Candidatos a medicina na Unicamp enfrentam Covid-19, depressão e dificuldade para estudar, mas exaltam profissão


Em meio à pandemia, estudantes relatam aproximação com o ofício e dificuldade na preparação para prova. Ao todo, 63,2 mil candidatos inscritos para todos os cursos realizam provas neste domingo. Fechamento de portões na Unip na primeira fase do Vestibular 2022 da Unicamp
Júlio César Costa/g1 Campinas
A pandemia de Covid-19 foi o fator que causou, ao mesmo tempo, as mais diversas dificuldades na preparação dos estudantes para os vestibulares e, no caso dos candidatos a uma vaga em medicina, serviu de inspiração por conta da atuação dos profissionais da linha de frente.
É o que contam candidatos que prestam a primeira fase do vestibular da Unicamp, em Campinas (SP), neste domingo (7).
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1ª fase tem 63,2 mil neste domingo
NNathalia Laranjeira, de 18 anos, quer uma vaga em medicina na Unicamp 2022 e teve que estudar lutando contra depressão
Rubens Morelli/g1
A estudante do Rio de Janeiro Nathalia Laranjeira, de 18 anos, luta por uma vaga em medicina e teve que superar diversos obstáculos impostos pela pandemia durante a preparação para a prova. Entre eles, a depressão.
“Esse ano não foi fácil, quarentena, terceiro ano, a pressão em cima de você. A gente tenta ir, tenta estudar. Não foi fácil para as pessoas do terceiro ano”, relata.
“Foi difícil, eu tive um problema de saúde. (…) Depressão, ansiedade, problema de pele por causa de estresse, não pegar sol, ficar muito tempo em casa”.
A moradora de São Gonçalo chegou a interromper os estudos e contou com acompanhamento com psicólogo para conseguir retomar a preparação.
“Eu fazia cursinho, mas teve um tempo que não conseguia mais estudar porque não estava com a cabeça boa”, lembrou. Agora, se sente tranquila para realizar a prova.
Estudo em meio à infecção por Covid-19
Solange Volpi, de 43 anos, viajou durante uma noite inteira com a filha, Sofia Volpi, de 17, de Pouso Alegre (MG) para Campinas, onde a jovem responde as 72 questões da primeira fase da Unicamp neste domingo.
De acordo com a mãe, Sofia chegou a pegar a doença, mas conseguiu manter o ritmo de estudos durante o segundo e terceiro ano do ensino médio, que completou neste ano.
“Não teve pandemia para a Sofia. Ela continuou estudando como se nada estivesse acontecendo. Se dedicou muito sozinha, com apoio da escola, mas em casa. Ela pegou Covid, mas nem com Covid ela parou de estudar. Foi muito bacana o desempenho dela”, conta a mãe, orgulhosa.
Solange Volpi, de 43anos, e a filha Sofia Volpi, de 17, viajam de Pouso Alegre para Campinas, onde a jovem presta medicina no vestibular 2022 da Unicamp
Rafael Smaira/g1
Sofia apontou que vê ainda mais valor no curso de medicina após a pandemia e isso a motivou a prestar. Após a prova, mãe e filha vão direto da PUC-Campinas, onde ela realiza o exame, para a rodoviária, onde embarcam de volta a Pouso Alegre.
“Sempre foi meu sonho, quero muito. Uma profissão que tem que dar muito valor. Ajudou muito nessa pandemia”, disse a jovem, antes de entrar para a sala de prova.
Motivação a mais
Artur Venâncio da Silva Sena, de 20 anos, mora em Campinas e presta medicina pelo terceiro ano seguido. Ele presta a prova no campus da PUC-Campinas.
O jovem destacou que se sente ainda mais motivado a passar em medicina durante a pandemia, apesar de estar cansado do ensino remoto.
“[A pandemia] Aumentou muito mais a minha expectativa de me tornar um médico, visto que mostrou muito mais o valor de um médico no mundo”.
O estudante ainda comentou que a inclusão de mais uma hora de prova no tempo da primeira fase e a manutenção do número de questões trazem mais segurança durante a realização do exame. Segundo ele, isso poderá trabalhar melhor as questões de matérias que tem dificuldade.
Artur Venâncio da Silva Sena, de 20 anos, de Campinas, presta medicina na Unicamp pelo terceiro ano consecutivo
Rafael Smaira/g1
*Sob supervisão de Arthur Menicucci