Anda SP: Uso da bicicleta como principal meio de transporte cresceu 24% desde 2007

Dados da pesquisa do Metrô compilados pelo Anda SP mostram o perfil do ciclista que circula pela região metropolitana de São Paulo. Pesquisa mostra que região metropolitana concentra 42 milhões de viagens por dia
A pesquisa Origem e Destino, divulgada pelo Metrô de São Paulo nesta quarta-feira (3), mostra que o uso da bicicleta como meio principal de deslocamento cresceu 24% desde 2007 na capital paulista. Em 2007, eram 304 mil pessoas utilizando a bicicleta como meio de transporte. Na última pesquisa, de 2017, eram 377 mil.
O Anda SP analisou o banco de dados da pesquisa e verificou que mais de 107 mil pessoas usam bikes todos os dias na região metropolitana. O crescimento do uso da bicicleta foi maior entre os entrevistados de alta renda: o índice de utilização no grupo que tem renda familiar acima de R$ 11 mil aumentou quase 400%.
As informações mostram que o ciclista paulistano médio é homem (90% do total), tem entre 31 e 40 anos e não possui carro ou moto. Cerca de 40% tem ensino médio completo ou o superior incompleto. A maioria das viagens (68% do total) de bicicleta é relacionada ao trabalho.
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Adeptos da bike
O publicitário Anderson Augusto começou a usar a bicicleta como meio de transporte em 2000 e desde 2008 não tem mais carro.
Ele chega a circular mais de 30 quilômetros por dia visitando clientes e anda sempre com uma câmera presa ao corpo para gravar os obstáculos que os ciclistas encontram diariamente.
“A cidade é de todo mundo, o espaço é público, mas existe ainda essa falta de respeito ou incompreensão do motoristas da bicicleta como veículo”, avalia Anderson Augusto.
Outra opção muito comum na cidade é utilizar a bicicleta apenas em um trecho do caminho até o trabalho. É o que acontece com os cilicistas que estacionam na estação Mauá da Linha 10–Turquesa da CPTM.
O bicicletário da estação foi inaugurado em 2001 já com mais de 200 sócios. Desde então o número de ciclistas que deixam a bike ali não parou de crescer: hoje 700 pessoas guardam as bicicletas na estação antes de começar uma nova parte da viagem para o trabalho.
É o caso da Maria da Silva Oliveira, empregada doméstica que descobriu que o trajeto entre Mauá e Santo Amaro é mais rápido de bike e trem do que usando o ônibus direto que conecta as duas cidades.
“Em vez de meia hora com trem e bike, de ônibus demoro até duas horas”, explica. “Depois de duas horas em pé você já chega no trabalho cansado.”
* Carolina Giancola, Philipe Guedes, Willian Okada, Gianvitor Dias, Luiz Fernando Toledo, Douglas Campos, Rafael Macedo, Rodolfo Viana, Leandro Oliveira, Rodrigo Esteves, Pedro Favali, Adriano Bini e Fabio Levy