‘Aves de Rapina’ equilibra história de Arlequina com origem do time de heroínas, diz Margot Robbie


Atriz e elenco do filme falam sobre futuro da equipe feminina e da antiga vilã, maus conselhos e importância de diversidade em entrevista ao G1. ‘Aves de Rapina’: Margot Robbie e elenco falam sobre filme
Um filme solo estrelado por Arlequina era questão de tempo. Com consciência do sucesso tremendo de sua personagem em “Esquadrão Suicida” (2016), a atriz Margot Robbie decidiu aproveitar a oportunidade para introduzir mais personagens femininas dos quadrinhos da DC nos cinemas. “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” é o resultado. Assista ao vídeo acima.
O filme estreou nesta quinta-feira (6) no Brasil com um claro foco na antiga vilã, que tenta superar o fim de seu relacionamento traumático com o (totalmente sumido) Coringa, enquanto dá início a mais um possível caminho para o universo cinematográfico da editora.
“Nesse caso eu achei que poderíamos matar dois coelhos com uma só cajadada”, conta Robbie em entrevista ao G1. Ela esteve no Brasil em dezembro, junto de suas companheiras de equipe, para participar da CCXP 2019.
Mary Elizabeth Winstead, Margot Robbie, Rosie Perez, Ella Jay Basco e Jurnee Smollett-Bell em cena de ‘Aves de Rapina’
Divulgação
“Eu acho que depois de ‘Esquadrão Suicida’ as pessoas queriam ver mais da Arlequina. Mas eu queria mesmo era mais personagens femininas da DC na tela”, diz a australiana de 29 anos.
“Então essa é meio que a história de origem das Aves de Rapina, e desse ponto acho que elas podem ter uma grande longevidade nesse universo.”
Para realizar esse objetivo, ela assumiu também o papel de produtora – algo que ela afirma ter tirado de letra, mas que nem todo mundo pode concordar.
“Acho que outras pessoas acham estranho, porque quando você está tentando ter uma conversa séria, e eu esqueço que estou com a cara da Arlequina, e estou falando sobre algum problema financeiro, acho que as pessoas levam um minuto para esquecer. Mas eu não acho estranho.”
Ella Jay Basco e Margot Robbie em cena de ‘Aves de Rapina’
Divulgação
Os maus conselhos de Margot
Robbie divide a entrevista com Ella Jay Basco, atriz de 13 anos nascida em Los Angeles, filha de uma mãe coreana e um pai filipino. Em “Aves de Rapina”, a jovem interpreta Cassandra Cain, uma das Batgirls dos quadrinhos, que no filme é transformada em uma talentosa batedora de carteiras – e que desenvolve uma relação especial com Arlequina.
“O relacionamento no filme se reflete na vida real”, diz Basco. “Porque eu sinto que ela é minha heroína e irmã mais velha. E a gente se diverte muito. Às vezes quase demais.”
Apesar da fala parecida com algo tirado direto de um treinamento de mídia, Robbie ri. “Eu não dou conselhos tão ruins quanto a Arlequina”, brinca a atriz, antes de pensar melhor e corrigir:
“Na verdade, acho que eu dou maus conselhos amorosos. Especialmente ontem de noite. Você não deveria ouvir nenhum dos meus conselhos de ontem.”
“Eram histórias sobre o namorado dela”, conta Basco.
“Eu te darei conselhos de negócios, não conselhos amorosos. Como a Arlequina, não sou boa nisso.”
Margot Robbie em cena de ‘Aves de Rapina’
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Voos diferentes
No fim, a dupla representa bem a ideia do elenco principal de “Aves de Rapina”, que mistura veteranas com novatas no cinema, de raças, origens e idades diferentes. Tanto que a diversidade da produção foi um dos aspectos mais destacados durante toda a sua divulgação.
“Em 30 anos nessa indústria, sempre tive de lutar, desde o primeiro dia, pelos papéis certos”, afirma Rosie Perez, atriz de 55 anos cuja carreira começou no clássico “Faça a coisa certa” (1989).
“Tenho que dizer que o público latino de entretenimento é um dos maiores que existem. Então, por que não estar em um mega filme da DC? Por que não ter todas as cores do arco-íris e refletir o mundo real?”
No filme, ela interpreta uma versão bem aproximada da origem de Renee Montoya, uma detetive da polícia de Gotham criada originalmente – assim como Arlequina – em “Batman: A Série Animada”, exibida na TV nos anos 1990.
“Representatividade é importante. Você tem que poder se ver refletido. É legal fazer parte de um filme no qual o mundo está sendo refletido”, diz Jurnee Smollett-Bell, atriz de 33 anos em um de seus primeiros grandes papéis no cinema.
Margot Robbie, Rosie Perez, Ella Jay Basco, Jurnee Smollett-Bell e Mary Elizabeth Winstead em cena de ‘Aves de Rapina’
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Sua Canário Negro, umas das personagens mais antigas da DC, é uma grande representação desse esforço por mudança. Em “Aves de Rapina”, a super-heroína loira criada em 1947 vira uma cantora negra, mas com a mesma ligação complicada com sua mãe.
“Chegou a um ponto em que eu, quando estou escolhendo meu trabalho, é importante para mim que signifique algo além de ser um passo grande para a minha carreira”, conta Mary Elizabeth Winstead.
Apesar de apenas quase três anos mais velha que a colega, a atriz já exibe um longo currículo no cinema, que passa de “À prova de morte” (2007) a “Scott Pilgrim contra o mundo” (2010) e “Rua Cloverfield, 10” (2016).
“Pra mim isso foi mais que: ‘Ah, esse é um grande filme. Uma boa oportunidade como atriz’. Foi mais por ser uma oportunidade de fazer algo que vai fazer a diferença.”
Margot Robbie em cena de ‘Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa’
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