Brasileiros apostam em temas nacionais para criar games

Jogos com inspiração na cultura brasileira são aposta para o mercado de games

Jogos com inspiração na cultura brasileira são aposta para o mercado de games
Pixabay

Esqueça dragões chineses, alienígenas de outros planetas ou ataques zumbis. Os desenvolvedores brasileiros agora apostam em temáticas nacionais para criar os seus jogos. 

Entre as dezenas de stands do Big Festival, considerado o principal evento de games alternativos da América Latina, alguns jogos chamam a atenção por aproveitarem elementos locais para ambientar suas sagas digitais. 

O jogo “Angola Janga: picada dos sonhos” se passa em uma mata e o objetivo é ajudar um escravo a encontrar o caminho para o Quilombo dos Palmares. O game foi inspirado na obra “Angola Janga – Uma história de Palmares“, do escritor Marcelo D’Salete. 

“Nós não buscamos apenas a representatividade por si só, mas algo com coerência. É um número muito pequeno de jogos que tem o personagem principal negro e muitas vezes é algo estereotipado. Nós sentimos que as pessoas estão se sentindo mais próximas do nosso game e estão gostando de jogar”, diz Marcos Vinicius Silva, desenvolvedor do Angola Janga. 

Os fãs de games mais ligados à música podem se divertir enquanto escutam Bossa Nova, essa é a proposta do “Lights, Bossa & Chill”, um puzzle game que tem uma trilha inspirado no ritmo criado pelos brasileiros João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes.

“Bossa Nova atraiu muitas pessoas para testarem nosso jogo aqui na Big Festival. A gente acredita que isso pode até ter um apelo internacional porque é um estilo musical que o mundo associa ao Brasil”, afirma Thiago Cortez desenvolvedor do “Lights, Bossa & Chill”.

Com uma temática mais social, “Árida” é o resultado do trabalho de um grupo de desenvolvedores da Bahia, da Oca Game Lab, que criaram um jogo que é ambientado no sertão nordestino. A missão é sobreviver às adversidades do dia a dia de um sertanejo.

“Poucos jogos se passam no sertão brasileiro e para nós isso não é só uma oportunidade de mercado, mas também uma questão política. A reação do público tem sido muito positiva e acreditamos que o nosso visual chama a atenção e pode fazer sucesso também fora do país”, afirma Felipe Pereira, desenvolvedor do Árida.

O “Zueirama” é um jogo que o espírito “the zueira never ends”. Todas as referências tiveram como origem os memes da internet brasileira. O desafio é combater coxinhas e mortadelas para vencer o vilão que roubou a zueira e deixou todo mundo mal-humorado.

“Nós tentamos trazer todas a essência da brincadeira e da zueira dos brasileiros. A pessoa consegue entender as referências dos memes e da cultura pop que usamos no desenvolvimento. É legal que todo mundo joga com um sorriso na cara”, diz Clayton Santos, desenvolvedor do Zueirama.