Carlos José, cantor associado às serestas, morre no Rio de infecção pelo covid-19


Revelado em 1957, intérprete deixa obra que alcançou maior visibilidade ao longo dos anos 1960. ♪ OBITUÁRIO – Em 1957, o mundo perdeu um advogado e ganhou um cantor quando o paulistano Carlos José Ramos dos Santos (22 de setembro de 1934 – 9 de maio de 2020) foi eleito uma das revelações musicais daquele ano após aparição em programa de TV apresentado por Flávio Cavalcanti (1923 – 1987).
Iniciada ainda em 1957 com a edição de disco de 78 rotações por minuto com gravações de duas músicas então recentes, Foi a noite (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1956) e Ouça (Maysa, 1957), a carreira do cantor Carlos José decolou ao longo dos anos 1960, década em que a voz do intérprete passou a ser associada às serestas.
Essa conexão permaneceu fortalecida ao longo dos anos, inclusive pela predileção do cantor pelo samba-canção. Tanto que, ao morrer na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na manhã deste sábado, 9 de maio, em decorrência de infecção pelo covid-19, Carlos José fica identificado como cantor seresteiro na história da música popular do Brasil.
A morte do cantor, aos 85 anos, foi confirmada ao colunista do G1 pela assessoria do hospital carioca São Francisco na Providência de Deus, onde Carlos José estava internado há uma semana, com problemas respiratórios decorrentes da infecção pelo coronavírus.
A associação com a seresta é reforçada na discografia do artista com os seis volumes da série Uma noite de seresta, editados entre 1966 e 1971 pela gravadora CBS.
Transitando por várias companhias fonográficas, Carlos José gravou álbuns e singles com regularidade anual de 1958 a 1975. Em 1960, o cantor deu voz ao primeiro grande sucesso da carreira, o samba-canção Esmeralda (Fernando Barreto e Filadelfo Nunes), lançado por Carlos José em disco de 78 RPM.
Carlos José em 1958, no início da carreira como cantor de gêneros como o samba-canção
Reprodução / Capa de disco
Também compositor, Carlos José tem origem paulistana, mas, com cinco anos de idade, veio morar na cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde se radicou desde então. Após o período áureo dos anos 1960 e 1970, Carlos José se manteve em cena com menor visibilidade.
Em 2014, ano em que completou 80 anos, o cantor voltou ao disco com a gravação de álbum, Musa das canções, feito com o irmão violonista Luiz Claudio Ramos – conhecido pelo trabalho como arranjador e diretor musical de disco e shows de Chico Buarque – e editado em abril de 2015.
Chico Buarque, aliás, participou deste derradeiro disco de Carlos José, fazendo dueto com o cantor no samba-canção Odete (Herivelto Martins e Valdemar de Abreu, o Dunga, 1944).
Aos 85 anos, Carlos José sai de cena como uma voz identificada com o romantismo exacerbado de tempos idos.