Azul desiste de oferta pela Avianca Brasil e acusa rivais de protecionismo


No mês passado, companhia assinou um acordo não vinculante de US$ 105 milhões para compra de ativos da Avianca Brasil. O presidente-executivo da companhia aérea Azul, John Rodgerson, anunciou nesta quinta-feira (18) a desistência da oferta pela compra de parte das operações da Avianca e acusou Gol e Latam de agirem para evitar a concorrência da ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, a mais cobiçada do país.
“Nossa oferta não existe mais”, disse Rodgerson a jornalistas no Palácio dos Bandeirantes, logo após o anúncio da operação de novas rotas nas cidades paulistas de Araraquara e de Guarujá.
No mês passado, a Azul assinou um acordo não vinculante de US$ 105 milhões para compra de ativos da Avianca Brasil, incluindo slots em aeroportos e contratos de leasing de aviões da rival.
Avianca Brasil reduz 62% dos voos na Páscoa em relação a 2018
Em março, Azul assinou um acordo não vinculante para compra de ativos da Avianca Brasil
Embraer/Divulgação
“É uma pena o que os nossos concorrentes estão fazendo, tentando evitar a concorrência na ponte aérea partindo de Congonhas, porque quem vai sair perdendo é o consumidor”, disse Rodgerson.
A Gol e a Latam Airlines Brasil, afiliada da Latam Airlines, disseram no começo do mês que fariam ofertas de pelo menos US$ 70 milhões por alguns ativos da Avianca Brasil, quarta maior companhia aérea do país e que pediu recuperação judicial em dezembro.
Ainda na disputa, Gol e Latam correm risco de perder R$ 378 milhões se a Avianca Brasil não conseguir sustentar a sua operação até a data do leilão, marcado para 7 de maio, segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico.
As duas empresas já emprestaram R$ 188,7 milhões para a Avianca Brasil, de acordo com o jornal. Sem o leilão, Gol e Latam também perderiam R$ 137,6 milhões pagos ao fundo Elliott.
Voos cancelados
A companhia tem cancelado voos desde o sábado (13), reflexo de decisões judiciais que determinaram a devolução de aviões por falta de pagamento. Até a Páscoa, 314 voos deixarão de ser feitos.
Segundo a Anac, a frota da Avianca Brasil cairá de 25 para 17 aviões a partir da próxima segunda, quando outros oito aviões serão devolvidos; até a semana passada, a frota era de 35 aeronaves.