Aos 82 anos, Glenda Jackson é o rei Lear na Broadway


Atriz encarna um dos principais personagens de Shakespeare em maratona de oito sessões por semana Interpretar o rei Lear, protagonista de uma das tragédias mais poderosas de Shakespeare, é considerado, no meio teatral, algo como escalar o Everest. A pouco mais de um mês de completar 83 anos, a atriz inglesa Glenda Jackson agora encarna o soberano na Broadway – a estreia oficial é nesta quinta-feira e a temporada vai até 7 de julho. Vencedora de dois Oscars, ela se afastou da carreira entre 1992 e 2015: nesses 23 anos, esteve no parlamento britânico, como membro do Partido Trabalhista (Labour Party). Em 2016, encenou a peça em Londres e agora encara uma maratona que deixaria muitos jovens sem fôlego: são oito sessões, com duração de três horas e meia, por semana.
Glenda Jackson como rei Lear: volta aos palcos depois de 23 anos no parlamento britânico
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De acordo com o jornal “The New York Times”, a peça não poderia ser mais atual para discutir a turbulência e a crise de lideranças que o mundo enfrenta. Em entrevistas, Glenda afirmou que Shakespeare é o “dramaturgo mais contemporâneo que existe”. Ela não é a primeira atriz a interpretar o personagem masculino, mas já declarou que as diferenças entre os sexos vão se dissolvendo com o envelhecimento.
O monarca decide dividir o reino entre as filhas, mas sua preferida, a caçula Cordélia, vivida por Ruth Wilson, acaba sendo banida pelo próprio pai porque não o bajula como as irmãs. No entanto, Goneril (Elizabeth Marvel) e Regan (Aisling O´Sullivan) traem o rei, que se vê só, sem poder ou afeto. Impressionadas com a vitalidade da companheira de palco, as três a chamam de “the beast” – aqui diríamos “monstro”.
Glenda nasceu em 1936, numa família pobre, e aos 16 anos largou a escola. Mais tarde conseguiu uma bolsa de estudos na Royal Academy of Dramatic Art, mas enfrentou um período de quase penúria ao lado do marido, o também ator Roy Hodges. Avessa ao culto às celebridades e conhecida pela língua afiada, ele vive com o filho, o colunista político Dan Hodges, e conta que, quando não está trabalhando, ajuda a cuidar do neto, de 11 anos, com quem tem longas discussões sobre o que pode e o que não pode ser visto na internet. Na entrevista dada ao “The New York Times”, disse: “sou de uma geração criada por mulheres. Os homens todos tinham ido para a guerra, para defender nossa liberdade, e eram elas que faziam o país funcionar”.
Ao lado de George Segal, no filme “Um toque de classe”, que lhe valeu um Oscar em 1973
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