Boa Noite, Punpun retrata inocência da infância e amargor do crescimento

“Parei de ler, porque estava me fazendo mal”, me disse um amigo, quando mencionei que estava interessado em Boa Noite, Punpun. O comentário, apesar de pessimista, me instigou ainda mais a ir atrás do mangá, escrito por Inio Asano (obra, obra), entre 2007 e 2013, no Japão — por lá, intitulado Oyasumi Punpun. Muito pedido pelos fãs, a obra-máxima de Asano só chegou agora ao Brasil, pela editora JBC, e terá um total de sete volumes no formato BIG (dois em um).

Ao melhor estilo Boyhood: Da Infância à Juventude (2014), a história acompanha Punpun Punyama (posteriormente, Punpun Onodera) em quatro fases de sua vida: no Ensino Infantil, Fundamental, Médio e em seus 20 anos de idade. No começo, Punpun vive com sua mãe e o pai em um lar nada amigável, onde a violência doméstica faz parte do cotidiano. Por abordar temas como depressão, suicídio e demais discussões psicológicas contemporâneas, a classificação indicativa é para maiores de 18 anos.

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Quando Aiko Tanaka é transferida para sua escola, o tímido protagonista, que o leitor vê sempre como um pássaro silencioso que pouco fala (é assim como ele mesmo enxerga a si e à sua família), encontra um motivo para acordar todos os dias — e, consequentemente, conhece o amargo gosto da frustração. Qual foi a primeira vez que você se sentiu triste? No meu caso, foi quando uma namorada de colégio terminou comigo e eu percebi que as coisas, materiais ou não, acabam. Para tudo há um fim. Com Punpun, esse choque de realidade foi similar.

“Punpun ainda não entendia o gosto do café… mas, de certo modo, percebeu que seus sentimentos estavam gradualmente escurecendo”, diz um trecho do segundo volume. É curioso revisitar a infância de Punpun, por mais que se trate de uma ficção, e ver como a despreocupação e a empolgação das primeiras descobertas (paixões, relações e demais vivências) logo dão lugar a pensamentos obscuros e dolorosos, provocados por perdas as quais não estamos preparados para lidar — será que estaremos algum dia?

“Não existe inverno que não termine. E se não for amanhã, vai ser no dia depois ou no mês seguinte, ou daqui a alguns anos. Um dia, a felicidade chega… é no que queria acreditar”. É como eu também quero acreditar e como espero que aconteça com Punpun. Torço por você, amigo.

Os volumes três e quatro de Boa Noite, Punpun serão lançados nesta terça-feira (23) e podem ser adquiridos pela Amazon. Ainda não há previsão de lançamento para as próximas edições.

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