Artista plástica gaúcha constrói réplicas em tamanho real de ‘superjacaré’ da Amazônia


Duas réplicas do Purussauro são montadas em um galpão por pesquisadores da Ufac. Uma delas será enviada ao Museu da Amazônia em Manaus. Jacaré gigante viveu na Amazônia há milhares de anos
Aline Nascimento/G1
A artista plástica Maria Alice Matusiak, de Porto Alegre (RS), tem em mãos a missão de reconstruir um dos habitantes mais antigos da história da Amazônia. Há seis meses no Acre, Maria Alice trabalha na construção de duas réplicas em tamanhos reais do Purussauro – réptil pré-histórico, que viveu no Acre há 8 milhões de anos.
As montagens do ‘superjacaré’ da Amazônia são feitas em parceria com a Universidade Federal do Acre (Acre) e com o Museu da Amazônia (Musa), em Manaus. As instituições conseguiram um convênio no valor de R$ 200 mil para as duas réplicas.
Réplicas Purussauro são construídas por artista plástica gaúcha em Rio Branco
“Estamos fazendo uma reconstrução, porque o crânio existe, está lá no laboratório, mas o restante não existe desse crânio. Não foi encontrado o bicho inteiro, só partes, que não pertencem a esse crânio. Estou fazendo ossos que são proporcional a esse crânio”, explicou Maria Alice.
Os trabalhos são feitos dentro de um galpão, no Conjunto Tucumã, em Rio Branco. A expectativa é de que até março a réplica da Ufac esteja montada e pronta para exibição. Já a réplica do Musa vai ser levada desmontada para a capital amazonense, Manaus.
Crânio de Purussauro achado em Assis Brasil em 1986 está disponível para visitação na Ufac
Aline Nascimento/G1
Em julho de 2019, foram achados os fósseis mais recentes de um crânio do animal. O menino Robson Cavalcante, de 11 anos, achou a mandíbula de um Purussauro quando pescava com o pai, o carpinteiro José Militão em Brasileia, interior do Acre. Um paleontólogo da Ufac foi para o local fazer a remoção.
Dias depois, o carpinteiro continuou as escavações e achou mais vestígios do Purussauro. Ele encontrou o crânio e completou a cabeça do animal. Os fósseis estão no laboratório de paleontologia da Ufac na capital acreana.
O laboratório abriga um outro crânio do réptil, montado e exposto para exibição. O fóssil foi encontrado em Assis Brasil, em 1986, pelo professor Jonas Filho. Além do crânio, existem outros ossos de um Purussauro que foram achados ao longo dos anos.
“As peças achadas em Brasileia são iguais aos fósseis encontrados em Assis Brasil, em 1986, que já está tecnicamente melhorada e pronta. Os outros [fósseis] estão no grosso do achado. Temos muitos anos de trabalho ainda sobre eles”, explicou o professor da Ufac e paleontólogo, Jonas Filho.
Fóssil achado em Brasileia está no laboratório de paleontologia da Ufac desde o ano passado
Aline Nascimento/G1 AC
Réplicas
Maria Alice chegou ao Acre em agosto do ano passado. Até o mês de outubro, ela ficou dentro do laboratório de paleontologia estudando sobre o Purussauro, juntando referências, análises, dados e todo material que pudesse ajudar na elaboração das peças para as réplicas.
Cada réplica vai medir 12 metros, que é o tamanho médio que tinha um Purussauro, segundo os estudiosos. O crânio do animal reproduzido mede 1,45 metro, e cada reprodução vai ter mais de 200 peças.
A artista plástica disse que as peças são produzidas com argila. Com o molde pronto, a peça é colocada na resina e preenchida com poliuretano, também conhecido como espuma expansiva.
“A partir do crânio, é uma escultura, baseada em recentes descobertas. Estamos modelando, faço o molde e passo para a resina, que resiste ao tempo, pode pegar chuva e sol”, detalhou.
Paleontólogo da Ufac explica sobre montagem das réplicas do Purussauro
Estudos
O professor Jonas Filho explicou que as peças são construídas a partir de um crânio já montado. Ele acrescentou que o projeto é um sonho antigo da universidade e agora é possível sair do papel devido à parceria.
“Está olhando o que já tem, não está inventando nada, é construção a partir do que já se tem. Já temos a cabeça feita. Durante muito tempo, nós, pesquisadores da Ufac, sonhamos em montar um Purussauro em tamanho real para fazer parte da exposição. Mas, como isso custava caro nunca conseguimos financiamento”, acrescentou.
Além do Musa, o professor disse que uma universidade do estado de Minas Gerais já demonstrou interesse em também ter uma réplica do animal no campus.
“Isso demonstra o quão importante que tem sido esse animal no contexto da paleontologia brasileira e mundial. Purussauro é o maior réptil conhecido depois da extinção dos dinossauros. Aqui temos a melhor coleção de fósseis da Amazônia do mundo. Todo canto tem fóssil da Amazônia, mas não tão completos. Temos seis mil fósseis aqui”, concluiu.
Réplicas são montadas em um galpão no Conjunto Tucumã, em Rio Branco
Aline Nascimento/G1 Acre