Bullying assusta pais e alunos em uma das escolas mais caras de SP  

Estudantes do Colégio Santa Cruz são advertidos por praticar bullying

Estudantes do Colégio Santa Cruz são advertidos por praticar bullying
Danilo Verpa/Folhapress

O bullying é um assunto que sempre está em discussão e atinge estudantes de diferentes idades e classes sociais. Desta vez, a vítima desse tipo de agressão estudava no Colégio Santa Cruz, uma das escolas mais tradicionais de São Paulo.

Um aluno do terceiro ano do ensino médio decidiu deixar o colégio após sofrer bullying. Diante da situação, o Santa Cruz decidiu afastar ou advertir 30 alunos diretamente envolvidos na agressão. A escola informa, por meio de nota, que recebeu as denúncias no dia 1º de abril, quando começou a apurar os fatos.

Leia também: Como a inteligência artificial é usada para combater o bullying e monitorar pensamentos suicidas

Segundo o R7 apurou, os alunos do 3º ano participaram de um acantonamento, uma das comemorações da formatura. Cada chalé recebeu 30 alunos, que deveriam escolher um nome para aquele grupo ali reunido. Escolheram o apelido de um dos meninos, que não gostou da brincadeira.

Para que ele não entendesse o nome escolhido para o chalé, os alunos decidiram usar o nome escrito em outro alfabeto, o hebraico. Foram confeccionadas camisetas com o nome do grupo.

A vítima da brincadeira não é judia, em um primeiro momento não entendeu o que estava escrito, mas soube por meio de outro colega o significado: o seu apelido. A família levou o caso para a direção e decidiu mudar o aluno de escola.

Veja também: Alunos são vítimas de bullying em vídeo divulgado na internet

“O Santa Cruz prestou apoio ao aluno em foco e aos seus familiares, realizando intervenções e conversas também junto às famílias dos demais alunos implicados”, diz a nota. “Lamentamos profundamente tal episódio, nos solidarizamos com os atingidos e reforçamos nossa diretriz de inibir comportamentos de intolerância, dentro e fora da escola”.

Bullying
Para a professora Patricia Bertachini Bisseti, orientadora pedagógica do Colégio Presbiteriano Mackenzie, é muito importante que a escola ouça todos os envolvidos. “Creio que tanto o agredido como o agressor precisam de apoio psicológico”, diz.

“Observamos que quem pratica o bullying, de uma maneira geral, tem alguma questão mal resolvida, está passando por algum momento difícil ou sofrimento que não sabe elaborar”, explica. “Nada, obviamente, justifica humilhar ou agredir o outro”.

Outra característica apontada por Patrícia é a de que quem pratica o bullying em algum momento da vida já sofreu algum tipo de agressão ou constrangimento. “Às vezes, um primo ou mesmo no condomínio aquela criança ou adolescente enfrenta algum problema e replica no ambiente escolar”.

Saiba mais: Escolas criam novas ferramentas para enfrentar o bullying

O bullying se caracteriza como um tipo de agressão que se repete por um longo período. “Uma brincadeira de mau gosto deve ser corrigida, mas não é necessariamente bullying”, avalia. Para ela agressões, humilhações e atitudes que causem constrangimentos sempre com uma mesma pessoa, várias vezes, pode ser caracterizado como bullying. “E gera ansiedade: o que eles vão aprontar amanhã? O que vem pela frente? ”

É importante que a escola converse com os pais para resolver a questão. “Não é só punir, mas analisar o que se passa, o que levou ao comportamento violento e acompanhar para ver a evolução do aluno.”

Jovem supera bullying e depressão por meio do esporte: