‘Cama de Gato’ estreia no Globoplay; relembre triâgulo amoroso com Camila Pitanga, Marcos Palmeira e Paolla Oliveira


Novela de Duca Rachid e Thelma Guedes foi exibida na Globo em 2009. Trama mostra perfumista humilde que fica rico em triângulo amoroso com esposa mimada e faxineira batalhadora. “Cama de Gato” estreia nesta segunda-feira (22) no Globoplay. Para quem sente saudade da história, o g1 relembra alguns dos principais momentos da obra, além de curiosidades, com dados do Memória Globo (leia mais ao fim da reportagem).
A trama de autoria de Duca Rachid e Thelma Guedes foi exibida no horário das 18h na Globo em 2009. Com direção-geral de Amora Mautner, a novela é ambientada no bairro da Glória, na Zona Sul do Rio e conta a história de um jovem humilde, Gustavo Brandão (Marcos Palmeira).
Ele se torna um perfumista rico e ambicioso envolvido em um triângulo amoroso com uma esposa mimada e uma faxineira batalhadora. As idas e vindas dessas relações têm momentos conturbados como o sumiço de Gustavo, sequestro, brigas e condenação à prisão.
Personagens de Camila Pitanga e Paolla Oliveira brigam em ‘Cama de gato’, novela de 2009
Divulgação/TV Globo
Gustavo é casado com Verônica (Paolla Oliveira) e só reaprende a ser humilde e solidário quando perde tudo o que conquistou. Ele descobre o amor sincero de Rose (Camila Pitanga), uma humilde faxineira. A simplicidade da moça ajuda-o a redescobrir seus valores e sua felicidade.
Antes de se tornar um rico perfumista, Gustavo era apenas o filho dos empregados do patrão. Seus pais são Julieta (Suely Franco) e Ferdinando (Pedro Paulo Rangel).
O casal mora e trabalha na mansão do empresário Severo (Paulo Goulart), então dono de uma das maiores indústrias químicas do Brasil, até o dia em que foram demitidos por terem faltado a dois dias de trabalho. Eles se ausentaram para acompanhar as buscas ao filho, que havia se perdido na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Gustavo havia se embrenhado na mata na companhia de seu amigo inseparável, Alcino (Carmo Dalla Vecchia). Os dois foram resgatados pelos bombeiros, e suas fotos, publicadas nas primeiras páginas dos jornais.
Aromas: perfumes e cosméticos
Personagens de Camila Pitanga e Marcos Palmeira em ‘Cama de gato’, novela de 2009
Divulgação/TV Globo
Gustavo aproveita que Severo está à beira da falência e compra a mansão e a fábrica de produtos químicos do ex-patrão de seus pais, onde decide instalar a Aromas. Já estabelecido, ele se casa com Verônica e completa sua revanche mantendo Severo, sob rédea curta, como um mero contador de sua empresa.
A fama e a fortuna transformaram Gustavo em um homem duro, arrogante e nada generoso, o pesadelo de seus funcionários, que o chamam, pelas costas, de “Imperador”. Diferente do amigo emergente, Alcino procura viver intensamente: é um namorador, pratica esportes radicais, mora em um barco e é extremamente querido pelos que o cercam.
Sua maior tristeza é não reconhecer mais no sócio o melhor amigo de infância. A soberba de Gustavo e a maneira grosseira como trata todos a seu redor os levam a discussões, e eles decidem desfazer a sociedade.
CENOGRAFIA E ARTE
Marcos Palmeira e Paolla Oliveira em ‘Cama de Gato’, novela de 2009
Divulgação/TV Globo
Com cerca de oito mil metros quadrados, a cidade cenográfica de Cama de Gato lembrava o bairro da Glória, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A principal construção era uma vila de casas antigas com traços da arquitetura neoclássica, estilo muito encontrado na região. As residências de Rose e Bené e a pensão de dona Genoveva ficavam no lado mais humilde da Glória.
Na vizinhança, havia alguns estabelecimentos comerciais típicos de um bairro residencial, como salão de cabeleireiro, bar com sinuca e sorveteria. Outra característica desta produção era que, além das locações fixas, havia muitas externas em diferentes pontos do Rio.
Assim como o figurino de Verônica, o frasco do perfume criado em sua homenagem tinha uma silhueta art déco. Todos os recipientes cenográficos do perfume foram feitos em cristal soprado, e a cor escolhida para o líquido foi a azul, tal qual a flor de mesmo nome. A equipe de cenografia construiu uma estátua em acrílico do Verônica, com 4m de altura, 2m de comprimento e 1,30m de largura, para a festa em comemoração aos dez anos de sucesso do perfume.
CURIOSIDADES
Entre as histórias e obras que inspiraram as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes na feitura do texto da novela estão a trajetória de Buda, o livro O Sagrado (2007), do rabino Nilton Bonder, e o trabalho do psicólogo social Fernando Braga da Costa. Ele trabalhou oito anos como gari, varrendo as ruas da Universidade de São Paulo, para viver a rotina desses profissionais “invisíveis” e escrever sua tese de mestrado. Rose, que no começo da trama trabalhava como faxineira, era uma dessas “mulheres invisíveis”.
Em entrevista ao Memória Globo, Thelma Guedes fala de sua inspiração: “É uma história muito bonita, que eu sempre quis fazer, e a Duca também ficou muito empolgada. A gente tem um lado filosófico, toda novela nossa tem uma premissa muito forte, moral ou filosófica. Por mais que a estrutura e os personagens sejam diferentes, a gente está querendo passar a mesma mensagem, que é a mensagem da compaixão. Foi um trabalho superfeliz, deu muito certo”.
Para a gravação das cenas no clube Esplêndido da Glória, os atores Daniel Boaventura (Sólon), Wagner Molina (Fiasco), Camila Pitanga (Rose) e Heloísa Périssé (Taís) tiveram aulas de dança com Jaime Arôxa. Nos ensaios, eles aprenderam um pouco de ritmos como valsa, bolero, samba choroso, zuqui, salsa e tango, além de treinar coreografias específicas para as cenas. Os atores Tânia Costa (Bruna), Heslander Vieira (Tarcísio) e Bianca Salgueiro (Eurídice), que interpretaram, respectivamente, uma professora de piano e seus alunos, tiveram aulas para aprender noções básicas do instrumento. Heslander ainda conheceu o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro, para ajudar na composição de seu personagem, deficiente auditivo devido a uma osteosclerose. Lá, ele aprendeu a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Camila Pitanga treinou direção em uma Kombi, transporte usado por sua personagem Rose. A “Charanga” era quase uma personagem, nem sempre pegava de primeira e deixava Rose em vários apuros.
Tarcísio Meira e Glória Menezes fizeram uma participação especial no último capítulo da novela.
No dia 13 de junho de 2010, a novela ganhou o prêmio Banff World Television Festival, como melhor telenovela na categoria drama. Essa premiação mundial está voltada para conteúdos criados para televisão e acontece anualmente no Canadá. Em 2010, o festival teve, pela primeira vez, parceria com a nextMEDIA Banff, unindo televisão e mídias digitais.
As autoras Thelma Guedes e Duca Rachid dedicaram a novela à autora Andrea Maltarolli, falecida em 2009, vítima de câncer.