Câncer é a principal causa de morte nos países ricos, diz estudo


Mas, considerando todo o mundo, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortalidade entre os adultos. Pesquisa foi publicada na revista médica ‘The Lancet’ Corrida contra o câncer de mama, na Itália
Peter Boccia/Unsplash
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortalidade entre os adultos de meia idade no mundo, mas, nos países ricos, o câncer é o maior causador de mortes, afirmam dois estudos publicados nesta terça-feira (3) na revista médica “The Lancet”.
“É provável que o câncer se transforme na causa mais comum de morte no mundo nas próximas décadas”, afirmam os pesquisadores.
As doenças cardíacas representaram mais de 40% das mortes no mundo, ou seja, quase 17,7 milhões de óbitos, em 2017. Já o câncer respondeu por 26% das mortes.
Entretanto, nos países ricos, o câncer mata mais do que as doenças cardíacas, de acordo com as pesquisas.
Os habitantes dos países pobres têm 2,5 vezes mais possibilidades de morrer vítimas de doença cardíaca que os moradores das nações ricas, apontam os resultados. No total, 70% dos casos de doenças cardíacas no mundo se devem a “fatores alteráveis de risco”, como os metabólicos (colesterol elevado, obesidade, diabetes…).
Período de transição
O estudo é limitado, pois dos 21 países analisados, apenas 4 são considerados ricos: Canadá, Arábia Saudita, Suécia e Emirados Árabes Unidos.
De qualquer forma, “o mundo assiste a uma nova transição epidemiológica”, afirma Gilles Deganais, professor emérito da Universidade Laval de Québec e coautor dos dois estudos, que acompanharam 160 mil adultos em uma década (2005-2016).
Coração em miniatura feito em impressora 3D
Amir Cohen/Reuters
Nos países em desenvolvimento, os cientistas destacam, ainda, o papel da poluição do ar, da alimentação e dos reduzidos níveis de educação.
“É necessário mudar de rumo para atenuar o impacto desproporcional das doenças cardiovasculares nos países com renda baixa e média”, afirmou Salim Yusuf, professor de Medicina da Universidade McMaster.
“Estes países devem investir uma proporção maior de seu PIB na prevenção e gestão de doenças não transmissíveis, incluindo as cardiovasculares, ao invés de concentrar-se nas infecciosas”, explica.
Os países de renda média examinados, de acordo com uma classificação de 2006, foram África do Sul, Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Irã, Malásia, Territórios Palestinos, Filipinas, Polônia e Turquia, além de cinco nações de baixa renda (Bangladesh, Índia, Paquistão, Tanzânia e Zimbábue).