Casa própria: mais dinheiro no bolso do consumidor após queda de juros

Financiamento: consumir está mais seguro e economia volta a crescer

Financiamento: consumir está mais seguro e economia volta a crescer
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Com o anúncio da redução dos juros do financiamento para a casa própria em operações realizadas pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo)  feita pela Caixa Econômica Federal o mercado deve ficar mais aquecido e o comprador com mais dinheiro no bolso.

Em simulação feita pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) a pedido do R7, para aquisição de imóvel novo no valor de R$ 450 mil, com a redução dos juros, a economia é de R$ 77.774,79 no financiamento. Já no financiamento de um apartamento de R$ 1.500.000 a economia é de R$ 257.100,22.

Para a realização dos cálculos, foi utilizado o Sistema de Amortização SAC (Sistema de Amortização Constante). Para o financiamento de imóveis de até R$ 950 mil foi usado o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e acima deste valor o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). O prazo de financiamento usado como base é de 360 meses (30 anos).

Veja abaixo os cálculos e a diferença de valores a longo prazo:

Exemplo 1 – Financiamento no valor de R$ 450.000,00
Antes
1ª parcela – R$ 4.924,18
Última parcela – R$ 1.260,20
Total pago – R$ 1.113.189,62

Agora
1ª parcela – R$ 4.493,29
Última parcela – R$ 1.259,00
Total pago – R$ 1.035.414,83

Diferença de R$ 77.774,79

Exemplo 2 – Financiamento no valor de R$ 950.000,00

Antes
1ª parcela – R$ 10.395,49
Última parcela – R$ 2.660,43
Total pago – R$ 2.350.066,97

Agora
1ª parcela – R$ 9.485,84
Última parcela – R$ 2.657,90
Total pago – R$ 2.185.875,76

Economia de R$ 164.191,21 no financiamento

Exemplo 3 – Financiamento no valor de R$ 1.500.000,00

Antes
1ª parcela – R$ 17.552,25
Última parcela – R$ 4.203,84
Total pago – R$ 3.916.098,74

Agora
1ª parcela – R$ 16.127,87
Última parcela – R$ 4.199,89
Total pago – R$ 3.658.998,52

Economia de R$ 257.100,22 no financiamento

“Essa movimentação era esperada pelo setor imobiliário, a redução da taxa pode parecer pequena, mas a longo prazo faz diferença no bolso do consumidor”, diz Flavio Amary, presidente do Secovi-SP. “E é muito positiva para o mercado, que volta a aquecer e crescer de forma sustentável não só em São Paulo, mas em todo o país”.

Além de aquecer o mercado imobiliário, o banco volta a crescer. “A Caixa perdeu posição, a redução das taxas é um movimento no sentido de recuperar a liderança do setor”, explica do professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Alberto Ajzental. “Em abril do ano passado a CEF fechou o financiamento para as linhas de crédito mais baratas e só retomou em janeiro deste ano. Também passou 17 meses sem mexer nas taxas de juros, era o único banco a trabalhar com dois dígitos, com as mudanças volta a ser mais competitivo. ”

Além da redução das taxas de juros, o banco anunciou que elevou de 50% para 70% o teto de financiamento de imóveis usados, retornando ao antigo patamar que vigorou até setembro de 2017. E os recursos disponíveis para o crédito imobiliário é de R$ 82,1 bilhões.

Quando o teto para financiamento do imóvel usado aumenta, automaticamente, mais pessoas são incluídas no mercado imobiliário, pois a quantia de dinheiro que o adquirente precisará para dar a entrada será menor.

“Também é importante observar que com a recessão, a alta do desemprego e mesmo a insegurança quanto a estabilidade de emprego, tornou as pessoas mais cautelosas quanto às dívidas. Muitas evitaram entrar em financiamentos”, avalia Miguel José Ribeiro de Oliveira, Diretor de Economia da Anefac. “Com a economia se recuperando e a redução das taxas de juros, há um estímulo maior às vendas e começamos a entrar em um círculo virtuoso: pessoas voltam a comprar, aumenta a geração de empregos e assim por diante.”

Ajzental concorda. “O saldo da poupança cresceu, havia dinheiro para ser emprestado, mas as pessoas evitar as dívidas e os bancos também se tornaram mais seletivos quanto a concessão de crédito”, observa. “A compra de um imóvel é a mais importante na vida de uma pessoa. Ela terá uma dívida que compromete 20% de sua renda por 25 anos de sua vida. É uma decisão que precisa ser bem analisada.”

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