Beneficiários reclamam da falta de médico perito no INSS de Vilhena, RO

Atualmente, apenas um profissional atende na unidade. Trabalhadores precisam viajar até 700 quilômetros para passarem por perícia em outras cidades. Falta de médico compromete atendimento de perícias no INSS, em Vilhena.
Beneficiários estão reclamando da falta de médico perito no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Vilhena (RO), na região do Cone Sul. Atualmente, apenas um profissional atende na unidade. Por causa disso, trabalhadores precisam viajar até 700 quilômetros para passarem por perícia em outras cidades. Além disso, têm pessoas buscando a Justiça, porque o instituto não está devolvendo o dinheiro gasto com transporte, dentro do prazo estabelecido.
A dona de casa Maria Aparecida de Oliveira foi ao INSS de Vilhena buscar o resultado da perícia, na segunda-feira (12). Porém, para passar pela avaliação, ela precisou viajar até Rolim de Moura (RO). Já a dona de casa Neusa Maria da Cruz, viajou até a capital para passar pela perícia. “Não tinha outro jeito e tive que ir”, enfatiza.
O desempregado José Carlos Sobrinho explica que o genro gastou mais de R$ 300 para ir a Ouro Preto do Oeste (RO). “Quem vai ressarcir isso para ele”, questiona.
O ressarcimento do dinheiro gasto em transporte é uma das principais reclamações recebidas pelo advogado Romilson Fernandes. “Esse ressarcimento das passagens, que dizem que vão ressarcir em 45 dias, há relatos de que passam 90, 120 dias e ainda não foram reembolsadas”, explica.
Por causa das recorrentes reclamações de beneficiários, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação contra o INSS. O MPF apontou que em 2015, Vilhena tinha o pior tempo médio de agendamento de perícias médicas do país, com um prazo superior a 150 dias.
Em decisão de outubro do ano passado, a 1ª vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a criação de quatro novas vagas para médicos na agência previdenciária de Vilhena, mas para serem preenchidas, apenas, no próximo concurso realizado pelo INSS.
Contudo, têm beneficiários que não pode esperar tanto tempo. O pedreiro Vonibaldo Mattos tem um desgaste na coluna lombar, que o impede de trabalhar. Ele tem vários exames, documentos e encaminhamentos do INSS. Porém, o que Vonibaldo não tem é condição financeira e física de ir para outra cidade passar por perícia.
“E para mim ir daqui para lá sozinho, tem que levar um acompanhante junto e como eu levo, sem condições [sic]. Eu não posso. Esses dias eu fiquei três dias travado, sem poder andar”, explica Vonibaldo.
O gari Leandro Pereira Batista teve um acidente de trabalho e ficou com uma lesão na coluna. Ele passa a maior parte do tempo deitado em um pequeno quarto, que serve também como sala e cozinha. O benefício de Leandro foi cortado recentemente e ele precisa do dinheiro para comprar remédios e sustentar a família.
“Gastei dinheiro sem poder. Fui lá [Cacoal] e eles foi, me cortou [o benefício] e nem falou nada. Falaram que vai ter que recorrer depois do dia 19 desse mês, tem que marcar outra perícia para ver se encosta de novo, mas com que dinheiro eu vou?[sic]. Eu não tenho. O único salário que tinha era esse dinheiro”.
Procurada, a assessoria do INSS disse que, anualmente, solicita a recomposição de servidores junto ao Ministério do Planejamento. Informou ainda que solicitou a abertura de concurso público com mais de duas mil vagas para médico perito. Sobre o reembolso de valores gastos por beneficiários nos deslocamentos para outros municípios, a assessoria não se pronunciou.

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