Após Bolsonaro prometer aos EUA zerar desmatamento ilegal, representante da Casa Branca cobra ‘ações imediatas’


John Kerry, enviado especial do governo americano sobre o Clima, reconheceu que o compromisso apresentado pelo presidente brasileiro é importante. John Kerry, enviado especial dos EUA para questões do clima, em reunião nos Emirados Árabes neste sábado, 3 de abril
WAM/Reuters
O enviado especial da Casa Branca para o Clima, John Kerry, disse nesta sexta-feira (16) que o compromisso apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro em eliminar o desmatamento ilegal até 2030 é “importante” e cobrou “ações e comprometimento” ao Brasil.
“Esperamos ações imediatas e comprometimento com as populações indígenas e a sociedade civil para que esse anúncio possa entregar resultados tangíveis”, escreveu Kerry no Twitter.
O pedido de Kerry vai na linha da carta enviada por Bolsonaro ao presidente dos EUA, Joe Biden, em que o brasileiro afirmou que pretende escutar “entidades do terceiro setor”, “indígenas” e “comunidades tradicionais” para combater o desmatamento sem medidas de “comando-e-controle”, mas com “alternativas que reduzam o apelo das atividades ilegais”.
“Para tanto, queremos ouvir as entidades do terceiro setor, indígenas, comunidades tradicionais e todos aqueles que estejam dispostos a contribuir para um debate construtivo e realmente comprometido com a solução de problemas” afirmou Bolsonaro, na carta.
Em carta a Biden, Bolsonaro promete eliminar desmatamento ilegal na Amazônia até 2030
Bolsonaro foi um dos 40 líderes mundiais convidados por Biden para participar de uma reunião sobre clima. A chamada “Cúpula dos Líderes sobre o Clima” será nos dias 22 e 23 de abril e ocorrerá on-line, com transmissão ao vivo.
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De acordo com um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o desmatamento na Amazônia em 2020 foi o maior dos últimos dez anos, com um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Segundo dados de Satélite, cerca de 8 mil km² de floresta foram derrubados.
Cobrança por transparência
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Rafael Aleixo/Setec/Divulgação
No início do mês, cerca de 200 organizações não governamentais cobraram de Biden que as reuniões sobre meio ambiente com o governo Bolsonaro não ocorressem a portas fechadas e pedia a inclusão da sociedade civil e dos povos locais nas negociações.
A carta apontava que negociações e acordos entre os países que não levem em conta a sociedade civil, os governos subnacionais, a academia e populações locais representam endosso ao que chamam “tragédia humanitária e ao retrocesso ambiental e civilizatório imposto por Bolsonaro”.
O documento também defendia que nenhum acordo deve ser firmado com o governo do presidente Jair Bolsonaro antes que o desmatamento na Amazônia seja reduzido aos níveis determinados pela Política Nacional sobre Mudança do Clima.