Após 3 meses do incêndio, famílias cobram liberação para habitar área atingida


Sinistro ocorreu no dia 30 de dezembro de 2017, deixando 16 famílias desabrigadas. Elas pedem que poder público libere área para reconstrução de casas. MP emitiu parecer negativo sobre retorno. Depois de 3 meses sem resposta do poder público, famílias atingidas por incêndio em Macapá pedem solução
Corpo de Bombeiros/Arquivo
Nesta sexta-feira (30) completa três meses o incêndio ocorrido no bairro Beirol, na Zona Sul de Macapá, e que deixou 16 famílias sem moradia. A maioria ficou apenas com a roupa do corpo. Os moradores, que desde o sinistro vivem em residências de parentes ou aluguel social, cobram providências do poder público.
Como o terreno fica em área urbana da capital, a prefeitura é a responsável pela área. Procurada, a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semast) informou que o processo estava sendo analisado pelo Ministério Público do Amapá.
Incêndio atinge casas em área de periferia na Zona Sul de Macapá
O incêndio iniciou por volta das 17h do dia 30 de dezembro de 2017, atingindo as casas e deixando famílias desabrigadas na região conhecida como passarela do Vasco da Gama.
A família da aposentada Maria de Jesus Pereira, de 69 anos, foi uma que não conseguiu salvar nada e que hoje vive num dos quartos da casa de uma filha, na mesma ponte onde ocorreu o incêndio. Ela chora ao lembrar do fogo que consumiu os imóveis.
“Minha casa tinha 5 quartos, moravam 21 pessoas, marido, filhos, netos, genros e noras. Morávamos há mais de 23 anos na área e, de repente, me vi sem nada. Sou pobre, mas eu tinha as minhas ‘coisinhas’. Estava pagando geladeira, fogão, e agora estou pagando sem usar nada”, relembrou.
Maria de Jesus Pereira diz que perdeu tudo
Rita Torrinha/G1
Ela fez um apelo às autoridades, pedindo liberação para reconstruir a casa onde morava.
“A única coisa que quero é apelar para os governantes, que deixem a gente fazer a nossa casa de volta. É muito triste a gente não ter casa, muito triste mesmo. Amanhã é sexta-feira santa, dia em que Cristo sofreu, e nós estamos sofrendo também. Estamos morando todos separados, de favor na casa dos filhos e irmãos, e ninguém nos dá uma solução”, acrescentou.
Incendio no bairro Beirol deixou dezenas de vítimas em Macapá
Jailson Santos/Rede Amazônica
Na época, o caso sensibilizou e mobilizou moradores de Macapá. A prefeitura da cidade e o governo do estado informaram que prestaram assistência aos afetados, com a garantia de aluguel social para cerca de 9 famílias. Muitos órgãos se envolveram na situação, incluindo instituições ligadas ao meio ambiente.
Na terça-feira (27), a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, Conflitos Agrários, Habitação e Urbanismo de Macapá (Prodemac) emitiu parecer negativo sobre o retorno das famílias ao local. A justificativa é que a natureza do local é prejudicada com as ocupações, segundo estudo técnico do Instituto de Estudos e Pesquisas Tecnológicas do Amapá (IEPA).
O Ministério Público considerou que o direito à moradia das famílias é fundamental, assim como a preservação ambiental, mas alegou que existem outros meios de garantir a habitação sem sacrificar o meio ambiente, como o planejamento e execução de políticas públicas sociais pelos poderes executivos Municipal e Estadual.
Lono Jhones Freitas olha com tristeza para o espaço onde antes ficava a casa dele
Rita Torrinha/G1
O músico Lono Jhones Freitas, de 39 anos, contesta a decisão e não aceita.
“A área em que vivemos é realmente de invasão, mas ocupada há mais de 30, 40 anos. Após 3 meses se começou a falar que nós não poderemos mais retornar para lá, devido a estudos que concluíram que a flora e fauna deve ser protegida. E nós, humanos, como ficamos?”, falou.
O morador ressalta que a própria comunidade está, desde o início, realizando eventos como rifas, bingos, brechós e outras ações para angariar recursos e ajudar a cada uma das famílias a reerguerem as casas.
“Minha família sou eu, esposa e meus dois filhos e hoje estamos de favor na casa da minha sogra, num quarto medindo 3 por 3. Não salvei nada além da minha bicicleta, que estava no pátio. Não queremos ajuda dos governos com nada, apenas que liberem a região para construirmos com nossas próprias mãos as nossas casas”, disse Freitas.
Um total de 5 casas queimaram totalmente e 4 parcialmente. São 89 pessoas afetadas, entre idosos, crianças e adultos.
Dolores Martins Leão passou a morar na casa da filha após o incêndio
Rita Torrinha/G1
Dolores Martins Leão, de 80 anos, lembra com tristeza do dia 30 de dezembro do ano passado. Na casa dela moravam sete pessoas, entre filha, genro e netos.
“Fui acolhida pela minha filha e durmo no quarto da minha neta. Ninguém perdeu a vida, graças a Deus, mas o que tinha dentro da minha casa não escapou nada. Eu tinha de um tudo dentro da minha casa, minha televisão, geladeira, fogão. Não consegui tirar nem uma agulha. Uma das filhas está no aluguel social e outra conseguiu um apartamento em um habitacional”, finalizou.
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