Amazon compra participação em app britânico de entrega de comida


Investimento coloca a Amazon como concorrente do Uber Eats nesse mercado. Parlamentar britânico afirmou que vai questionar órgãos reguladores sobre investimento. Deliveroo recebeu aporte em rodada de investimento liderado pela Amazon.
Neil Hall/Reuters
A Amazon comprou uma participação relevante na empresa britânica de entrega de comida Deliveroo, liderando uma rodada de investimentos que vai aportar US$ 575 milhões na startup. Com o negócio, a varejista deve fazer frente à Uber Eats na corrida global para dominar o mercado de entregas de refeições.
O fundador e presidente-executivo da Deliveroo, Will Shu, disse que a captação de recursos permitirá que o grupo, atualmente deficitário, aumente seu alcance, desenvolva tecnologia e busque inovações, como expandir suas próprias cozinhas que podem ser alugadas a restaurantes para atender à demanda.
A Deliveroo não divulgou números sobre a participação da Amazon. A empresa já levantou US$1,53 bilhão até o momento.
“A Amazon tem sido uma inspiração para mim, pessoalmente e para a empresa, e estamos ansiosos para trabalhar com uma organização tão obcecada pelo cliente”, disse Shu, um ex-banqueiro do Morgan Stanley que lançou a Deliveroo depois de se mudar dos Estados Unidos para Londres e descobrir a falta de opções de entrega quando trabalhava até tarde. Ele diz que ainda entrega refeições uma vez por semana para entender o trabalho dos entregadores.
Com sede em Londres, a Deliveroo emprega 60 mil pessoas vestidas com jaquetas pretas e azul-petróleo para entregar refeições de mais de 80 mil restaurantes e pontos de venda em 14 países, incluindo França, Alemanha, Hong Kong, Cingapura e Kuwait.
A Amazon já havia tentado investir na companhia em setembro do ano passado, ao mesmo tempo em que o Uber considerava um aporte na empresa, como forma de turbinar o negócio do Uber Eats na Europa.
Parlamentar vai pedir investigação
O anúncio da entrada da Amazon no mercado de entregas revoltou o parlamentar Tom Watson, líder do Partido Trabalhista do Reino Unido. Segundo ele, o interesse da gigante americana é nas tecnologias e dados de consumidores britânicos.
“Isso se chama capitalismo de vigia. É uma distopia digital e eu vou escrever para Autoridade de Mercados e Competição [CMA, o órgão que regula os mercados no Reino Unido] demandando que eles lancem uma investigação nesse ‘investimento”, escreveu em uma rede social.
Na Europa, reguladores nem sempre se intrometem em fusões e aquisições. Quando o Facebook adquiriu o WhatsApp, o acordo foi aprovado pelos reguladores locais. Mais recente, uma aquisição avaliada em US$ 10 bilhões da rede de supermercados Asda, de propriedade do Walmart, por outra grande rede, a Sansbury, foi questionada pelos órgãos locais.