de produtos foi essencial. Foi uma forma de tentar agradecer por nos ajudarem tanto na pandemia. Eles estão em risco de contaminação diariamente por causa dos nossos pedidos. A gente quis trazer essa realidade de uma maneira lúdica, mas que conscientize”, disse Jéssica Goss.
O jogo “Corina Express” foi criado por ela, que é Mestre em Design, e pelo marido Weslei Santos, formado em Sistemas de Informação.
“Todo o processo de desenvolvimento durou cerca de cinco meses. O jogo passa a fazer parte de uma pequena fração da vida das pessoas de algum modo, então, a gente se sente muito realizado em poder ver elas se divertindo, mas também refletindo sobre ações importantes do dia a dia. Essa categoria [dos entregadores] deveria ser mais valorizada”, afirmou Weslei.
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Jéssica é mestre em Design, e Weslei é formado em Sistemas de Informação
Arquivo pessoal/Jéssica Goss
Mesmo tendo formações ligadas à criatividade com tecnologia, o casal fez alguns cursos específicos de programação e arte 2D para jogos digitais.
“É um mercado que só cresce no mundo e, apesar de não termos ganhado ainda nenhum lucro com o Corina, pretendemos investir na ideia. Toda a parte de linguagem de programação eu dominava, mas precisei fazer uns cursos para me especializar mais. Projetei os níveis, como seria a mecânica de tabuleiro, etc”, explicou Weslei.
Em 81 fases e três mundos, Corina precisa se proteger do coronavírus ao fazer entregas
Arquivo pessoal
Jéssica criou toda a parte gráfica, como as artes 2D, interfaces, animações e menus do jogo.
“Toda a parte visual do jogo fui eu que desenvolvi, foi bem caseiro. A minha pesquisa do mestrado teve um pézinho nos jogos digitais, então, muita coisa teórica que eu aprendi desenvolvendo a minha dissertação, eu pude colocar em prática no Corina Express”, explicou ela.
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O jogo está disponível gratuitamente para Android, na Play Store, mas, segundo eles, estão trabalhando para estender também para IOS.
Como funciona o jogo?
De acordo com o casal, o estilo do jogo é o “hyper casual”, um quebra-cabeça deslizante que pode ser jogado apenas com uma mão. Ao todo, são 81 fases e três mundos.
“Você começa com um tutorial para pegar as mecânicas básicas do jogo. No primeiro mundo, você conhece o seu patrão, dono da Chico Express, e ele te dá 10 moedas por cada entrega feita. Depois de cinco entregas, você começa a notar que tem um vírus circulando, daí o Chico começa a te dar máscaras, além de baterias para carregar o patinete elétrico. Conforme você vai passando de fase, vai surgindo inimigos novos”, explicou Jéssica.
Estilo do jogo é o “hyper casual”, um quebra-cabeça que pode ser jogado apenas com uma mão
Arquivo pessoal
Segundo o casal, a cada fase os cenários vão ficando maiores e cada vez mais tem pessoas para a entregadora Corina tentar escapar do vírus.
“No segundo mundo, por exemplo, você já vai encontrar o atleta, que é uma pessoa que quando pega o vírus espalha por um espaço muito maior e mais rápido porque ele está correndo sem máscara. No terceiro mundo só aumenta a aglomeração, então vai ficando cada vez mais difícil continuar fazendo todas as entregas com o vírus cada vez mais presente no seu caminho. O jogador tem que gerenciar tudo isso, todas as dificuldades dos entregadores. Ele não pode pegar o vírus de maneira alguma”, contou Weslei.
A classificação é livre e pela dificuldade é recomendado a partir dos oito anos
Arquivo pessoal
A classificação do jogo é livre, mas, pela dificuldade, é recomendado a partir dos oito anos.
“A Corina tem que evitar aglomeração, tem que evitar as pessoas com o vírus. No jogo, a máscara é um bem escasso, então, você tem que usar com sabedoria e da maneira correta. A gente pensou com bastante carinho nesse jogo porque retrata um pouco a realidade que estamos vivendo”, revelou ele.
Futuro nos games
Weslei é formado em Sistemas de Informação, e Jéssica é mestre em Design
Arquivo pessoal
Jéssica e Weslei contaram que este foi o primeiro jogo que realmente conseguiram concluir e que pretendem desenvolver e disponibilizar outros futuramente.
“A gente participou até de algumas maratonas de desenvolvimento de jogos. Temos um agora que é sobre incêndios florestais, em que um robozinho tem a missão de apagar o fogo e salvar as matas. A gente gostou de misturar temas da atualidade com os nossos jogos. Tomara que continue dando certo”, concluiu Jéssica.
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