Amapá registra 318 mortes violentas em 2017: ‘Brasil em guerra’, diz especialista


Índices foram menores que os apurados em 2016. G1 lança nesta quinta-feira (22) novo projeto que acompanhará mês a mês os dados de crimes violentos no país. Mais de 300 pessoas foram mortas de forma violenta no Amapá em 2017
John Pacheco/G1
O Amapá registrou ao todo 318 mortes violentas ao longo do ano de 2017, segundo a Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Os dados apontam que um índice de 39,9 mortes a cada 100 mil pessoas.
Em todo o país, foram quase 60 mil assassinatos no ano passado. O levantamento faz parte do Monitor da Violência, que a partir desta quinta-feira (22), vai acompanhar mês a mês os dados de crimes violentos no Brasil. O projeto é uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O registro de 2017 foi menor que no ano anterior, quando ocorreram 329 mortes violentas em terras amapaenses, com 42,1 mortos a cada 100 mil habitantes. Os dados constam no anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Entre os tipos de crimes, os homicídios registraram leve crescimento entre 2016 e 2017, de 297 para 299; enquanto que os latrocínios diminuíram de 19 para 14. Os casos de lesão corporal seguida de morte foram o que tiveram a maior redução, de 13 para 5.
Entre 21 e 27 de agosto de 2017, o G1 registrou todos os casos de homicídio, latrocínio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídio ocorridos no país.
Monitor da Violência: especialista fala sobre a situação no AP
Para o professor Manoel Pinto, mestre em sociologia geral, o Amapá vive um conflito, assim como ocorre em todo o país.
“A crise na segurança pública brasileira na verdade não vem acontecendo nos últimos 2, 3 anos. É uma crise sistêmica e já perdura muito tempo. Não é absurdo dizer que o Brasil vive em guerra. Infelizmente existe no país uma cultura da violência. Ninguém tem respeito mais na vida do outro e o resultado são esses números exorbitantes de assassinatos”, comentou.
Monitor da Violência: indicado pelo governo fala sobre a situação no AP
O ex-titular da Sejusp, delegado Ericláudio Alencar, declarou que, entre os crimes registrados, há aqueles provocados por grupos organizados nas cadeias. Ele indica que a construção de presídios de segurança máxima por todo o país pode mudar esse cenário.
“O crime organizado tomou conta dos presídios e tem executado aqueles membros que não cumprem as diretrizes. Nós já levamos para o ministro da Justiça e vamos levar ao ministro da Segurança Pública uma solução, que é a criação de presídios de segurança máxima em todos os estados, para isolar as facções e fazer com que cumpram as penas em regime integralmente fechado”, citou Alencar.
O delegado foi apontado pelo governo do Estado para falar sobre a situação de mortes violentas. Ele foi exonerado do posto na terça-feira (20).
Jornalistas do G1 espalhados pelo país solicitaram os dados via Lei de Acesso à Informação, seguindo o padrão metodológico utilizado pelo fórum no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado normalmente no fim do ano.
No Amapá, os dados foram acessados, porém, após contato com a assessoria de comunicação e com o setor de estatística da Sejusp.
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