Até que ponto a solidão pode prejudicar o tratamento


Congresso sobre insuficiência cardíaca mostrou que risco é maior para pacientes sem o apoio de família e amigos No fim do mês passado, num congresso científico da Sociedade Europeia de Cardiologia sobre insuficiência cardíaca, foi apresentado um estudo que mostrava que menos de 10% dos pacientes portadores do problema seguem as recomendações que poderiam garantir a estabilidade do seu quadro. Orientações como a prática regular de exercícios, ou restringir o uso de sal, acabam sendo deixadas de lado, e a solidão é um dos fatores que mais predispõem as pessoas a não cuidar de si mesmas.
Solidão é importante indicador no prognóstico da adesão do paciente às recomendações médicas
Wikimedia Commons
“A solidão é o principal indicador no prognóstico da adesão do paciente às recomendações médicas”, afirmou Beata Jankowska-Polaska, professora da Universidade de Wroclaw (Breslávia). “Familiares desempenham um papel crucial na condução do tratamento, principalmente para os mais velhos, garantindo assistência e apoio emocional”, completou.
Ao abdicar de mudanças no estilo de vida e não tomar os medicamentos, aumentam as chances de o paciente necessitar de internação hospitalar. Sintomas como dificuldade para respirar, inchaço nos tornozelos e nas pernas e cansaço demonstram que o coração não está conseguindo bombear sangue com eficiência. Cresce também o risco de edema pulmonar, que é o acúmulo de líquido no interior dos pulmões.
A pesquisa considerava que seguir as recomendações significava fazer exercícios e controlar o sal o tempo todo, ou na maior parte do tempo; além disso, os pacientes deveriam restringir a dieta líquida e se pesar diariamente ou pelo menos três vezes por semana – aumento de peso pode ser um indicador retenção de líquidos no corpo. Apenas 7% obedeciam às quatro orientações, mas a adesão ao uso de medicamentos era maior: 58% tomavam os remédios prescritos.
Talvez confiando que a medicação fosse suficiente para controlar a insuficiência cardíaca, 48% não faziam qualquer exercício e 19% realizavam atividade física raramente. Além da solidão, outros fatores contribuíam para as dificuldades dessas pessoas em seguir o tratamento, como a existência de outras doenças (comorbidades) que as obrigavam a tomar até dez remédios diferentes. Para os pesquisadores, médicos e enfermeiros têm um papel fundamental no encorajamento e engajamento dos pacientes, o que inclui instruções claras e detalhadas para que não se confundam com os medicamentos.