Brasil e Argentina assinam acordo automotivo que prevê livre comércio só a partir de 2029


Expectativa era de que essa relação começasse já no ano que vem, quando vence o acordo atual. Presidente argentino comemorou adiamento. Ministros da Economia do Brasil, Paulo Guedes, e da Argentina, Dante Sica, em cerimônia para acordo automotivo entre os dois países
Raoni Alves/G1
Brasil e Argentina assinaram nesta sexta-feira (6) o acordo automotivo que prevê livre comércio entre os dois países dentro de 10 anos
O país sul-americano é o maior cliente da indústria brasileira nesse setor, mas as vendas têm caído com a crise econômica que o mercado argentino enfrenta, o que tem impactado nos resultados das exportações das montadoras.
Na época em que o acordo atual foi fechado, em 2016, havia a expectativa do governo de que o livre comércio começasse ainda no ano que vem, quando termina o pacto atual. O presidente argentino, Mauricio Macri, comemorou o adiamento dessa relação.
“Solucionamos o principal problema com nosso grande sócio comercial. Em 2020 deveria começar o livre comércio automotivo. É melhor para a nossa indústria acordar 10 anos de adequação e estabelecer prazos de integração até 2029″, escreveu no Twitter.
A associação brasileira das montadoras, Anfavea, também considerou que o prazo será benéfico. “Embora o livre comércio só esteja previsto para entrar em vigor em julho de 2029, esse escalonamento de 10 anos traz um cenário de previsibilidade e segurança jurídica para a indústria automobilística”, disse o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes.
A regra atual tem beneficiado o Brasil, que tradicionalmente tem exportado mais do que importado da Argentina. Mas o comércio bilateral de veículos e autopeças é relevante para ambos os países.
Como é hoje
O atual acordo entre Brasil e Argentina foi assinado em 2016 e termina em junho do ano que vem. Ele prevê uma regra de comércio pela qual as exportações de um país para o outro não pode ultrapassar uma vez e meia do valor que importa do outro. É chamado sistema flex.
Como será
Pelo novo acordo, essa relação irá aumentando até chegar a três vezes. Ou seja, as exportações de um país poderão exceder em até três vezes as importações.
Isso acontecerá na seguinte graduação:
de julho de 2020 a julho de 2023, as exportações de um país podem exceder em até 1,8 vezes as importações;
até julho de 2025, 1,9 vezes;
até julho de 2027, duas vezes;
até julho de 2028, 2,5 vezes;
até julho de 2029, 3 vezes
A partir de 1º de julho de 2029, Brasil e Argentina entrarão em livre comércio, sem qualquer limite para importações e exportações entre os dois países.
“Acordo histórico com o Brasil: a indústria automotiva tem dez anos para avançar”, celebrou Macri em outra postagem. Ele foi representado na cerimônia de assinatura pelo ministro da Economia, Dante Sica.
Initial plugin text
.
Macri destacou ainda que o acordo dará mais previsibilidade para as montadoras planejarem investimentos na região. “A cada 2 anos, tínhamos que volta a negociar (um novo acordo), complicando os investimentos de uma indústria que precisa de previsibilidade para investir. Este acordo permite à indústria automotiva se desenvolver com um horizonte claro: o da inovação e da geração de emprego de qualidade”, escreveu.
O presidente argentino disse ainda que a indústria automotivo é o segundo maior complexo exportador do país, representando mais de 40% das exportações de manufaturas industriais e gerando mais de 160 mil empregos, direta e indiretamente.