‘Cães geniais’ aprendem até 12 nomes de brinquedos e guardam vocabulário; border brasileira é destaque no grupo


Gaia, Nalani, Max, Rico, Squall e Whisky aprenderam nomes e foram capazes de lembrar do vocabulário até 2 meses depois. Pesquisa foi publicada na revista ‘Royal Society Open Science’ nesta quarta-feira (6). Max, um dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Cooper Photo (via Shany Dror)
Os border collies Gaia, Nalani, Max, Rico, Squall e Whisky são tão fofos quanto qualquer cachorro, mas têm uma habilidade especial: aprender e lembrar de nomes de brinquedos.
Essa capacidade foi atestada em uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (6) na revista britânica “Royal Society Open Science”. Os autores são da Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, na Hungria.
“Sabemos que os cães podem aprender facilmente palavras associadas a ações, como “senta” ou “deita”. Mas muito poucos cães podem aprender nomes de objetos”, explica a pesquisadora Shany Dror, primeira autora da pesquisa.
Os cientistas buscaram por dois anos cachorros que soubessem os nomes de seus brinquedos. A procura foi feita em vários países. Um dos cachorrinhos “geniais” encontrados pelos pesquisadores é a brasileira Gaia, de 2 anos (veja foto abaixo e continue lendo para conhecer os outros):
Gaia, border collie de 2 anos considerada ‘genial’ por pesquisadores húngaros
Shany Dror
O estudo
Nos testes, conduzidos no final do ano passado, os cachorros tiveram que aprender de 6 a 12 nomes de objetos em uma semana. Para isso, cada dono recebeu, primeiro, 6 novos brinquedos – e teve uma semana para ensinar seus nomes aos cães. O mesmo procedimento foi repetido depois, só que com 12 brinquedos novos.
“Acontece que, para esses cães talentosos, isso não foi um grande desafio. Aprenderam facilmente entre 11 a 12 brinquedos”, afirma Shany Dror. É o equivalente a crianças no primeiro salto de vocabulário.
Nalani, uma dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Sonja De Laat Spierings
E os 6 cachorrinhos fizeram mais do que simplesmente aprender os nomes dos brinquedos: nos testes feitos por Dror e colegas, eles foram capazes de reter o aprendizado por pelo menos dois meses – tempo máximo medido pelos cientistas.
(Os nomes dos brinquedos novos foram escolhidos aleatoriamente a partir de sugestões de pessoas que acompanham o projeto nas redes sociais. A única restrição ao escolher os nomes dos brinquedos era que eles não podiam soar semelhantes a nenhum dos brinquedos que os cachorros já tinham).
Cãezinhos geniais
Gaia e a dona, Isabella. Gaia é uma das border collies consideradas ‘geniais’ por uma pesquisa da Hungria
Shany Dror
A brasileira Gaia foi capaz de aprender os nomes dos 12 brinquedos novos. Quando ela e a dona, Isabella, participaram do desafio, Gaia já sabia os nomes de 24 brinquedos.
Em apenas três meses, a border collie aprendeu os nomes de 37 brinquedos novos. Hoje, ela tem mais de 80 brinquedos em sua coleção, segundo o site do “Genius Dog Challenge”.
Conheça os outros cachorros considerados “geniais” pela pesquisa:
Nalani, 7 anos
Nalani, uma dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Sonja De Laat Spierings
Nalani, que mora na Holanda, sofre de convulsões epilépticas graves, mas isso não a impediu de participar da pesquisa. Em novembro de 2019, quando se juntou ao desafio, Nalani sabia os nomes de cerca de 50 brinquedos.
Hoje, ela conhece os nomes de mais de 85 brinquedos diferentes. Os testes com Nalani podem demorar um pouco porque ela se certifica de sacudir e “matar” todos os brinquedos antes de trazê-los para a dona.
Max, 2 anos
Max, um dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Cooper Photo (via Shany Dror)
Max mora em Budapeste, na Hungria, e se juntou ao projeto quando tinha apenas 7 meses – e já sabia o nome de 15 brinquedos! Hoje, já sabe os nomes de 100.
Ele adora fazer agilidade e canicross. Max é muito generoso e adora empurrar seus brinquedos para os cientistas durante os testes. Quando o dono lhe pergunta “Max, onde está…”, ele se concentra tanto que às vezes mostra a língua, segundo o site da pesquisa.
Squall, 2 anos
Squall, de dois anos, é um dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Shany Dror
Squall mora na Flórida, nos Estados Unidos. Quando se juntou ao projeto, em julho de 2020, ele sabia o nome de 20 brinquedos. Hoje, sabe o de mais de 55 – não se sabe exatamente quantos, porque muitas vezes eles não sobrevivem à sua mordida de crocodilo.
Whisky, 6 anos
Whisky, de 6 anos, é uma dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Helge O. Savela
Whisky mora na Noruega e foi o primeiro a participar do projeto. Na época, sabia o nome de 64 brinquedos. Hoje, sabe o nome de mais de 100.
Rico, 4 anos
Rico, de 4 anos, é uma dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Shany Dror
Rico mora com seus donos na Espanha. Ele deve seu nome ao famoso border collie Rico da Alemanha, o primeiro cão com capacidade documentada de recuperar brinquedos pelos seus nomes. Ele adora subir e descer escadas correndo para pegar seus brinquedos, mas nem sempre está tão interessado em largá-los.
Mas só border collies conseguem fazer isso?
Segundo os pesquisadores, não.
“Graças ao Genius Dog Challenge, conseguimos até agora encontrar também cães de outras raças, incluindo um pastor alemão, um pequinês, um mini pastor australiano e alguns cães de raças mistas”, diz Shany Dror. Pesquisas anteriores documentaram essa habilidade também em yorkshires.
Max, um dos border collies considerados ‘geniais’ por pesquisadores da Hungria
Cooper Photo
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Além disso, nem todos os border collies são capazes de aprender nomes de objetos.
“Originalmente, os border collies foram criados para trabalhar como cães pastores, então a maioria deles é muito sensível e responsiva ao comportamento de seus donos”, afirma Dror. “No entanto, embora a capacidade de aprender nomes de brinquedos pareça ser mais comum entre os border collies, em um estudo publicado recentemente descobrimos que mesmo entre esta raça é muito rara ”, enfatiza a pesquisadora.