Após debate morno, estrategistas de Alckmin defendem campanha na TV para confrontar Bolsonaro


TV Bandeirantes reuniu em debate os candidatos Alvaro Dias (Pode), Cabo Daciolo (Patriota), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSL), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT)
Paulo Whitaker / Reuters
O primeiro debate presidencial na TV dividiu opiniões entre as campanhas dos principais candidatos, mas servirá de “termômetro” para “calibrar” a estratégia no horário eleitoral de Geraldo Alckmin, por exemplo.
O blog ouviu políticos e marqueteiros das principais campanhas. Aliados de Alckmin admitem que foi calculada a estratégia de o tucano evitar o confronto direto com Jair Bolsonaro, a quem considera seu principal adversário nesta primeira fase porque ele aposta no farto tempo de TV para “desconstruir” o adversário. De preferência, afirmam, nas peças em que Alckmin não apareça- os chamados spots, rápidas inserções.
A avaliação do QG tucano é a de que o eleitor tende a desconfiar da crítica ou ataque quando parte da boca de um político tradicional e em um momento em que o PSDB está desgastado por conta das denúncias de corrupção envolvendo seus principais líderes.
Por isso, a campanha de Alckmin avalia a melhor estratégia na TV para desidratar o adversário do PSL. Diz um aliado do tucano: “Alckmin ontem foi Alckmin. Excessivamente técnico. Se no debate foi pouco confronto, na propaganda pode haver mais”.
A campanha tucana admite que Ciro Gomes (PDT) foi “claro” no debate. E que, se tivesse falado mais, teria “dado trabalho”.
A avaliação de que falou pouco é uma das principais queixas de aliados do ex-governador do Ceará.
A vice de Ciro, senadora Katia Abreu, disse ao blog: “Não deixaram Ciro falar propositadamente . Entre a palavra inicial e a segunda vez que falou deu uma hora e 15. Ele é o mais objetivo”, defendeu a aliada.
Sobre Bolsonaro, as principais campanhas avaliam que o candidato se preparou e diminuiu o tom em comparação com outras falas públicas, como a entrevista ao Roda Viva, e que ele se beneficiou com o “fator cabo Daciolo”.
Avaliam, inclusive, que o candidato do Patriota lembrou, na atuação no debate quando em sintonia com Bolsonaro, a dobradinha que Aécio Neves (PSDB) fez com pastor Everaldo (PSC) em 2014. Naquela ocasião, o candidato do PSC fazia perguntas para ajudar o tucano.
Nas palavras de um assessor tucano, “levantava para Aecio cortar”.

Editoria de Arte / G1