América Latina vive ‘novo renascimento feminista’, diz escritora chilena


Diamela Eltit é vencedora do Prêmio FIL de Literatura 2021,considerado o encontro literário de língua espanhola mais importante do mundo. Ela faz parte de geração que abriu espaços de reflexão sobre sexualidade, política e identidade de gênero. Escritora chilena Diamela Eltit em foto de 2011
Francisco García/Notimex/ Notimex via AFP
A escritora chilena Diamela Eltit, vencedora do Prêmio FIL de Literatura 2021, afirma que a América Latina vive “um novo renascimento feminista” com mulheres que lutam por melhores condições de vida, reivindicam seus corpos e exigem o fim da violência de gênero.
“Os feminismos são diversos, há muitas opções, muitas buscam outros horizontes, o interessante é evitar a ruptura” entre as mulheres, disse Eltit à AFP em entrevista na Cidade do México, onde recebeu o Prêmio Internacional Carlos Fuentes de Criação Literária 2020.
A autora de obras como “Jamais o fogo nunca” (2007) lembrou que o Chile vive desde 2018 “uma rebelião feminista”, após a eclosão de enérgicas manifestações pela erradicação do “machismo predominante” e o patriarcado.
“As mulheres se juntaram de forma massiva para pedir melhores condições de vida, para reivindicar o corpo, não como objeto, mas como sujeito político”, apontou.
Eltit, de 72 anos, pertence a uma geração de escritores chilenos que, na década de 1980, abriu espaços de reflexão sobre questões como sexualidade, política e identidade de gênero.
E, para ela, a lei de interrupção da gravidez aprovada em dezembro de 2020 na Argentina graças à luta feminista, representou uma grande mudança para os direitos reprodutivos na América Latina.
“O corpo da mulher ainda pertence ao sistema jurídico e, em outros casos, à religião, porque controlaram a mulher, confiscaram seu útero”, lamentou, porém, a também ganhadora do Prêmio Nacional de Literatura do Chile em 2018.
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REUTERS/Agustin Marcarian
Longo caminho pela frente
Embora esteja otimista com os avanços do feminismo na região, ela alertou que “o caminho pela frente é longo”.
Enquanto discussões como as que estão ocorrendo sobre o assédio sexual – que têm levado homens à prisão nos Estados Unidos – avançam, questões como disparidade salarial ainda persistem, indicou.
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“As mulheres ganham menos, o que significa que pelo sistema valemos menos. Essa desvalorização é algo que devemos tentar reduzir”, disse.
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Com mais de vinte livros publicados, incluindo “Lúmperica” (1983), “Vaca Sagrada” (1991) e “Impuesto a la carne” (2010), a obra de Eltit será duplamente premiada no México, onde viveu entre 1990 e 1994.
Em novembro, receberá o prêmio da Feira Internacional do Livro (FIL), considerado o encontro literário de língua espanhola mais importante do mundo.
“Foi uma surpresa emocionante, linda (…) Ainda estou impressionada com os prêmios”, concluiu.