Após França reforçar oposição a acordo UE-Mercosul, Mourão cita desmatamento na Guiana Francesa

Franceses apontam alta no desmatamento no Brasil como causa da rejeição ao acordo. Segundo Mourão diz que Guiana Francesa também tem desmatamento e garimpo ilegal. Após o governo francês ter acesso a um relatório sobre desmatamento no Brasil e reforçar a oposição à versão atual do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira (18) que a Guiana Francesa também tem registros de desmatamento e mineração ilegal.
A Guiana Francesa é um departamento ultramarino que a França possui na América do Sul. A região faz fronteira com o Brasil e tem parte de seu território coberto pela floresta amazônica. O garimpo ilegal é um dos problemas nesta porção da Amazônia.
Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, comentou a posição do governo francês, confirmada pelo gabinete do primeiro-ministro Jean Castex, durante uma videoconferência com os ex-ministros do governo Michel Temer, Sérgio Etchegoyen e Raul Jungmann.
Mourão citou as ilegalidades na Guiana Francesa, disse se tratar de uma “opinião” do primeiro-ministro e defendeu a via diplomática para mostrar aos países europeus que o acordo, anunciado em 2019, mas que não entrou em vigor, será benefício para União Europeia e Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).
“É uma opinião do primeiro-ministro francês de que o acordo Mercosul-União Europeia não deve ser ratificado pelo parlamento francês pela questão desmatamento. Ora, vamos lembrar que na Guiana Francesa nós temos garimpo ilegal e temos desmatamento, é uma província francesa, mas não vou colocar a discussão nesse nível, essa é aquela discussão do nível baixo”, declarou Mourão.
O vice-presidente citou que o acordo abrirá o Mercosul para produtos industrializados dos países da União Europeia. Ele frisou que, por meio do diálogo aberta e de ações de combate a crimes ambientais, é preciso mostrar aos países a “realidade do que acontece na Amazônia”.
“Existem problemas? Existem, mas não é um problema generalizado da forma como se coloca. A questão dessas ilegalidades, ela ocorre praticamente nas áreas antropizadas da Amazônia, a maioria delas há mais de 20 anos, 30 anos ocupada por propriedades rurais”, acrescentou.
Único país do Mercosul com território coberto pela floresta amazônica, o Brasil é alvo de críticas desde o ano passado, em razão da política ambiental do governo do presidente Jair Bolsonaro.
Em julho, organizações ambientais e de direitos humanos europeias apresentaram um pedido ao ombudsman do bloco para que o processo de ratificação do acordo de livre comércio fosse interrompido.
Com restrições na área ambiental, três parlamentos na Europa (Áustria, Holanda e o da região da Valônia, na Bélgica) anunciaram que não darão seu aval ao acordo de livre comércio, negociado ao longo de duas décadas.
O acordo também é alvo de críticas na França. O primeiro-ministro do país, Jean Castex, argumenta que o desmatamento ameaça a biodiversidade e o clima. A França, junto com outros países, deseja impor condições ambientais para que as negociações avancem.
Para entrar em vigor, o acordo de livre comércio precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos, o que ainda não aconteceu.