Brasil e Turquia são referência no combate ao tabagismo, diz OMS


Relatório da Organização Mundial da Saúde lançado nesta sexta-feira (26) ressalta ações de sucesso do governo federal, que bateu a meta global de reduzir número de fumantes para 15% da população. Relatório da OMS divulgado nesta sexta (26) mostra que o Brasil é referência em medidas contra o tabagismo.
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O Brasil e a Turquia são os únicos países que adotaram todas as medidas indicadas pela OMS para reduzir o tabagismo. No entanto, o Brasil estuda agora reduzir a tributação sobre o cigarro, política que vai contra as recomendações da organização. As informações são do Relatório OMS sobre a Epidemia Global do Tabaco 2019, lançado na tarde desta sexta-feira (26) no Rio de Janeiro.
O documento mostra ainda que 5 bilhões de pessoas vivem hoje em países que têm medidas de controle de tabaco, como embalagens com imagens chocantes de advertência. O número representa quatro vezes mais pessoas do que há uma década.
O relatório lançado nesta sexta no Rio de Janeiro foca em serviços de apoio para quem quer parar de fumar. Trata-se da medida recomendada pela OMS mais mais sub-implementada em termos de número de países que oferecem cobertura total: apenas 23 países oferecem esses serviços completos em todo o mundo.
O Brasil está neste seleto grupo. A queda no tabagismo no países é expressiva: o país já bateu a meta global, que é reduzir o percentual de fumantes na população para 15%.
Em 2017, o total de fumantes na população brasileira era de 10,1% (2017), segundo o Ministério da Saúde. Em 1989, 34,8% da população brasileira fumava, segundo a OMS. Uma estimativa publicada em estudo na revista “PLOS Medicine” em 2012 aponta que cerca de 420 mil mortes foram evitadas no Brasil por políticas públicas implementadas entre 1989 e 2010.
Cigarros nacionais mais baratos
Em março, uma portaria assinada pelo ministro da Justiça Sérgio Moro instituiu um grupo de trabalho para avaliar se mudanças nos impostos ajudarão a “diminuir o consumo de cigarros estrangeiros de baixa qualidade”.
A decisão do grupo deveria ser publicada até o final de junho. Procurado pelo G1 nesta semana, o Ministério da Saúde não havia respondido até a tarde desta sexta se uma decisão chegou a ser tomada sobre o assunto.
Os ministérios da Economia e da Saúde fazem parte do grupo criado por Moro. De acordo com o Ministério da Justiça, um dos pilares da discussão é um estudo de economistas que questiona a “eficiência da estratégia de aumentar tributo” na redução do tabagismo. A possibilidade de redução foi criticada por especialistas, inclusive do Ministério da Saúde.
Alerta em maço de cigarro é uma das medidas indicadas pela OMS para diminuir o tabagismo.
G1
Epidemia mundial do tabaco
Segundo o estudo apresentado nesta sexta-feira sobre o consumo de cigarros no mundo, apenas Brasil e Turquia conseguiram alcançar o mais alto nível de controle do tabaco. Isso significa ter implementado as melhores práticas e conseguido cumprir as estratégias propostas pela OMS.
Esta é a 7ª edição do relatório da OMS, que neste ano é focado no oferecimento de ajuda para a cessação do fumo.
As medidas indicadas pela organização são:
Aumentar impostos sobre o tabaco
Monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção
Fazer cumprir as proibições sobre publicidade, promoção e patrocínio
Advertir sobre os perigos do tabaco
Oferecer ajuda para a cessação do fumo
Proteger a população contra a fumaça do tabaco.
Para a OMS, o apoio para quem quer parar de fumar é a medida mais mais sub-implementada em termos de número de países que oferecem cobertura total. Apenas 23 países oferecem esses serviços nos melhores níveis.
Atualmente, no mundo, 2,4 bilhões de pessoas vivem em países que possuem programas completos de cessação do tabagismo. O número representa um avanço em relação a 2007, quando apenas 400 milhões de pessoas tinham acesso a esses serviços.
Medidas tomadas no Brasil
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre 2005 e 2016 quase 1,6 milhão brasileiros realizaram tratamento para parar de fumar na rede pública de saúde. O tratamento do tabagismo é oferecido em mais de 4 mil unidades de saúde, a maioria (91%) na Atenção Primária, a porta de entrada do SUS, de acordo com o relatório da OMS.
Além disso, a população conta, desde 2001, com um serviço telefônico nacional para tirar dúvidas, cujo número (Disque Saúde 136) deve estar obrigatoriamente estampado no rótulo frontal de todos os maços de cigarros.
Outro ponto de destaque para o Brasil foi a proibição do cigarro em locais fechados, públicos e privados, determinada por uma lei de 2011. A legislação impediu, inclusive, a possibilidade da existência de fumódromos em alguns locais. Essa medida levou o Brasil a se tornar o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes 100% livre de fumo em espaços públicos e ambientes de trabalho.
No país, a taxação do produto vem crescendo e, atualmente, é de cerca de 80% do preço final – índice semelhante ao de outros países, segundo Kirchenchtejn. Em uma análise da OMS com dados de 2017, o relatório elaborou um comparativo entre os impostos cobrados pelos países.
Em 2011, o Brasil reajustou o IPI sobre cigarros e criou uma política de preços mínimos para o produto. Segundo o Inca, a medida contribuiu para diminuir o número de fumantes entre jovens de menor renda e escolaridade. A arrecadação desses tributos, de acordo com a Secretaria da Receita Federal, passou de pouco mais de R$ 4,4 bilhões, em 2008, para quase R$ 8 bilhões em 2013.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) diz que aumento de preços na ordem 10% seria capaz de reduzir o consumo em cerca de 8% em países como o Brasil.
Queda no número de fumantes
Segundo os dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2018, apenas 9,3% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar. Em 2006, ano da primeira edição da pesquisa, esse percentual era de 15,7%.
A pesquisa também revela que o brasileiro reduziu consideravelmente o consumo de tabaco em todas as faixas etárias. Entre os jovens de 18 e 24 anos, o número de fumantes caiu de 12%, em 2006, para 6,7%, em 2018.
Entre a população com 35 e 44 anos, 18,5% fumavam em 2006 e 9,1% se declaram fumantes em 2018. Na faixa etária entre 45 e 54 anos, a redução foi de 22,6%, em 2006, para 11,1%, em 2018.
As mulheres também vêm assumindo um protagonismo importante nesse cenário, superando a média nacional e reduzindo o consumo em 44% no período.
A pesquisa Vigitel é realizada com moradores maiores de 18 anos das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal. Para a edição mais recente, foram entrevistados 52.395 pessoas, entre janeiro e dezembro de 2018.
Dados sobre o cigarro no mundo
Infográfico: Diana Yukari/G1