Banda CPM 22 segue protocolo do novo normal ao substituir o baterista Japinha


Grupo lança o primeiro single, ‘Escravos’, com a formação anunciada nesta quarta-feira, 19 de agosto. ♪ ANÁLISE – Na sexta-feira, 21 de agosto, a banda CPM 22 lança o primeiro single, Escravos, com a nova formação do grupo paulistano formado em 1995 na cidade de São Paulo (SP) com som pautado pelo hardcore melódico. Em bom português, emo – rótulo nunca bem digerido pelo vocalista Badauí.
Apresentada nesta quarta-feira, 19 de agosto, nas redes sociais do grupo, a atual formação do CPM 22 incorpora o baterista Daniel Siqueira (egresso da banda Garage Fuzz) e o baixista Ali Zahe (ex-integrante do grupo Reffer) ao quinteto em que permanecem o vocalista Badauí e os guitarristas Luciano Garcia e Phil Fargnoli.
Daniel substitui o baterista Ricardo Japinha, cuja saída definitiva foi comunicada na segunda-feira, 17 de agosto. Japinha estava na banda desde 1999. Ali ocupa o posto de Fernando Sanches, que saiu em junho do CPM 22, grupo no qual ingressara em 2005.
Não é a primeira mudança importante na formação da banda. Em 2005, o CPM 22 perdeu Portoga, baixista que estava no grupo desde 1997. Em 2008, o guitarrista Wally – integrante da formação original do grupo – deixou o CPM 22 de forma ruidosa.
Só que há diferenças relevantes nas substituições desde ano de 2020 em relação às anteriores debandadas de músicos. Desta vez, não houve brigas ou insatisfações de um ou outro músico com os rumos da banda.
Capa do single ‘Escravos’, da banda CPM 22
Reprodução
A saída de Japinha foi fruto de erro de conduta na vida pessoal do baterista. Em 4 de junho, foi divulgada em rede social conversa entre Japinha e menina de 16 anos sobre namoro e virgindade. Na mesma semana, o baixista Fernando Sanches saiu do CPM 22 sem alegar o motivo da saída, mas em aparente protesto contra a má conduta de Japinha.
Ao serem levados a optar pela saída de Japinha da banda, os demais membros do CPM 22 seguem o protocolo do novo normal implantado na indústria da música em tempos politicamente corretos.
Continuar com Japinha na banda seria corroborar comportamento já inaceitável nestes tempos atuais, o que poria em risco a reputação de toda a banda em indústria que movimenta máquina operada com o aval de contratantes, patrocinadores (zelosos da imagem das marcas que defendem) e do próprio público, juiz das ações dos artistas que acompanha nas redes sociais.
O próprio Japinha parece ter entendido as razões dos ex-colegas de banda, a julgar pelas pacíficas declarações oficiais do baterista sobre a saída do CPM 22.
Nesse novo normal, é preciso agir com rapidez para preservar a integridade da banda. Demorar a tomar uma atitude pode se tornar erro grave. Foi o que aconteceu com a então ascendente banda goiana Carne Doce, que errou ao levar alguns meses para se decidir pela saída do baterista Ricardo Machado, acusado em 2018, em texto publicado em rede social, de ter estuprado uma mulher.
Ricardo acabou sendo expulso da Carne Doce em 2019, mas, àquele altura, a imagem da banda já estava seriamente arranhada, inclusive pela contradição de a Carne Doce se posicionar tão veementemente contra a violência contra a mulher, em discos e shows, e demorar a tomar posição fora de cena.
Atento aos sinais desses novos tempos, os integrantes do grupo CPM 22 acertaram ao afastar o baterista Japinha imediatamente após o caso vir à tona em junho e consolida o acerto ao anunciar esta semana a saída definitiva do músico da banda.
Esse é o protocolo do novo normal na indústria da música. Não basta se posicionar no show e em disco contra toda forma de opressão e violência contra a mulher se, fora de cena, a conduta de um músico contradiz a ideologia propagada pela banda.