Após fazer Enem para incentivar o filho, mãe volta a estudar e tenta vaga no ensino superior no Piauí


Tatiana Lima teve que interromper sua educação quando era mais jovem, mas, depois de fazer o exame a pedido do filho, decidiu concluir os estudos e tentar ingressar na universidade. Auxiliar de serviços gerais fez prova a primeira vez para estimular o filho e decidiu tentar novamente
Suzana Aires/G1
Aos 42 anos, a auxiliar de serviços gerais Tatiana Lima fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 em Teresina, neste domingo (17). Ao G1, ela contou que essa é a terceira vez que ela fez o exame, mas, diferente das outras vezes, que ela fez para estimular os filhos, desta vez o objetivo é conseguir uma vaga no ensino superior.
“Na primeira vez meu filho me chamou para fazer, disse que iria incentivá-lo. Mas agora é por motivo próprio. Quero lutar e conseguir um diploma. Não tive oportunidade quando era mais nova, apareceu agora que tenho a idade mais avançada, mas estou indo à luta”, afirmou Tatiana.
Tatiana relatou que quando era mais nova teve que parar de estudar, mas depois que fez o Enem pela primeira vez decidiu voltar aos estudos. Durante dois anos ela frequentou o Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade de ensino destinada a pessoas que não completaram os estudos regularmente, na idade apropriada.
Após terminar o EJA, em 2019, ela fez o Enem pela segunda vez, mas não conseguiu uma vaga. Contudo, Tatiana não desistiu e espera conseguir uma vaga no curso de serviço social. “Por conta da pandemia, estudei em casa com meu filho, assistindo aulas pela TV”, relatou.
Incentivo entre irmãos
Engenheiro civil faz o Enem há 4 anos para estimular as duas irmãs, que tentam vaga na universidade
Suzana Aires/G1
Outra família em que os membros incentivam uns aos outros é a do engenheiro civil Francisco Marcolino, de 25 anos. Mesmo formado, ele faz o Enem há cerca de quatro anos para estimular as irmãs, uma de 21 e outra de 16 anos.
“Nós temos uma brincadeira de quem faz a melhor pontuação. Todos os anos fico atrás delas, porque elas têm mais tempo para se preparar. É uma forma boa de incentivo principalmente para elas que ainda estão almejando entrar no ensino superior”, disse.
No Enem 2020, Francisco gostou da escolha do tema: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. “É um assunto que muitas famílias convivem com isso. É algo muito debatido na mídia, nas escolas. Foi um bom assunto para ser abordado”, afirmou.
Enem na pandemia
Fechamento dos portões do Enem em Picos
Antônio Rocha/TV Clube
Nesta edição, o Enem acontece em meio à pandemia da Covid-19 e os candidatos tiveram que se preocupar em se sentir seguros não só com relação ao domínio dos conteúdos, mas também quanto a evitar a contaminação pelo novo coronavírus.
Para garantir isso, algumas mudanças foram feitas pela organização, como a abertura dos portões nos locais de provas 30 minutos mais cedo do que anos anteriores – meio-dia -, para evitar aglomerações. O uso de máscara também foi obrigatório.
Mesmo com as precauções, houve aglomeração de candidatos do lado de fora e na entrada de alguns locais de prova. Marina Borges, de 19 anos, que fez o Enem em uma faculdade na Zona Sul de Teresina relatou que o distanciamento nas salas também não foi respeitado.
“Tinha algumas cadeiras muito próximas, mas os outros protocolos foram respeitados e me senti segura enquanto fazia a prova”, contou.
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