Aos 58 anos e vivendo em abrigo de Mogi das Cruzes, ex-presidiário luta por vaga no Enem: ‘Me acendeu a luz’


Wilder conta que foi usuário de drogas e chegou a viver nas ruas, mas diz que encontrou apoio em abrigo e agora estuda para conseguir vaga em faculdade. Morador de Mogi que vive em um abrigo luta para estudar e realizar a prova do Enem
Se para algumas pessoas estudar é uma obrigação, para outras é meta. Principalmente quando a caminhada até esse objetivo é cercada por obstáculos e pela necessidade incessante de se superar.
É assim que o Wilder Pinto de Souza encara esse sonho. Aos 58 anos e morando em um abrigo em Mogi das Cruzes, ele decidiu estudar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e quer virar exemplo.
“Fui regresso da detenção, na penitenciária. Já morei na rua, já usei droga, já bebi. Agora não faço mais uso disso”, diz. “Agora eu me inscrevi no Enem. Vou prestar o Enem e tentar uma vaga na faculdade, se eu conseguir, pra fazer o curso de assistente social”.
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A vida de Wilder é cheia de histórias. Algumas felizes, outras nem tanto. Longe da família, ele conta que passou por vários abrigos e foi dominado pelos vícios. Chegou a uma situação que nunca imaginou.
Porém, encontrou oportunidade e, com muita ajuda, decidiu criar forças para superar tudo isso e brilhar com o suporte da educação. “Em matéria de estudos, comecei por causa de uma psicóloga que me incentivou”, conta.
“Parece que me acendeu a luz, né? Estava apagada, não sei. Sei lá, eu tomei as rédeas da minha vida e estou tentando”.
Mesmo com tudo caminhando, Souza pensou em desistir, mas seguiu forte. Agora leva a sério uma rotina de estudos, que exige esforço e educação. Ele espera inspirar pessoas que, como ele, conheceu de perto grandes dificuldades.
“Eu vejo que tem pessoas aqui no abrigo que têm potencial, só que não desenvolvem, não vão atrás, não têm um incentivo. A pessoa fica na ociosidade, bebendo, usando drogas, dormindo na rua”.
Aos 58 anos e vivendo em abrigo de Mogi das Cruzes, ex-presidiário luta por vaga no Enem
Reprodução/TV Diário
“Tem pessoas novas, fortes aí, bem mais novas que eu, bem mais saudáveis, que poderiam estar trabalhando, poderiam estar estudando, fazendo um curso, e não querem”.
“Quem sabe, eles vendo a minha luta, talvez, não vamos dizer que seja, pode ser um incentivo”.
O estudante mostra que nunca é tarde para recomeçar. “Essa juventude tem que abraçar a educação. Tudo é fundado na educação. Se a pessoa não tiver educação, ela não tem vida, não tem futuro”.
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