Carmen Costa, cantora de outros Carnavais, merece tributos pelo centenário de nascimento


♪ MEMÓRIA – Duas cantoras brasileiras completariam 100 anos em 2020 se não tivessem saído de cena em tempos idos. São cantoras de outros Carnavais.
Uma é Elizeth Cardoso (16 de julho de 1920 – 7 de maio de 1990), morta há 30 anos. A outra é Carmen Costa, cantora fluminense nascida em 5 de janeiro de 1920 – e batizada com o nome de Carmelita Madriaga, sugestivo de intérprete espanhola – e morta aos 87 anos, em 25 de abril de 2007.
Foliãs, Carmen e Elizeth foram homenageadas há dois dias pelo Cordão da Bola Preta no desfile realizado pelo antigo bloco carioca no sábado de Carnaval, 22 de fevereiro.
Shows em tributos ao centenário de nascimento de Elizeth estão sendo realizados a partir deste mês de fevereiro (um deles será protagonizado por Mônica Salmaso, na cidade do Rio de Janeiro, em 19 e 20 de março).
Já Carmen Costa tende a ficar esquecida após a folia. Uma injustiça, pois quem era vivo nos anos 1950 certamente se lembra bem do sucesso alcançado pelos lacrimejantes sambas-canção Eu sou a outra (Ricardo Galeno, 1953) e Quase (Mirabeau Pinheiro e Jorge Gonçalves, 1954).
Embora identificada com o melodrama desses sambas-canção, Carmen Costa também sabia brincar o Carnaval com sambas e marchas. Lançada em janeiro de 1953, seis meses antes do samba-canção Eu sou a outra, a marcha Cachaça (Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro, Héber Lobato e Marinósio Filho) amplificou a voz de Carmen na folia e nos cordões. Tanto que, em janeiro de 1955, a cantora voltou ao tema ao lançar outra marcha de alto teor etílico, Tem nego bebo aí (Mirabeau Pinheiro e Aírton Amorim).
Carmen viveu o auge artístico nos anos 1950 e 1960. Mas iniciou a carreira em meados da década de 1930, formando logo em seguida, em 1938, dupla com o cantor e compositor paulista Henrique Felipe da Costa (1908 – 1984), o Henricão, então marido da cantora debutante.
Foi de Henricão a (boa) ideia de transformar Carmelita Madriaga em Carmen Costa. A dupla Henricão e Carmen Costa durou até 1942, ano em que a cantora iniciou discografia solo.
Em abril desse ano de 1942, a artista lançou o primeiro disco solo com gravação do samba Está chegando a hora, composto por Henricão e Rubens Campos a partir da canção mexicana Cielito lindo. O sucesso chegou com esse primeiro disco solo, um 78 rotações, cujo lado B trazia o samba-choro Só vendo que beleza, também de autoria da dupla e popularmente conhecido como Marambaia.
Nos anos 1950, o auge do sucesso de Carmen Costa coincidiu com a união afetiva e musical da artista com o baterista e compositor capixaba Mirabeau (1924 – 1991), autor dos maiores sucessos da cantora.
A partir dos 1980, Carmen Costa amargou fase crepuscular como todas as cantoras da era do rádio. Mas gravou discos até a segunda metade da década de 1990, cabendo destacar nesse período o caprichado álbum Tantos caminhos (1996), de tom retrospectivo.
Mesmo sem ter deixado obra tão fundamental quanto a contemporânea Elizeth Cardoso, Carmen Costa é cantora que merece ser celebrada além do Carnaval pelo centenário de nascimento completado em 2020.