Casa Branca diz ter feito progresso em negociações comerciais com a China


Em Washington, o presidente Donald Trump mencionou várias vezes a proximidade de um acordo. Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, em imagem de arquivo
AP Photo/Susan Walsh
A Casa Branca disse nesta sexta-feira (29) que os Estados Unidos e a China fizeram progressos em direção a um acordo comercial durante “discussões construtivas” nesta semana em Pequim.
“As duas partes continuaram a fazer progressos durante as discussões francas e construtivas nas negociações comerciais e a dar importantes passos”, disse a Casa Branca em um comunicado que ecoa os comentários anteriores do secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.
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Em uma rede social, Mnuchin escreveu que “o representante comercial dos EUA, Robert Lighthtizer, e eu concluímos negociações comerciais construtivas em Pequim. Espero receber o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, para continuar com essas importantes discussões em Washington na semana que vem”, de acordo com a France Presse.
Já agência estatal de notícias Xinhua afirmou que os dois países discutiram “documento de acordo relevantes”, segundo a Reuters. A Xinhua não deu mais detalhes.
Guerra comercial
Os dois gigantes procuram superar as diferenças. A principal queixa americana é que a China usa práticas comerciais desleais, como enormes subsídios a suas empresas e a transferência forçada de tecnologia estrangeira. Em Washington, o presidente Donald Trump mencionou várias vezes a proximidade de um acordo, mas os negociadores minimizaram a possibilidade de um entendimento iminente.
Liu será o chefe da delegação chinesa na nova rodada de negociações, marcada para a próxima semana em Washington.
As duas delegações mantiveram seus primeiros contatos da rodada na quinta-feira em um jantar de trabalho do qual nada vazou, exceto um comentário de Mnuchin: “tivemos um jantar muito produtivo na noite passada”.
Tarifas ainda ativas
Na capital dos Estados Unidos, o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse a repórteres na quinta-feira que as negociações podem ser prorrogadas por semanas ou meses, se necessário.
Por sua vez, o Ministério do Comércio da China expressou em nota que há muito trabalho a ser feito antes de um acordo.
Os Estados Unidos e a China impuseram tarifas de US $ 360 bilhões, embora os dois países tenham concordado em uma trégua em dezembro para dar aos negociadores uma oportunidade.
No entanto, Trump sugeriu na semana passada que algumas dessas tarifas poderiam permanecer mesmo no caso de um acordo, para garantir que a China cumprisse sua parte.
“Temos que ver o que acontece e vamos desistir de nossa vantagem”, disse Kudlow. “Isso não significa necessariamente que todas as tarifas serão mantidas, mas algumas delas serão”, disse o funcionário à Bloomberg.
É difícil prever se a China aceitará um acordo que deixe parte das tarifas ativas, disse o economista Cui Fan, da Universidade de Negócios e Economia de Pequim. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, concordaram em dezembro com uma trégua e pediram “um acordo que seja alcançado o quanto antes, na direção de uma suspensão mútua de tarifas punitivas aplicadas por ambos os lados”, disse Cui.
A China, no entanto, tomou medidas sobre as críticas americanas. No início de março, o Parlamento chinês repentinamente aprovou uma lei que protege as empresas estrangeiras da necessidade de transferir tecnologia, uma das principais queixas dos Estados Unidos.
Além disso, a China aumentou suas compras de produtos agrícolas americanas, especialmente soja. Espera-se que grandes compras de produtos dos EUA façam parte do acordo que está sendo negociado para reduzir o gigantesco déficit comercial dos Estados Unidos com a China, que chegou a 419,2 bilhões de dólares no ano passado.