Brasil vai se livrar da corrupção antes do que se imagina

Polícia Federal em uma das fases da Operação Lava Jato

Polícia Federal em uma das fases da Operação Lava Jato
Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Brasil tem pontencial, para em vinte anos, ser um país desenvolvido e deve se livrar da corrupção muito antes do que imagina. Essa é a análise do pesquisador Peter Kronstrøm, especialista em traçar tendências para o futuro para ajudar empresas, governos e instituições. 

Representante no Brasil do Instituto de Estudos Futuros de Copenhague, organização não governamental de 46 anos, o comunicador Peter Kronstrøm veio a Brasília para falar sobre Educação para o Futuro. O Instituto é apolítico e independente e recebe dinheiro pelas pesquisas realizadas e consultorias. Atualmente tem cerca de 80 pesquisadores. 

Kronstrøm participará do ‘Campus do Amanhã’, evento para convidados organizado pelo Centro Universitário UniCEUB, em comemoração aos 50 anos de fundação da instituição de ensino superior na capital federal. 

Leia abaixo a conversa entre a Coluna e Peter. 

O governo Temer completa 2 anos e diz que o País avançou 20, o que gerou uma enorme polêmica. Como acredita que o País estará em 20 anos? 

Eu caminho pelo País, moro aqui há 7 anos, e já acabou, portanto, a lua de mel. O País é maravilhoso, rico em recursos naturais, tem povo relativamente bem educado, possibilidade de aumentar a produção agrícola de maneira responsável, muito acesso à água potável, uma país de paz, de grande mistura de raças e religiões e vai experimentar a redução da corrupção antes que se imagina. E não estou falando do Brasil, país do Futuro de Stefan Zweig.

Nossa avaliação em nível global é que a corrupção vai diminuir de forma muito rápida, porque estamos entrando na era da transparência. Podemos citar como exemplos os Panama papers e blockchain [sistema de logísitica e usado para bitcoin que não pode ser alterado]. Estamos realmente confiantes que ficará mais difícil de esconder dinheiro. Mas não podemos prever o futuro, mas apontar tendências. O futuro é agora. 

O Brasil ainda tem muitas cartas na manga. Acreditamos que o mundo ficará mais caótico, e nesse cenário Brasil e América Latina têm vantagem, porque estão acostumados a viver em crise. Aqui há maior habilidade para enfrentar um cenário de incertezas. O jeitinho brasileiro, a parte boa, não a flexibilidade moral, mas a criatividade de resolver um problema pode ajudar. O povo tem muita vontade de empreender, talvez por necessidade, mas isso é positivo. 

Você veio falar de Educação para o futuro, o que acha da Educação no País?

Percebemos que há problemas na Educação em praticamente todos os países, principalmente com remuneração baixa de professores, exceto na Finlândia. É interessante a experiência da Finlândia, que reduziu a carga horária e as tarefas e criou um dos melhores sistemas de Educação do mundo. 

Há uma sensação de que faculdades podem ser ameaçadas pelo Google, mas é o contrário. Nunca antes na nossa história a Educação foi tão importante. E a tendência é que o conhecimento ficará cada vez mais desatualizado, então é preciso aprender como aprender. A escola precisa inspirar a vontade de aprender. Olhando para o futuro, percebemos que o sistema educacional no mundo todo é errado. A ideia de ter um  bloco de ensino no início da vida não cabe mais. A Educação tem que ser pensada como um processo contínuo para a vida inteira. As universidades, por exemplo, precisam se preparar para alunos das 3ª e 4ª idades. 

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