Após mortes de quatro bebês no HC-UFTM, exames descartam KPC, mas confirmam outra bactéria

Outros dois recém-nascidos apresentam a bactéria Enterobacter cloacae multissensível e recebem tratamento em Uberaba. Hospital investiga fonte de contaminação.  O resultado dos exames realizados a partir de amostras sanguíneas dos recém-nascidos que morreram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), em Uberaba, aponta que os bebês apresentaram crescimento da bactéria Enterobacter cloacae multissensível, que não é uma bactéria multirresistente. As hemoculturas comprovam que não houve contaminação pela bactéria KPC. As informações foram divulgadas em nota pela assessoria do hospital na manhã desta quarta-feira (21).
Segundo o HC-UFTM, não houve novos óbitos e dos 18 bebês que estão na UTI Neonatal do hospital, dois apresentam a bactéria Enterobacter cloacae multissensível, e estão recebendo tratamento para a infecção. “O Hospital de Clínicas continua a investigação para identificar a fonte de contaminação”, disse em nota.
O hospital também infomou que, por enquanto, a Unidade de Cuidados Intermediários foi adaptada para fornecer oito leitos de apoio à demanda interna, ou seja, para bebês internados em outras unidades do HC que precisem de cuidados intensivos e gestantes já internadas que apresentem trabalho de parto prematuro.
“Todas as medidas ligadas à higiene e prevenção de infecções estão sendo tomadas, em observância estrita aos protocolos da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares do Hospital de Clínicas. Não houve interdição do HC-UFTM por órgãos sanitários. A decisão por não receber novos pacientes na UTI Neonatal, no período, é uma medida interna de precaução”,
De acordo com a assessoria, o episódio de colonizações pela bactéria KPC, que ocorreu em 2017, não atingiu a UTI Neonatal. Também não há nenhum paciente com infecção por KPC no complexo hospitalar.
Mortes de recém-nascidos no HC
Na manhã de terça-feira (20), a Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Superintendência Regional informou que recebeu a notificação de quatro óbitos de recém-nascidos no HC por infecção, mas sem ainda a identificação de agente etiológico. As mortes ocorreram entre a noite de segunda (19) e a madrugada de terça-feira.
Ainda na terça, o HC-UFTM comunicou que enquanto a suspeita de presença de qualquer bactéria estiver sob investigação, a UTI Neonatal não receberá novos pacientes. Também em nota, o hospital informou que nenhum paciente será transferido e que todas as medidas ligadas à higiene, desinfecção e prevenção de contato estão sendo tomadas, em observância estrita aos protocolos da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH) do Hospital de Clínicas.
Ações estratégicas
Representantes de setores da Saúde participaram de uma reunião nesta quarta-feira (21) e defiram ações sobre o encaminhamento de recém-nascidos que precisarem de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) enquanto a UTI Neonatal do HC-UFTM não estiver recebendo novos pacientes.
Ficou definido que próximos recém-nascidos que precisarem de UTI serão encaminhados para o Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU). Nesta terça, a direção do MPHU havia informado que conta com 19 leitos de UTI Neonatal, sendo seis vagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas que o hospital não tem capacidade de suprir toda a demanda de UTI Neonatal de Uberaba e região.
Porém, o coordenador de regulação, José Natal, disse na reunião que o MPHU vai receber os pacientes inclusive nos leitos particulares, já que o Estado se comprometeu a pagar pelos custos.
Segundo Natal, se forem necessários mais leitos, os pacientes serão encaminhados para outras cidades da região, como Uberlândia, Araguari, Patos de Minas e Passos.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi notificado pelo hospital e instaurou inquérito civil para acompanhar a situação. A promotora de Justiça de Saúde, Cláudia Alfredo Marques, comentou que é preciso garantir a assistência a todas as crianças que precisem de atendimento de UTI.
“Como os leitos existentes em Uberaba são ajustados para a quantidade de pessoas da população local, o trabalho e o atendimento para as gestantes, são sempre muito apertados e sempre faltam vagas. E nessa situação piora ainda mais. Há necessidade de recorrer a outros prestadores inclusive de outras regiões que não seja de Uberaba”, acrescentou a promotora.

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